Triste paisagem na política

Tereza Cruvinel (Correio Braziliense)

Os políticos estavam em franca movimentação de tropas para a disputa eleitoral de 2014 quando o povo entrou em cena. As manifestações produziram, entre tantos outros efeitos, a suspensão daqueles ensaios. Agora, as massas refluíram e ficaram nas ruas apenas os grupos radicais e os vândalos. E, com isso, os partidos voltaram a testar suas armas. No Congresso, trocam denúncias, armam CPIs, empinam fatos e factoides. Dizendo querer apenas governar, a presidente Dilma Rousseff retoma a agenda de lançamentos e inaugurações.

As CPIs virão, não exatamente para apurar o que já está sendo investigado, mas para servirem de ribalta. PT e aliados preparam o sinal verde, no Senado, para a instalação de uma CPI mista do cartel dos transportes paulistas sobre trilhos, na era tucana, que na Câmara entraria em uma longa fila. Tucanos e satélites da oposição tentam responder com a CPI da Petrobrás, que o PMDB inventou para pressionar o Governo, e na qual pode agora tornar-se alvo, a partir das denúncias de que um diretor ligado ao partido pilotou ali um caixa dois de campanha.

E, no mesmo dia em que o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, reafirma em Brasília que a espionagem universal vai continuar, para segurança dos americanos e de todo o mundo, os senadores resolvem também instalar a CPI da Espionagem. O que vão investigar, ninguém sabe, mas algum barulho se fará.

TROCA DE ACUSAÇÕES

Apesar dos temas complexos que estão na agenda legislativa, o Senado deu-se ao luxo de dedicar toda uma tarde à troca de acusações entre os pares. Treze deles se sublevaram, em apoio aos senadores Randolfe Rodrigues e João Capiberipe: acusados de terem participado de um certo “mensalão do Amapá”. Já foram inocentados pela Procuradoria Geral da República mas, no Conselho de Ética da Casa, o processo continua aberto, permitindo que sejam atacados e caluniados no estado. Isso foi contado com discursos exaltados, que produziram réplicas não menos acaloradas.

Os campos opostos trocam chumbo e, ao mesmo tempo, guerrilham internamente. No PSDB, os serristas, que haviam se recolhido, agora ressurgem contestando a escolha praticamente certa do senador Aecio Neves como candidato a presidente. Dificilmente, reverterão o fato consumado pela unidade partidária em torno do ex-governador de Minas. O fogo amigo ajuda o outro lado, que começa a superar o mau momento imposto pelos fatos de junho. Na base governista, enquanto isso, prosseguem os conflitos com o Planalto, em torno do orçamento impositivo.

Estas pequenezas, somadas aos desatinos desnecessários, como o uso de verba oficial para abastecer jatinhos, é que derrubam a aprovação do Congresso e o mantém na mira dos protestos. Que arrefeceram mas não sumiram, ainda, da paisagem.

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