Três procuradores deixam Lava Jato em protesto contra interferência da Procuradoria

Força-tarefa da Lava Jato no PR aciona corregedoria após auxiliar ...

Equipe da Lava Jato não forneceu informações sigilosas

Camila Bomfim e Márcio Falcão
 TV Globo — Brasília

Três procuradores decidiram deixar o grupo da Operação Lava Jato na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, devido a uma divergência da PGR com a força-tarefa da operação no Paraná. Duas fontes confirmaram à TV Globo que a saída dos três é uma reação ao pedido da coordenadora da Lava Jato na PGR, subprocuradora Lindora Maria Araújo, de acesso a dados das forças-tarefas da operação nos estados.

Os procuradores que decidiram deixar os cargos no grupo são Hebert Reis Mesquita, Victor Riccely Lins Santos e Luana Macedo Vargas. Permaneceram no grupo a própria Lindora Araújo, além de Alessandro José Fernandes de Oliveira e Leonardo Sampaio de Almeida. Uma quarta procuradora, Maria Clara Noleto, também deixou a Lava Jato na PGR, mas no início deste mês, também por divergências.

NOTA DE MORO – Neste sábado, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro divulgou a seguinte nota sobre o assunto: “Aparentemente, pretende-se investigar a Operação Lava Jato em Curitiba. Não há nada para esconder nas investigações, embora essa intenção cause estranheza. Registro minha solidariedade aos procuradores competentes que preferiram deixar seus postos em Brasília.”

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná levou o caso à Corregedoria Nacional do Ministério Público Federal. Relatou que nas últimas quarta (24) e quinta-feira (25), Lindora Maria Araújo fez uma visita ao grupo do Paraná e tentou obter informações sigilosas.

Segundo o relato dos procuradores, a chefe da Lava Jato na PGR buscou acesso a procedimentos e bases de dados da força-tarefa “sem prestar informações” sobre a existência de um processo formal no qual o pedido se baseava ou o objetivo pretendido. O pedido de providências à corregedoria, dizem os procuradores do Paraná, foi feito “como medida de cautela” e “para prevenir responsabilidades”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A coisa está feia. Depois que o presidente Bolsonaro forçou o então ministro Sérgio Moro a se demitir em protesto contra interferência em investigações sigilosas, parece que esse procedimento totalmente fora de ética virou uma rotina, para esculhambar o trabalho de três instituições que orgulham o país e criaram a Lava Jato – o Ministério Público Federal, a Receita e a Polícia Federal. É uma vergonha o que está acontecendo. A TI estará sempre solidária com a Lava Jato e seus notáveis profissionais. Os governantes sem caráter passam, mas as instituições permanecem. (C.N.)

5 thoughts on “Três procuradores deixam Lava Jato em protesto contra interferência da Procuradoria

  1. A Subprocuradora teria, em Curitiba, indagado:
    – se Moro será candidato em 2022
    E reclamado do uso de máscaras pelos integrantes de Curitiba

    https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2020/06/27/estamos-em-uma-guerra-diz-integrante-da-lava-jato-sobre-movimentos-da-pgr

    Vemos que não somente com o aparelhamento com vistas ao uso político da Polícia Federal temos que nos preocupar não.

    Também a PGR. O Presidente Bolsonaro colocou o PGR Augusto Aras para atuar em seu favor e agir como pessoa interposta na Instituição e alimentá-lo com fluxo de informações mesmo sigilosas.

  2. Os Ministérios Públicos, as polícias Federal e Civis tem equipamentos de interceptação.

    Quanto aos MP’s, tem decidido pelo CNMP pela possibilidade de aquisição própria de sistemas de interceptação -o órgão regulou o uso através de resolução e, além do controle Judicial, também fiscaliza em correições ordinárias e extraordinárias.

    Mas não só esses órgãos.

    Haveria Polícias Militares que adquiriram (sob ato de contratação secreta) o sistema – o que é grave.

    (Veja uma notícia)
    http://www.mt.gov.br/-/6429515-pm-instaura-inquerito-para-apurar-conduta-de-policiais-em-suspeita-de-grampos-ilegais

    E não para por aí. Pasme. Mas alguns órgãos do Poder Legislativo também teriam adquirido.

    • Acho que existe equipamentos demais de interceptação com órgãos públicos.
      Muitos outros ainda (como Abin, Procuradorias dos Estados, e as FFAA podem ser que tenham adquirido ilegalmente.

      A interceptação clandestina pode subsidiar dossiês cujas informações são usadas contra inimigos políticos e ideológicos.

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