Toma lá dá cá: A farra continua e aliados indicam parentes para cargos no governo Bolsonaro

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Natália Portinari
O Globo

A indicação da filha de Braga Netto, ministro da Casa Civil, para uma vaga na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), frustrada após a divulgação, não seria algo inédito na gestão de Jair Bolsonaro. Em seu mandato, persiste a velha prática da nomeação de parentes de deputados, senadores e demais aliados em cargos do governo federal.

Em maio deste ano, o filho do senador Elmano Férrer (PODE-PI), Leonardo Férrer, tornou-se ouvidor na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). Ele teve um voto contrário da representante dos trabalhadores da companhia, que disse que o cargo deveria ser de um servidor de carreira.

EM FAMÍLIA – Só na Funasa (Fundação Nacional de Saúde), entidade vinculada ao Ministério da Saúde, o governo nomeou em agosto passado a mulher do líder do PL, Wellington Roberto (PB), Deborah Roberto, e uma tia do deputado Gustinho Ribeiro (SD-SE), Maria Luiz Felix. Na superintendência do órgão na Paraíba, foi mantida a mãe do líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Virgínia Velloso Borges ocupa o cargo desde 2017.

Procurado, Aguinaldo Ribeiro se restringiu a dizer, através de sua assessoria, que sua mãe foi nomeada no governo de Michel Temer. Wellington Roberto diz que a indicação de sua mulher é técnica: “Ela é competentíssima, já trabalhou em vários órgãos aqui em Brasília e agora está na diretoria de saúde ambiental e fazendo um trabalho excelente. Está comunicando tudo ao presidente e colocando ordem por lá”, afirmou.

“BOA FORMAÇÃO” – Já o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-líder do governo no Senado Federal, tem o filho, Sérgio Fernandes Ferreira, empregado em uma diretoria no Ministério do Turismo, mas nega qualquer tipo de favorecimento. “Ele é jovem de boa formação e secretário-geral do partido. Tem vida independente e não sou eu que vou proibi-lo de atuar no governo, até porque já fiz isso durante toda minha trajetória”, afirma Izalci.

Em 17 de abril de 2019, o deputado Julio Cesar (PSD-PI) conseguiu a nomeação de sua irmã, Jacqueline Carvalho Maia, na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Ela é assessora da presidência da companhia, ligada ao Ministério da Agricultura. “Eu já fui diretor administrativo da Conab em 2001, e conhecendo lá as pessoas consegui uma indicação dela. Não foi critério político, foi mais pela relação de amizade, por eu conhecer as pessoas”, diz.

Há ainda o caso da esposa do deputado federal Herculano Passos (MDB-SP), ex-vice-líder do governo, que ocupava uma secretaria no Ministério da Cidadania de maio do ano passado até fevereiro deste ano, quando saiu para disputar a prefeitura em Itu (SP). Segundo o deputado, ela foi nomeada por ter “competência técnica” e “notória experiência na área”.

INDICAÇÃO – O deputado Cláudio Cajado (PP-BA) também emplacou a indicação de sua mulher em um cargo no governo no ano passado. Superintendente da Funasa na Bahia de julho de 2019 até janeiro deste ano, Andreia Cajado deixou o cargo para assumir uma diretoria em uma agência no governo da Bahia. Ela é pré-candidata à prefeitura de Dias D’Ávila (BA).

“Ela tem uma atividade política independente da minha, foi prefeita três vezes, é bacharel em Direito e Geografia. A experiência dela exitosa como gestora pública foi que a levou para esse cargo”, diz Cajado. O governo também negociou com Elmar Nascimento (BA) para manter seu irmão, Elmo Nascimento, como superintendente da Codevasf em Juazeiro (BA). Ele deixou o cargo em junho deste ano, também devido às eleições municipais.

NEPOTISMO – A nomeação de parentes de aliados não configura nepotismo, segundo o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso desde que não se trate de nepotismo cruzado — quando, em troca de uma indicação, o político nomeia também um parente de seu aliado.

O senador Elmano Férrer e o deputado Gustinho Ribeironão responderam aos contatos da reportagem. O deputado Elmar Nascimento se limitou a dizer que o irmão foi nomeado ainda no governo Temer.

10 thoughts on “Toma lá dá cá: A farra continua e aliados indicam parentes para cargos no governo Bolsonaro

  1. O pobre entendimento do STF citado nada mais é do que uma forma de autorizar a prática de atos contra a Moralidade e Impessoalidade – princípios da Administração Pública.
    Isso porque no próprio Judiciário, nos Ministérios Públicos e Tribunais de Contas existe essa prática desde sempre de nomear cunhado, primo, nora, namorada, amante, o ex-mulher etc.
    Por isso que a tal Súmula Vinculante editada pelo STF, que nada mais é do que interpretação àqueles princípios citados, foi de apenas proibir a nomeação em cargo de parentes até o terceiro grau.

  2. NA VERDADE, verdadeira, aquela que realmente liberta, charlatão mor das forças armadas e do baixo clero do congresso nacional, que têm bandidos de estimação, ou não, fato é que Bolsonaro já receitou o único remédio capaz de resolver a doença do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, e o próprio Brasil, tal seja um Dia de Leão, Brasil, pelo Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso. Aliás, nesse sentido, o próprio Bolsonaro já deu duas dicas à população, uma quando se viu cercado pelo sistema, pediu ajuda ao Leão, e a outra quando cercado pela Covid-19, tb pediu um Dia de Leão à população, via Facebook, deixando claro que, na cabeça dele, a Solução do Brasil, para o bem da população, tem tudo a ver com o Leão, tal seja, com a Revolução Pacífica do Leão, pela redenção da política, do país e da população, o remédio forte, porém certo, na dose certa, no paciente certo, na ora certa, que tem o condão de arrancar o mal pela raiz. https://www.brasil247.com/poder/charlatanismo-de-bolsonaro-e-contagioso-diz-mello-franco

  3. A expressão do : “Toma lá dá cá” funciona como um condicionante, para o chefe do Executivo (municipal, estadual e federal), que precisa “governar”, e perdeu a conexão de atribuições com o Legistivo, ou sequer a.teve algum dia.
    Nessa nova relação, a legitimaçåo das materias de interesse do governo, nem sempre coincide com o anseio popular, e passa a ser comprada.
    A tendência do governante é tornar-se cada vez mais impopular:
    1- Para se manter no poder, o mandatário prioriza as medidas que possam fortalecê-lo, pouco importando se isso vai desagradar a população.
    2- O Congresso, por sua vez, percebendo que o chefe do Executivo tornou-se refém da sua própria desconexão com o povo, vai, paulatinamente, cobrando mais caro pelo seu aval: repasses financeiros sob qualquer disfarce, usurpação de cargos públicos, favorecimentos como contrapartida aos Legisladores pela simbiose estabelecida etc.

  4. O negócio do seu Jair é andar de motocicleta.

    Já vimos que ele não manda mais nada (se é que algum dia mandou). É um figurante de luxo a serviço da milícia e dos filhos mimados.

    Nem dona Michele aguenta o bronco. Dá pra ver que há muito tempo ele não faz saliência, pois o coronavírus nem chegou perto dela.

    O que estranha é que o Hélio Negão, o “guarda-costas” do seu Jair, sumiu. Será que está com coronavírus também? Tudo indica, né! Só andavam “grudados”.

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