Tombini, dólar, reservas, juiz Moro e outras coisas mais… atuais

Jorge Béja

Para conter a disparada do dólar, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, acenou ontem com a possibilidade do Brasil despejar a moeda americana no mercado. Tombini revelou que o país tem reservas internacionais de US$ 370 bilhões.  Essas reservas, que não são guardadas dentro de um cofre, mas aplicadas em títulos do governo americano, no Banco Mundial, no Banco Interamericano do Desenvolvimento e em outras instituições internacionais, a baixos juros,são da titularidade do Brasil. Logo, pertencem ao povo brasileiro. É um seguro que pode e deve ser utilizado a qualquer tempo e para qualquer situação. É comparável a uma “Caderneta de Poupança”.

Nada mais justo, próprio e adequado, que o Brasil faça uso de menos de 3% (US$ 11 bilhões) de suas reservas internacionais para cobrir o rombo no orçamento para 2016, oficialmente dito de R$ 30,5 bilhões. E isso cotando o dólar modestamente a R$ 3 reais! Não pode o pater familias sujeitar seus filhos a sacrifício para cobrir e raparar um dano que seus filhos não causaram. E para que o Brasil quer tanto dinheiro aplicado lá fora? As reservas internacionais da Alemanha são de US$ 182 bilhões e as dos Estados Unidos apenas de US$ 133 bilhões!! E o que o Brasil faz com o rendimento da aplicação, ainda sendo muito baixo?

JUIZ SÉRGIO MORO

O juiz federal Sérgio Moro é a reserva moral do Brasil. É um brasileiro precioso e excepcional. Ele, os procuradores da república no Paraná e a Polícia Federal, dão provas de que ainda existem autoridades firmes e de bem no nosso país. É justamente por isso que o juiz Moro deveria se resguardar do aparecimento em público. O Dr. Moro tem feito palestras em diversas instituições. Com isso ele se expõe e fica sujeito a perguntas que não pode responder, que são aquelas que dizem respeito aos processos da Lava-Jato que preside. Juiz fala nos autos.

Qual o objetivo, então, das palestras que o Dr. Moro tem feito? Falar sobre corrupção e de seus mecanismos? Isso ele já fala em suas irretocáveis sentenças condenatórias de corruptores e corrompidos. Seria ele um brasileiro como qualquer um de nós que pode falar para platéias? Não, o Dr. Moro, no exercício da presidência dos processos da Lava-Jato, está acima de todos nós.  Sente-se que enquanto o povo apenas ouvia sua voz nos interrogatórios e apenas visualizava sua pessoa em vídeos de arquivo, sua imagem era muito mais reverenciada do que é hoje.

QUESTÃO DE COMPETÊNCIA

O artigo de hoje nosso editor Carlos Newton (“Fatiamento de Processos da Lava Jato Não Significa Mutreta”) está corretíssimo sob todos os pontos de vista, mormente o jurídico-processual. Fala-se em “conexão”, ou seja, que todos os crimes que a Lava-Jato do Dr. Sérgio Moro descobre são crimes conexos, interligados e que, por isso, deveriam todos ser apurados pelos procuradores da república no Paraná e processados e julgados exclusivamente pelo Dr. Moro. Não é bem assim.

Existem questões de competências territorial, por prerrogativa de função, natureza da infração, domicílio ou residência do réu, lugar da infração e outras mais que precisam ser levadas em conta. O Juízo Federal de Curitiba não é o único competente para tudo processar e julgar, mesmo que a fonte que deu origem à revelação de outros atos e fatos criminosos tenha sido o processo investigativo da Lava-Jato. E que ninguém fique desapontado, pois há muitos outros juízes e procuradoress federais, neste combalido Brasil, tão probos, isentos, fortes, determrinados e cultos quanto o Dr. Moro.

ORAR POR FRANCISCO

Para terminar. Vamos orar pelo Papa Francisco. Sua peregrinação em busca da concórdia e da paz está além de suas forças físicas, mentais e emocionais. A Igreja consagrou esta milenar oração para o papa, sempre cantada no Vaticano: “OREMUS PRO PONTIFICE NOSTRO… ( Franciscus ),DOMINUS CONSERVET EUM, ET VIVIFICET EUM, ET BEATUM FACIAT, EUM IN TERRA, ET NON TRADAT EUM, IN MANIBUS INIMICORUM EIUS. AMÉM. AMÉM”

16 thoughts on “Tombini, dólar, reservas, juiz Moro e outras coisas mais… atuais

  1. Dr Jorge Béja, nossa indignação e preocupação quanto ao fatiamento da Lava Jato ocorre por ter sido simplesmente uma manobra política, visando favorecer o PT e seus partidários. Não vem ao caso se é lícito, mas sim as consequências do ato. Foi um banho de água fria nas nossas esperanças de justiça.

