Trapalhada tucana

Carlos Chagas

Os tucanos não se emendam. Quando parece que ganharam uma parada, tratam logo de perder outra. Estavam felizes com a decisão da presidente Dilma de privatizar rodovias e ferrovias. Chegaram a tripudiar sobre o governo publicando nos jornais anúncio onde se regozijavam com a medida. De graça, receberam forte incentivo para reafirmar sua unidade.

Pois não é que 24 horas depois Geraldo Alckmin implode o ninho, declarando-se candidato às eleições presidenciais de 2014? Parecia acertado que naquele ano o governador paulista concorreria a um segundo mandato no palácio dos Bandeirantes. Com José Serra na prefeitura de São Paulo, ou na hipótese de perder a eleição, sua candidatura estaria barrada. O plano de vôo indicava a óbvia candidatura de Aécio Neves ao palácio do Planalto. Agora, embolou tudo outra vez. Se Alckmin pode, por que Serra não poderá?

Por trás dessa confusão emerge o bairrismo. Os paulistas do PSDB, presumindo-se donos do partido, sempre olharam os mineiros de viés. Querem cadeira cativa até na derrota. Só falta mesmo, em nome da teoria dos contrários, passarem a defender a estatização das ferrovias e rodovias…

###
PARA OS MESMOS DE SEMPRE…

Basta olhar o mapa da ampliação das rodovias, pretensamente a cargo da iniciativa privada. Bahia, Espírito Santo, Minas, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal serão aquinhoados com a duplicação e a melhoria de suas estradas. De início, as empresas que se credenciarem às obras deverão realizar 10% delas. Isso feito, certamente que com financiamento do BNDES e penduricalhos, estarão livres para cobrar novos e vultosos pedágios, mesmo nos 90% planejados no papel.

Corre como piada, mas podendo ser verdade, que até para atravessar de um lado para o outro de certa rodovia, o veículo pagará pedágio. Depois, os caminhoneiros fazem nova greve e o abastecimento entra em colapso. Mesmo trabalhando, porém, é certo que vão transferir o aumento de despesas para o preço dos gêneros que carregam.

###
SEM EXPLICAÇÃO

O país deve muito à Polícia Federal. Em especial depois da Constituição de 1988, a corporação vem desvendando crimes e falcatruas, combatendo o trafico de drogas e vigiando nossas fronteiras. É incalculável o beneficio institucional gerado pelos federais.

Não dá para entender, assim, o caos verificado quinta-feira nos principais aeroportos do país, por obra e graça da Polícia Federal, empenhada na operação-padrão. Multidões se indignaram com a revista obrigatória feita em todas as bagagens e em todos os passageiros, ainda que só uns poucos protestassem.

Deve existir outra forma de reivindicação salarial para quem tem a obrigação de garantir a lei e a ordem.

###
PODE NÃO SER VERDADE, MAS…

Cria-se aos poucos a impressão de ser o ministro Ricardo Lewandowski o principal patrono dos mensaleiros. Não deve ser verdade, mas suas intervenções conduzem a essa suposição. De entrevero em entrevero com o relator Joaquim Barbosa, sente-se que o revisor vai ficando isolado entre a maioria dos ministros.

Não todos, porque Marco Aurélio Mello tem formado a seu lado, mas parece indiscutível a tendência geral. Vale aguardar os votos pela condenação ou a absolvição dos réus, porque as aparências às vezes enganam. João Paulo Cunha e Marcos Valério parecem arcabuzados, mas a grande definição, mesmo, acontecerá quando José Dirceu estiver sendo julgado.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

One thought on “Trapalhada tucana

  1. Pingback: officialnhlonline.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *