Três idéias de segunda mão para a manifestação do dia 20, no Rio.

Altamir Tojal

O movimento contra a corrupção cresce e começa a vencer a inércia política no país, mas tem grandes desafios e já enfrenta cobranças. Espalho aqui três idéias de segunda mão (uma antiga e duas recentes) que podem ser úteis para a organização e para a objetividade da manifestação do próximo dia 20 na Cinelândia, Rio.

1 – Mais fé na perseverança que na exuberância

O movimento reunia no início 50, 100, 200 pessoas; agora são milhares. Isso é bom, mas a quantidade não é a única medida. É importante mas não é tudo. A medida do movimento deve ser a perseverança na mobilização.

1968 não começou nem terminou com a Passeata dos 100 Mil, nem a Campanha das Diretas foi vitoriosa só por causa dos comícios da Candelária e da Praça da Sé.

Tive o privilégio de participar destes dois movimentos quando juntavam somente uns gatos pingados. Leia na Wikipedia a lista dos comícios das Diretas. O primeiro, em Abreu e Lima, PE, no dia 31 de março de 1983, foi tão pequeno que não há registro do número de participantes.

Estive agora nas duas passeatas contra a corrupção, que foram do Leblon a Ipanema, organizadas pelo Movimento 31 de Julho, a primeira com 150, a segunda com 400 pessoas. Foram pequenas, mas foram potentes.

Os adversários do movimento contra a corrupção querem lhe impor como medida a quantidade de gente na Cinelândia, no dia 20. Dizem que se for menos que os 30 mil de Brasília será um fracasso. Não vamos cair nessa. Vamos juntar todos os que quiserem e puderem ir. Vamos fazer uma manifestação pacífica, alegre e bonita. Vamos perseverar na mobilização, protestar nas ruas muitas vezes, quantas vezes for preciso, para chatear os ladrões e vigaristas até tirá-los do poder e botá-los na cadeia.

2 – Temos um bom manifesto; vamos divulgá-lo

A OAB, a CNBB e a ABI lançaram o manifesto “O Brasil em Movimento contra a Corrupção” neste dia 7 de Setembro. Merece ser lido e divulgado. Acho que merece também ser debatido e tomado como roteiro, guia, talvez como programa nesta fase inicial do movimento.

Além de ser assinado por três organizações combativas, é um texto curto, bem escrito e, principalmente, é propositivo, recomenda um conjunto claro e factível de medidas que precisam ser tomadas nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário contra a corrupção e pela democracia:

– no Executivo, a necessidade de maior transparência nas despesas por meio da imediata aplicação da Lei Complementar n. 131/2009, que obriga o poder público a disponibilizar suas despesas em tempo real; redução do número de cargos comissionados; aplicação da “Lei da Ficha Limpa aos candidatos a cargos comissionados;

– no Legislativo, a extinção das emendas individuais ao Orçamento, a redução do número de cargos em comissão, a aprovação do Projeto de Lei que aumenta a pena mínima pelo crime de corrupção de 2 para 4 anos, o fim do voto secreto em todas as matérias e uma reforma política profunda, extirpando velhas práticas danosas ao aperfeiçoamento democrático;

– no Judiciário, no Ministério Público e nas Polícias Judiciárias, no âmbito de suas respectivas competências, agilidade nos julgamentos de processos de corrupção e de improbidade administrativa e a conclusão de inquéritos relativos a crimes de corrupção por constituírem sólida barreira à impunidade, bem como o imediato julgamento da ADC sobre a Lei Complementar n. 135/2010 (Ficha Limpa).

3 – Quem quiser, leve o seu partido e sindicato no coração

Os manifestantes do 7 de Setembro em Brasília fizeram muito bem em não permitir bandeiras e camisetas de partidos e sindicatos. O movimento “Todos Juntos Contra a Corrupção”, do Rio, também preconiza isso.

Entendo que a mobilização contra a corrupção não é contra a política. Acho que o texto de Brecht sobre o analfabeto político cabe como uma luva para o Brasil de hoje. É da ignorância política que nasce o político corrupto, “o pior de todos os bandidos”.

Quando o povo perde a confiança na política, os corruptos e os totalitários ficam à vontade no poder, se reproduzem e se perpetuam. Os corruptos desmoralizam a política e a democracia para continuarem no poder. Nós queremos mais democracia para tirá-los do poder.

Não concordo com a idéia de que todos os políticos são corruptos, mas o movimento contra a corrupção tem de continuar sendo apartidário. Quem quiser participar é bem-vindo, mas leve o seu partido e o seu sindicato somente no coração.

Todos juntos contra a corrupção: dia 20, na Cinelândia, Rio. Vamos lá!

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