  2. Prezado Dr. JORGE BÉJA,
    A meu ver, o seu bom artigo na parte Econômica contém uma sugestão perigosa: Usar as Reservas Internacionais do Brasil no Banco Central, atualmente em +- US$ 375 Bi, para cobrir DEFICIT FISCAL DE CUSTEIO ( e não de INVESTIMENTO), do Governo Federal. Ora, o Gov. Fed. gastou em CUSTEIO, mais do que Arrecadou em 2014, 6,5% do PIB, e está previsto gastar mais do que Arrecadará em 2015, 8,2% do PIB….E olha que Arrecada bem, +- 36% do PIB, o que para País sub-desenvolvido de Renda per-Capita +- US$ 12.000, como é o nosso caso, é Carga Tributária das maiores do mundo. Deve primeiro ir Reduzindo seu Deficit Fiscal em CUSTEIO até ser Superavitário, sem utilizar Reservas do BC, se não em +- 4 anos ficaremos sem Reservas.

    Nossa Economia é Propriedade do Capital Internacional em +- 45%. Empresas Multinacionais com Matriz no exterior, Empréstimos, Capitais Internacionais investidos em nossa Bolsa de Valores, etc. Como nosso PIB orça em +- US$ 2.500 Bi, a Propriedade do Capital Internacional é de +- US$ 1.125 Bi, e uma Reserva de US$ 375 Bi, nessas condições, ainda é pequena.
    Deve o Brasil fazer de tudo para ir se livrando dos DEFICITS, e reduzir a participação do Capital Internacional em nossa Economia. Abrs.

    • De inteiro acordo com você, Lionço. O governo precisa consertar as causas do rombo antes de recorrer a reservas ou a novos impostos, senão em pouco tempo destruirá essas reservas e continuará gerando novos déficits. O problema é muito simples de definir, embora talvez não tão simples de resolver: o governo gasta mais do que arrecada, e se endivida cada vez mais para tentar cobrir a diferença; e como não consegue abater, ou sequer impedir de crescer, o tamanho da sua dívida, tem cada vez mais juros para pagar, e consequentemente um rombo cada vez maior. É como um cidadão que, em vez de controlar seus gastos de acordo com seus rendimentos, se deixou pendurar no cheque especial e agora não consegue controlar o crescimento de sua dívida. E, do mesmo modo que o cidadão, se não cortar fortemente nos seus gastos, inclusive de custeio e despesas obrigatórias, e não conseguir renegociar sua dívida, vai acabar de quebrar.
      Queimar as reservas agora seria como se o cidadão vendesse sua casa para cobrir a dívida mas continuasse gastando do mesmo jeito.

  3. Como dizem os doutos causídicos, peço-lhe vênia, Dr. Béja, apenas para lembrar que já se havia pleiteado o fatiamento no STF, se não me falha a memória, em maio. O STF negou. Agora, como era preciso barrar as investigações em órgãos da administração direta, surpreendentemente, o Tribunal aceitou.

    • Obrigado pela fiel tradução, Lionço. “Et non tradat eum in manibus inimicorum, eius”. “In manibus inimicorum” ( in manibus, em mãos dos inimigos).
      Gratíssimo, Lionço
      Jorge Béja

  4. Caro Dr.Béja,
    Certamente o mestre Bortolotto vai se lembrar de um comentário meu postado há 8/10 dias, onde eu perguntava a ele as razões pelas quais as nossas reservas em dólares não eram usadas para debelar esta crise ou amenizá-la.
    O sempre atencioso mestre Bortolotto me respondeu que se trata de um dinheiro aplicado ou depositado na Suíça e investido em aplicações, enfim, que está à disposição nossa para ser usado da melhor maneira possível.
    Pois vem a público o ministro Tombini, avisando que poderá lançar mão dessas reservas para conter o dólar e, possivelmente, cobrir parte do orçamento a descoberto para 2016.
    E, o seu artigo, Dr.Béja, questiona os porquês de termos tantos dólares depositados e recair sobre a população mais impostos, aumentando as dificuldades do cidadão que já se defronta com desemprego, inflação sem controle, déficit fiscal, real sendo desvalorizado diariamente, um governo que não encontra soluções para o caos econômico que nos encontramos e que se agrava com os problemas de ordem social, principalmente no que tange à insegurança, atualmente o problema de maior relevância e que nos coloca em permanente estado de alerta, pois tem ceifado a vida de milhares de brasileiros anualmente.
    Por outro lado, o senhor nos tranquiliza quanto ao fatiamento do Lava Jato, afirmando que existem mais juízes do mesmo nível de comprometimento com a nação que o Dr.Moro, que continuarão o trabalho elogiável que o paranaense tem desenvolvido.
    E conclui, como é de seu hábito, que rezemos pelo Papa Francisco, cuja peregrinação por Cuba e em seguida aos Estados Unidos, tem se evidenciado como uma das caminhadas mais brilhantes e de resultados positivos que um Sumo Pontífice havia logrado êxito nos últimos cinquenta anos, diante do envolvimento deste líder religioso que obtém a unanimidade mundial como um legítimo defensor dos fracos e oprimidos, função que o Papa se mostra com extraordinária desenvoltura e capacidade de diálogo, além de transmitir mensagens que apelam para que as nações mais poderosas ajudem as mais necessitadas e que todos se lembrem que descendemos de imigrantes, de estrangeiros, motivo pelo qual devemos nos solidarizar com os refugiados de países em conflito e tratá-los condignamente.
    Conta comigo, Dr.Béja, pois nas minhas preces me lembrarei do meu xará para pedir a Deus que ilumine a jornada que o Papa escolheu, de modo que ele possa trilhá-la com ampla visão do que encontrará pela frente, e saiba se desviar dos obstáculos que poderão impedir que Sua Santidade consiga atingir seus objetivos.
    Um abraço, Dr.Béja.

