Tribunal de Minas suspende compra de carros mais caros e luxuosos

Angélica Diniz
O Tempo

Menos de dois anos após gastar R$ 2,6 milhões em automóveis para uso de desembargadores e membros da diretoria, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) preparou nova compra de 86 veículos para substituir parte da frota utilizada pelos magistrados. O custo seria de R$ 6,2 milhões dos cofres públicos para a aquisição de modelos mais caros e luxuosos. Hoje, a frota total do órgão possui 588 veículos. Existem 128 desembargadores atuando no Estado e 202 carros à disposição da categoria. Cada um deles possui um veículo com motorista da Corte.

No final de 2013, o TJMG homologou a licitação nº 148 para a compra de 57 automóveis, sendo 52 do modelo Cobalt 1.8 LTZ, com preço de R$ 44,1 mil cada unidade, para desembargadores, e outros cinco modelo Cruze 1.8 16 V LT a R$ 65,3 mil cada um, para os cinco membros da diretoria da Corte. A compra foi efetuada no ano passado.

DESCONTENTAMENTO

Os carros adquiridos em 2014 não teriam agradado os magistrados, segundo afirmaram funcionários do TJ ouvidos por O Tempo, que pediram anonimato. “Ouvimos o tempo todo alguns desembargadores reclamarem dos Cobalts e se recusarem a usa-los”, denunciou um servidor, que ressaltou o fato de dezenas deles estarem parados, até nesta quarta, nos pátios e estacionamentos do tribunal. Um dos servidores conseguiu tirar uma foto dos carros sem uso. Após a reportagem iniciar a apuração, o servidor disse que todos os veículos foram retirados nesta quinta “às pressas” do local.

Seria por esse descontentamento com os modelos mais simples que duas licitações foram homologadas este ano, as de números 79 e 86, indicando a intenção do TJMG em adquirir 86 veículos ainda mais luxuosos até o início de 2016. Esses carros sairão a R$ 6,2 milhões e têm custo unitário mais alto que os recém-comprados. De acordo com a primeira licitação, são 80 unidades de transporte institucional (desembargadores) modelo Fluence Dynamique 2.0, da Renault, que venceu a licitação, a um custo de R$ 68.750 cada um, totalizando R$ 5,5 milhões.

“FUGA” MAIS RÁPIDA

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por meio de sua assessoria, explicou que o uso de veículos de categoria superior (representação e institucional) é privativo dos desembargadores, integrantes da Corte. “Este tipo de veículo oferece mais segurança e, por possuir um motor mais potente, possibilita fugas e retomadas de velocidade em caso de emergência”, diz a nota enviada à reportagem.

Já a segunda licitação, de nº 86, foi vencida pela Asap Comercial Ltda. e contempla a aquisição de seis Ford Fusions da linha Titanium Ecoobost, a R$ 121 mil cada um, utilizados pela diretoria da Corte. Alguns itens exigidos no edital são câmbio automático, no mínimo cinco marchas, rádio com entrada para CD, MP3 player; bancos revestidos de couro, computador de bordo, dentre outras especificações.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem de O tempo teve tamanha repercussão que o Tribunal cancelou a compra. A matéria foi enviada por Wilson Baptista Jr., que fez o seguinte comentário: “Além de auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-educação e sei lá mais o que, agora o TJ de Minas troca sua frota de carros por veículos mais luxuosos com as justificativas mais pífias. As justificativas das especificações para os carros do “alto escalão” são uma afronta. Pelo menos eles reconhecem que daqui a pouco os juízes também terão que acelerar em fuga do povo furioso”. O comentarista tem toda razão. O Brasil é um país pobre com autoridades ricas, que se deixaram dominar pela desfaçatez. (C.N.)

