Trafico de influência do ministro Fernando Pimentel cada vez se complica mais

Carlos Newton

A Folha de S. Paulo colocou uma tropa de choque para levantar os podres da “consultoria” do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que está se tornando o Antonio Palocci na bola da vez. O jornal escalou três repórteres da pesada para cobrir o assunto: Catia Seabra, de São Paulo, que foi a Belo Horizonte se juntar a Paulo Peixoto, enquanto Breno Costa faz a retaguarda em Brasília.

E o caso está tendo desdobramentos. Otílio Prado, sócio do ministro Fernando Pimentel na P-21 Consultoria, Otílio Prado já entregou o cargo de assessor da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele pôs sua cadeira à disposição na noite de quarta-feira, após uma conversa com o prefeito Márcio Lacerda.
Incomodado com a exposição sofrida com a revelação de que Otílio acumulava o cargo na prefeitura com a participação na consultoria de Pimentel, Lacerda aceitou prazerosamente a demissão, sob o argumento de que era uma decisão de foro íntimo.

A situação do sócio de Pimentel se complicou desde que veio à tona a informação de que a P-21 recebera R$ 400 mil de empresa que tem seu filho entre os sócios. A QA Consulting, do filho de Otílio, teve contrato com uma empresa da Prefeitura, a Prodabel, durante a gestão de Pimentel na prefeitura, no valor de R$ 173,8 mil.

Agora, a Prodabel é chefiada por Paulo Moura, ex-secretário de Governo do petista, vejam como tudo se encaixa. Na gestão de Moura, a Prodabel, que trabalha com informática, firmou contrato de um ano com a QA Consulting, em agosto de 2010, no total mensal de R$ 15.700. Com esse valor, não é exigida licitação.

Otílio Prado, filiado ao PSB, chegou à Prefeitura de BH pelas mãos do ex-prefeito Célio de Castro, no final dos anos 90, e se manteve no gabinete até ontem, notem que se trata de um grande profissional do contorcionismo político, digno de entrar para o Cirque du Soleil.

Com Pimentel, que era vice de Castro e o sucedeu após sua morte, Otílio permaneceu no gabinete do prefeito e se tornou muito próximo dele. Foi seu secretário particular na prefeitura e, terminado o mandato, em 2009, passou a ser sócio de Pimentel na consultoria.

Com a chegada de Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura, também pelas mãos do ministro, um de seus padrinhos políticos, Otílio foi mantido no gabinete como assessor, cargo que acumulou com a sociedade com Pimentel, segundo publicou o jornal “O Globo”.

Em entrevista à Folha antes de pedir exoneração, o ex-sócio do ministro havia dito não ver conflito de interesses entre suas atividades na prefeitura e os serviços prestados para firmas interessadas em decisões do município.
Na entrevista, ele se recusou a informar detalhes das consultorias prestadas e jogou para Pimentel, que saiu da empresa em dezembro passado, a responsabilidade por fornecer informações sobre a P-21.

Sobre ser pai do dono da QA Consulting, disse: “Meu filho não tem nada a ver comigo. Não é o mesmo CPF, é?”, perguntou, mostrando que a desfaçatez não tem mesmo limites. E desligou o telefone afirmando estar “ocupado”, quando a reportagem perguntou se ele influenciou na celebração de contratos de mais de R$ 90 milhões da prefeitura com a empreiteira Convap, outra cliente da P-21.

Com esse nome de P-21, a “consultoria” só podia mesmo se meter em escândalos, pois faz lembrar a famosa P-2, loja maçônica que levou o Banco Ambrosiano à falência e deixou em maus lençois o Vaticano em 1982, quando o recém-criado PT ainda era um partido ético.

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