Transporte: abandonado, desprezado, engarrafado. No Rio, o Tnel Rebouas, sucesso do governo Lacerda, retrocesso e descaso em todos os outros. O que fazer para 2014? No sabem.

No h transporte de massa, os carros e nibus no andam. E no a primeira que o Tnel Rebouas, que acelerou e transformou o trnsito do Rio (j Estado da Guanabara, por causa da calamitosa e irrecupervel mudana da capital) enlouquece a cidade, engarrafa o trnsito, deixa a descoberto a incompetncia de quem governa.

Carlos Lacerda, que fazia e fez tremenda oposio a Juscelino, acabou beneficiado por ele. Deixando de ser capital, era preciso colocar alguma coisa no lugar. No dia 21 de abril de 1960, levando a cidade para o deserto, gastando fbulas de dinheiro para desperdiar com a megalomania e criar a ilha da fantasia e da mordomia, Juscelino criou o Estado da Guanabara, marcando eleio para 5 de novembro desse ano.

Se a capital continuasse aqui, Lacerda jamais seria governador, o presidente da Repblica preenchia os dois cargos-chaves. Prefeito e chefe de polcia, um no subordinado ao outro,os dois despachando com o prprio presidente.

Houve eleio, Lacerda, que sempre fez campanha contra presidentes que “no obtinham maioria absoluta”, foi eleito com 29 por cento dos votos. Ganhou numa eleio terrivelmente disputada de Sergio Magalhes, Tenrio Cavalcanti (150 mil votos) e Mendes de Moraes.

Assumiucom a cidade estraalhada, sem gua, sem transporte, sem escolas, sem nada que se parecesse com administrao.

Se concentrou imediatamente na questo da gua e do transporte. A construo do Guandu se deve ao governador, lgico, mas sem esquecer Veiga Brito e Helio Beltro. Brito, o engenheiro da obra, Hlio Beltro, engenheiro financeiro. Fez 8 ou 10 viagens aos EUA para obter financiamento a juros de 1 5/8, os americanos adoram esses nmeros.

(Deixemos o Guandu para outra oportunidade, as vrias vezes em que fomos visitar a obra, descendo naquelas “caambas”, com a dinamite explodindo. Basta por hoje: a dvida j est paga h mais de 16 anos, enquanto o financiamento da ponte Rio-Niteri, a juros de 14 por cento, vai levar o resto da vida para ser pago. Era obra federal, de Delfim e Andreazza.)

O transporte, um caos completo. Para ir a Petrpolis ou outra cidade serrana, era preciso dar a volta pela Central do Brasil, pegar o caminho “l em cima”. Da cidade para a Zona Sul (ou vice-versa), obrigatria a passagem pelo Centro, Flamengo, Botafogo, Jardim Botnico.

Marcos Tamoio (mais tarde prefeito), desde que entrou na Escola Politcnica para se formar em engenharia, tinha a obsesso do Rebouas. At o nome foi criado por ele, tinha admirao pelos irmos Rebouas, negros, competentes e admirados. Lacerda se entusiasmou com a ideia de Tamoio e resolver fazer o Rebouas.

Advertncia de Tamoio: “Governador, preciso fazer outro tnel na Covanca, na Gvea. Se no fizer, em pouco tempo ningum passar pela Rua Jardim Botnico”. Lacerda compreendeu, mas respondeu: “No temos dinheiro para um tnel, quanto mais para dois”. E a Covanca, para onde seria desviada parte do trnsito de que fosse para So Conrado, Barra, Recreio, no foi cogitado durante dcadas. Quantos governadores, e depois da fuso, prefeitos, sabiam ou cogitavam disso?

O Rebouas foi inaugurado em agosto de 1965, era um avano que, com as nulidades que vieram nos 44 anos seguintes, se transformou em retrocesso. Ainda est em tempo de fazer outros tneis, quem cuidar disso? (O Rebouas custou 10 por cento do que foi desperdiado com a “Cidade da Msica”.

Enquanto a cidade, desesperada, gritava “gua, gua, gua”, e se arrastava pelas ruas sem sada, atrofiadas e engarrafadas, Lacerda resolveu esses problemas e outros. que ele nao roubava, compreendeu que a corrupo no apenas um problema tico e sim de realizao. Implantou o princpio de que se voc ganha 3 ou 4 vezes numa obra superfaturada, poderia logicamente fazer 3 ou 4 outras obras.

Dos que vieram depois de Lacerda, quem deixou realizaes como as dele? Sem generalizar mas sem particularizar, o Rio como Guanabara e depois da amaldioada fuso, como capital, no utilizou o dinheiro do cidado para o enriquecimento lcito, amplo, geral e irrestrito.

PS – No adianta o prefeito pedir deculpas populao pela calamidade de ontem. No fez nada, no soube de coisa alguma. Caminha para 60 dias no cargo e no consegue outra coisa a no ser rebocar carros, geralmente de pobretes, que precisam para trabalhar.

PS2 – Se Eduardo Paes quer dar o que se chama de “choque de ordem” no trnsito, um conselho isento, sensato e educativo. Estude, examine, siga o que o coronel Fontenele realizou no trnsito do Rio. S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L, prefeito. Limpou a cidade, enfrentou at os tubares da Rua do Acre, carga e descarga, s entre meia-noite e 6 da madrugada. E abra novos Tneis da Covanca, prefeito. Vai fazer histria.

***

Este artigo est atualssimo, em 18 meses nada mudou, ou melhor, piorou. O ENGARRAFAMENTO, na cidade inteira, terrvel. A indstria automobilstica retumba: “Todo dia colocamos 400 carros novos nas ruas do Rio. S que no existe espao para circular ou estacionar.

O prefeito Eduardo Paes um sonhador, v l, mas no um realizador. Sua GRANDE IDEIA, badalada desde que tomou posse: fechar a Avenida Rio Branco (e as transversais) para a circulao de automveis. Segundo ele, “faria o maior parque do mundo a cu aberto”. Nada contra. Mas os milhares de carros que ENGARRAFAM a Av. Rio Branco o dia inteiro, circulariam por onde?

PS – Estamos em plena campanha, ningum (e no apenas presidenciveis) d uma palavra sobre o assunto, dos mais importantes. Segundo “O Globo”, em manchete da Primeira, “37 milhes de pessoas dormem nas ruas por falta de dinheiro e de transporte”, espalhadas por 27 estados. E um Distrito Federal.

PS2 – As favelas surgiram assim, isso j foi debatido aqui por muita gente que conhecia e conhece o assunto. Serra s pensa (?) na sade, Dilma s pensa (?) no Lula. lgico que sade importante. Mas no o nico problema, so tantos, Meu Deus.

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