Toma posse o novo ministro da Agricultura, que diz ter muito a aprender com seu antecessor Wagner Rossi, demitido por corrupção.

Carlos Newton

Escolhido para assumir o Ministério da Agricultura no lugar de Wagner Rossi, o novo ministro Jorge Mendes Ribeiro Filho vai tomar posse no cargo hoje, às 11 horas, no Palácio do Planalto. Espera-se ardentemente que suas ações não correspondam às declarações que vem dando, desde que foi indicado para o cargo.

Confirmado na quinta-feira como novo ministro da Agricultura, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) foi logo afirmando que o lobby é uma “questão legítima, que todo mundo faz”, dizendo até que é autor de um projeto de lei que permite aos lobistas circularem livremente pelo Congresso.

Nesse ponto, Mendes Ribeiro foi de uma infelicidade impressionante, ao falar de corda estando prestes a entrar na casa de um enforcado. Como todos sabem , um dos motivos que levaram à demissão do ex-ministro Wagner Rossi foi justamente o livre acesso do lobista Júlio Fróes às dependências do Ministério da Agricultura, onde tinha mesa de trabalho e ramal telefônico, que usava para conduzir licitações e tudo o mais, com o agravante de ser ex-traficante de drogas, condenado ao ser preso com um  quilo de cocaína, vejam só a que ponto chegamos.

A segundo forte mancada de Mendes Ribeiro foi dizer que, com pouca experiência na área agrícola e rural, pretende “aprender muito” com ex-ministros da Agricultura, inclusive com seu antecessor, o próprio Wagner Rossi.  Aliás, em sua primeira entrevista após ter sido confirmado no cargo, ele fez vários elogios a Rossi e disse que irá procurá-lo nos próximos dias.

“Tenho muito que aprender. Quero aprender com ele [Rossi]”, disparou, para espanto dos jornalistas, que não estão acostumados com esse tipo de franqueza absoluta, principalmente em meio a um escândalo administrativo de tamanhas proporções.

Para culminar, o novo ministro disse ainda que as investigações na pasta e na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cabem apenas aos órgãos apropriados para investigação. “Faxina? Eu vou tratar é da Agricultura”, disse ele, que parece com um personagem de Voltaire, o “professor Pangloss”, que julgava estar vivendo no melhor dos mundos, desconhecendo toda a podridão à sua volta. E “la nave va”, fellinianamente.

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