  5. “O Dr. Moro tem feito palestras em diversas instituições. Com isso ele se expõe e fica sujeito a perguntas que não pode responder, que são aquelas que dizem respeito aos processos da Lava-Jato que preside. Juiz fala nos autos.”

    Esse é o meu medo Dr. Beja, essa exposição pode acalentar o ego da pessoa, do ser humano, mas, como bem o disse, qualquer magistrado que se presa e respeita a liturgia do cargo, só fala nos autos. O que não é o caso do GM, mas tudo “bem”, ele não é do ramo. O magistrado Moro, necessita se acautelar, pode colocar tudo a perder.

    • O governo brasileiro não emite dólares.

      Tampouco o governo americano, digo eu.
      Quem emite dólares, quantos precisarem, sob o nome que quiserem ou precisarem, é uma quadrilha de banksters (perfeito neologismo) particulares enrustidos no chamado FED (perfeita palavra, em português, para o tema, porque FEDe mesmo!)

      Emissão de dólares na base do QE, quantitative easing, não é expressão de quem está tirando o maior sarro na cara do planeta e dos tontos que ainda tomam o dólar como reserva de valor e o utilizam em seus negócios?

      Aos que não acreditam nas farras do QE do FED, sugiro a leitura do relatório do GAO-11-696, de 2011, em http://www.gao.gov/new.items/d11696.pdf, que à pág. 144, mostra o quanto deram “de grátis” ao City (US$ 2,51 trilhões), ao Morgan Stanley (US$ 2,04 trilhões), ao Merryl Lynch (US$ 1,85 trilhões) e mais Bank of America, Barklays, Bear Steams, Deutsche Bank, Goldman Sachs e inúmeros outros, no totalzinho silencioso de US$ 16,1 trilhões, só entre 2008 e 2010…

      Com um papai FEDido destes a meu favor, até eu, que sou tolo na área, faria negócios gigantescos pelo mundo afora, deitando falação, sonhos e realizações. E se, por acaso, viesse a me dar mal, como ocorreu com todos estes banksters desta tabela, em 2008, tenho certeza que o papaizinho FEDido emitiria mais alguns dólares para cobrir as minhas burradas…
      Como diz a propaganda, emitir dólares é muito bom, não tem preço…

      O show, este sim, é que não pode parar, nem o Sistema pode quebrar.
      Dólares neles (show ou Sistema) se precisar e os prejudicados que vão-se danar!

      E ainda tem gente por estas plagas querendo resolver os nosso reais problemas fazendo contas, planos e investimentos com os FEDidos dólares…

      Sejam governos ou cidadãos, que sacossanta ingenuidade!
      Foi intencional o sacossanta, porque é desanimador, um saco, mesmo, ver tanto ingênuo com a cabeça enfiada na terra, sem considerar tudo que ficou de fora…

  6. Essas reservas custaram o aumento da dívida interna, de 670 bilhões de reais, passou
    no governo Lula a quase 2 trilhões de reais, se não me falha memória.
    Que impulso daria ao país esses 375 bilhões de dólares, desde que fosse nas mãos
    de um governo sério e honesto, porque nas mãos do governo do PT seria mais uma farra
    com o dinheiro público. A crise causada pela incompetência e irresponsabilidade desse governo,
    deve ser resolvido por ele ( quem pariu Mateus que o embale). Acho até que seria um alívio para a Presidente o seu impeachment, deixaria a bomba na mão de outro.

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