16 thoughts on “Tribunal de Minas suspende compra de carros mais caros e luxuosos

  1. x
    x
    x
    x
    Estratificação social brasileira segundo a ABEP:

    Unidades da Federação/Rendimento nominal mensal domiciliar per capita/Estrato Social segundo a ABEP
    ———————————————————————————————————————————Brasil………………………….R$1.052,00…………………….pobre, mas não extremamente pobre
    ———————————————————————————————————————————
    Rondônia…………..…………R$762,00……………………….extremamente pobre
    Acre………………………..……R$670,00……………………….extremamente pobre
    Amazonas……………………..R$739,00……………………….extremamente pobre
    Roraima………………………..R$871,00………….…………….pobre, mas não extremamente pobre
    Pará……………………………..R$631,00……………………….extremamente pobre
    Amapá………………………….R$753,00……………………….extremamente pobre
    Tocantins………………………R$765,00……………………….extremamente pobre
    Maranhão……………………..R$461,00……………………….extremamente pobre
    Piauí…………………………….R$659,00……………………….extremamente pobre
    Ceará……………………………R$616,00……………………….extremamente pobre
    Rio Grande do Norte……..R$695,00……………………….extremamente pobre
    Paraíba…………………………R$682,00……………………….extremamente pobre
    Pernambuco…………………R$802,00……………………….extremamente pobre
    Alagoas…………………………R$604,00……………………….extremamente pobre
    Sergipe…………………………R$758,00……………………….extremamente pobre
    Bahia……………………………R$697,00……………………….extremamente pobre
    Minas Gerais…………………R$1.049,00……………….…….pobre, mas não extremamente pobre
    Espírito Santo………………..R$1.052,00……………….…….pobre, mas não extremamente pobre
    Rio de Janeiro…………..……R$1.193,00…………….………vulnerável
    São Paulo………………….…..R$1.432,00…………….………vulnerável
    Paraná……………………..……R$1.210,00…………….……….vulnerável
    Santa Catarina……………….R$1.245,00…………….……….vulnerável
    Rio Grande do Sul………….R$1.318,00…………….……….vulnerável
    Mato Grosso do Sul………..R$1.053,00…………….……….pobre, mas não extremamente pobre
    Mato Grosso………………….R$1.032,00…………….………..pobre, mas não extremamente pobre
    Goiás……………………….…..R$1.031,00……………………..pobre, mas não extremamente pobre
    Distrito Federal………………R$2.055,00……………………..baixa classe média
    ——————————————————————————————————————————-
    Fonte:IBGE – PNAD Contínua 2014 / ABEP.

    Critérios da ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa):

    – Renda média familiar até R$854,00 é considerado extremamente pobre;
    – Renda média familiar de R$854,01 até R$1.113,00 é considerado pobre, mas não extremamente pobre;
    – Renda média familiar de R$1.113,01 até R$1.484,00 é considerado vulnerável;
    – Renda média familiar de R$1.484,01 até R$2.674,00 é considerado baixa classe média;
    – Renda média familiar de R$2.674,01 até R$4.681,00 é considerado média classe média;
    – Renda média familiar de R$4.681,01 até R$9.897,00 é considerado alta classe média;
    -Renda média familiar de R$9.897,01 até R$17.434,00 é considerado baixa classe alta;
    – Renda média familiar acima de R$17.434,00 é considerado alta classe alta.

  2. Essa ‘brincadeira’ dos poderes está levando o país para um sério beco institucional…
    Ontem parei em um bar, tipo pé sujo, perto de casa e encontrei um rapaz, que vive de biscates, conversando com outro e fulo da vida. A financeira levou o seu Fiat 2004, pois ele deixou de pagar 3 prestações , ele não se conformava com isso e de terem devolvido os carrões do Collor.
    Nós ainda entendemos os meandros da ‘justiça’ mas vai explicar para um cara do povão. O elástico está esticado até o último….

  3. Onde impera a cafagestagem, pouco importa a moral, a ética e a penúria do Estado. Que se dane o povo, desde que pague esdrúxulos impostos para sustentar mordomias. Saúde, educação, segurança prá quê? Farinha pouca, meu pirão primeiro. E os ditos cujos sequer se envergonham. Podem acreditar: vão voltar à carga; é só dar mais um tempinho e, considerando que a mídia esquece rápido, os novos carrões comporão a frota dos magnânimos servidores da cega justiça – cega no pior sentido.

