Traficantes dominam as favelas “pacificadas” e estão enriquecendo os soldados da PM que atuam nas comunidades.

Carlos Newton

A farsa continua. Conforme o jornalista Helio Fernandes denunciou repetidas vezes aqui no Blog, enfim começa a vir à luz o acordo celebrado entre o governo Sergio Cabral e os traficantes que dominam muitas favelas no Rio de Janeiro, para que fossem instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nessas comunidades.

Segundo o acordo informal, digamos assim, os traficantes ficaram livres para vender as drogas, desde que o façam discretamente, sem exibir armas nem afrontar os moradores. Foi por isso que todas as favelas foram invadidas pacificamente pela PM, sem disparar um só tiro, e na época ninguém estranhou essa passividade, a não ser Helio Fernandes, que jamais se deixou iludiu pela estratégia de marketing do governador Sergio Cabral.

Agora, quando começam a se confirmar as denúncias de que os traficantes operam com liberdade nas favelas ditas pacificadas, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, alega que as denúncias de que policiais militares de UPPs receberam propinas de traficantes devem ser investigadas, mas não podem prejudicar o andamento do projeto.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro teve de afastar o comandante e o subcomandante da UPP dos morros Coroa e Fallet/Fogueteiro, na Zona Centro da cidade, após denúncia de moradores de que os policiais recebiam propina de traficantes da região. O comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, informou que a investigação está em fase final e deve ser concluída em uma semana   

“São 40 anos ou mais em que ilhas de violência desenvolveram suas ações criminosas. Estamos entrando e permanecendo nesses lugares”, disse Beltrame. “Nunca vendi a ilusão de que não temos possibilidade de enfrentar alguns problemas, mas o imprescindível é que se continue [o projeto]”, justificou o secretário, assinalando que os desvios de conduta de policiais militares podem ser consequência de falhas no treinamento e na formação. “Temos que supervisionar, punir e continuar.”

Na verdade, sem rodeios, o que está acontecendo nas favelas “pacificadas” do Rio de Janeiro é o seguinte: os traficantes operam livremente, mas pagam comissão aos soldados da PM que atuam nas respectivas UPPs, que estão ficando ricos, não sofrem a menor ameaça, não correm risco algum, inclusive porque as ordens são de não efetuar prisões.

Enquanto isso, por toda a cidade, aumentam os assaltos e a criminalidade, porque grande parte do efetivo da PM está “trabalhando” nas UPPs, numa boa, onde não enfrentam bandido algum. Pelo contrário, convivem com a bandidagem  na maior cordialidade e cumplicidade. Como diz Helio Fernandes, que maravilha viver.

 

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