  4. Independente de qualquer aspecto legal a respeito de os desembargadores mineiros poderem trafegar em veículos de luxo, pagos pelo contribuinte, evidentemente, a questão que salta aos olhos, pelo menos aos meus, diz respeito à igualdade das pessoas, que os representantes do Poder Judiciário ignoram solenemente.
    Em outras palavras:
    Os senhores desembargadores ganham altas remunerações e auxílios financeiros acoplados aos seus ganhos mensais, então por que precisam que o exaurido povo brasileiro e padecendo pela insuportável carga tributária que o governo lhe exige pagar, ainda tem de patrocinar veículos diferenciados para os desembargadores?!
    Quanta falta de bom senso e sensibilidade, convenhamos.
    Mas é justamente manifestação deste tipo, de absoluta despreocupação com a situação do povo, se está bem ou mal, que os poderes são tão criticados, surgindo um divorciamento com a cidadania brasileira que se vê abandonada e explorada de todas as formas, inclusive por aqueles que, surpreendentemente, deveriam distribuir justiça e não aumentarem as diferenças sociais ou prerrogativas especiais!

    • Bendl, boa tarde.
      Essas ‘instuições’ não tem limites. O tio da minha esposa é desembargador aposentado do TJ/SP e um cara extremamente sério. Sabe que ele era mal visto por alguns de seus pares, por ser um impar e não usar o carro do TJ ?
      Por incrível que possa parecer quem é sério no Brasil é tratado como se fosse um marciano, causa estranheza…

      • Virgílio, boa tarde,
        Justamente em face dessas dificuldades que um homem probo convive com seus pares, que o veem como impertinente ou de não ser um colega “confiável”, que tenho afirmado que não há como existir no Congresso Nacional porque de outra estirpe que um Tribunal de Justiça, algum parlamentar sério, correto, decente.
        O meio faz o homem, diz a frase, ainda mais se este ambiente (o Congresso) é somente de corrupção e desonestidade, além de somente funcionar dessa maneira, através de atos ilícitos.
        A se lamentar, que esta prática de se abusar do povo brasileiro, e de aproveitar da autoridade de uma categoria, que o Poder judiciário queira se igualar ao Legislativo, ocasionando que está rapidamente perdendo o bom conceito que usufruía de seriedade junto à população.
        Ora, bolas, será que não há mais decência em nenhum dos poderes?
        Todos, sem exceção, querem se aproveitar da situação para benefícios pessoais?
        Será que a moral e a ética foram de fato abolidas entre os poderes, valendo tão somente os nababescos proventos e regalias, indiferente da forma como obtidos?
        Olha, Virgílio, encaminhamo-nos céleres para uma anarquia institucionalizada, além da corrupção e desonestidade instituídas, que, certamente, sérios e graves problemas irá causar na relação povo e poderes, diante dessas demonstrações inequívocas de vantagens e proteções que os poderes se outorgam em detrimento de uma população cada vez mais à mercê das circunstâncias e de momentos, que vão de encontro à ordem moral que deveria estar valendo principalmente para os homens que julgam comportamentos alheios, e que se acham acima de qualquer suspeita ou imunes a críticas.
        Ledo engano.
        Como diz o ditado, “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
        Um abraço, Virgílio.

  5. O povo brasileiro tem que tomar as rédeas deste País e colocar para fora esta turma que quer sómente se dar bem. Para eles, sejam do Executivo, Legislativo ou Judiciário querem que o povo se exploda. Há excessões é claro, mas a grande maioria das nossas autoridades só querem se dar bem. A conta alta dos erros deles só mandam para o Povo Brasileiro. TODOS AS RUAS DO BRASIL NO DIA 15 DE NOVEMBRO PARA MOSTRAR QUE ESTAMOS INDIGNADOS COM A FALTA DE RESPEITO QUE ELES TEM POR TODOS NÓS.

  6. No Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro os magistrados, além de terem diversos auxílios, receberam 17% de aumento nos seus vencimentos, enquanto que os serventuários, caso os deputados aprovem na ALERJ, receberão apenas 5%, conforme política de reajuste imposta pelo desgovernador Pezão e sua trupe.

Deixe um comentário para virgilio tamberlini Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *