Tucanos comandando a economia do PT? Isso não é novidade

Meirelles conduzia a economia e Lula aceitava…

Carlos Newton

O mundo gira e hoje poucos lembram que, na primeira eleição de Lula, houve um enorme desespero diante da chamada “reação do mercado”. Surgiu, então, a “Carta aos Brasileiros”, escrita por José Dirceu e um grupo de colaboradores com objetivo de acalmar banqueiros, empresários e investidores nacionais e estrangeiros.

Mas o que realmente acalmou o mercado foi a nomeação do médico sanitarista e ex-prefeito Antonio Palocci para o Ministério da Fazenda e do deputado eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO) para presidir o Banco Central.

Durante a “fase de transição”, Palocci teve oportunidade de mostrar sua maneabilidade (digamos assim) aos grandes capitalistas. Sua vocação de “consultor de empresas” já se fazia presente e ele foi consagrado como “confiável”, digamos assim.

Quanto a Meirelles, seu nome surgiu por indicação de Aloizio Mercadante, que havia trabalhado com ele no BankBoston. Para a Secretaria do Tesouro, Meirelles então indicou o tucano Joaquim Levy, que na segunda gestão de FHC, era economista-chefe do Ministério do Planejamento.

Prazerosamente, Palocci se colocou inteiramente “à disposição” do mercado. Portanto, para o PT, na equipe econômica sobrou apenas o Ministério do Planejamento, que não fede nem cheira, pois nada decide de importância, e o obediente Guido Mantega ficou estacionado lá.

Lula não tinha alternativa e concordou, assumindo um governo que era uma espécie de Hidra de apenas duas cabeças — uma administrativa (do PT) e a outra financeira (do PSDB). O mercado então sossegou, o dólar começou a cair e o governo foi em frente.

A HIDRA DEU CERTO

Esta estranha composição PT/PSDB deu absolutamente certo. Lula sabia transmitir esperança e otimismo a todos, o panorama internacional estava favorável, o preço das commodities subiu, puxado pelo efeito China, e o PIB foi crescendo, inflando a arrecadação federal. O Brasil parecia estar “no melhor dos mundos”, como dizia o professor Pangloss a seu discípulo Cândido, na genial criação de Voltaire.

Quando Lula entregou o governo em 2010, o PIB havia subido espantosos 7,5% naquele ano. Mas a sucessora Dilma Rousseff era uma espécie de Lula pelo avesso. Não tinha carisma, não sabia transmitir esperança ou otimismo e possuía um gravíssimo defeito — julgava entender de economia, por ter conseguido se formar na UFRS em 1977.

Dilma tinha tanta ânsia de demonstrar conhecimento em Economia que sua biografia oficial, no site da Casa Civil, informava erroneamente que ela era “mestre em Teoria Econômica pela Unicamp” e também “doutoranda em Economia Monetária e Financeira” pela mesma universidade. E no site da Plataforma Lattes, que abriga currículos, Dilma estava identificada como “mestra“, com título obtido em 1979, e “doutoranda em Ciências Sociais Aplicadas” desde 1998. Mas era tudo mentira.

A FARSA DE DILMA

Quando a farsa foi descoberta, Dilma deu a seguinte declaração: “Fiz o curso de mestrado, mas não o concluí e não fiz dissertação. Foi por isso que voltei à universidade para fazer o doutorado. E aí eu virei ministra e não concluí o doutorado“.

Foi patético, porque imediatamente a Universidade de Campinas informou que ela nunca se matriculou no mestrado. E o pior é que ninguém pode fazer doutorado sem antes fazer mestrado.

Quando Dilma assumiu, o obediente Mantega já estava na Fazenda desde março de 2006, quando Palocci foi derrubado pelo caseiro Francenildo. Dilma teve de mantê-lo, por ordem de Lula, mas conseguiu demitir Meirelles. Foi seu maior erro, porque era justamente Meirelles quem orientava Mantega. Dilma, porém, se julgava candidata ao Oscar e decidiu ela própria conduzir a economia, ou seja, conduzir Mantega, que simplesmente a obedecia sem jamais discordar.

UM FRACASSO ABSOLUTO

O resultado aí está. De 7,5% caímos para PIB zero, o país está devagar, quase parando, com uma presidente sem a menor credibilidade, que mostrou inacreditável despreparo nos debates da TV. Ora, se ela não consegue raciocinar direto nem concluir frases, como pode pretender conduzir a economia de um país complexo como o Brasil?

A solução de momento foi ouvir Lula e aceitar novamente a Hidra de duas cabeças — uma administrativa (PT) e a outra, financeira (PSDB). É o famoso jeitinho brasileiro, em versão política. Se vai funcionar novamente, só depende de Dilma Rousseff. Basta que ela não atrapalhe. Mas já está atrapalhando, com a alta dos juros, que elevam a dívida, e com novo repasse de R$ 30 bilhões ao BNDES, mediante emissão de títulos.

Dilma deveria ficar à vontade lá no Alvorada, brincando com o neto e se dedicando a coisas que realmente saiba fazer.

11 thoughts on “Tucanos comandando a economia do PT? Isso não é novidade

  1. Olha… é exatamente isso.

    Quando Lula ganhou as eleições em 2002 fez o mercado reagir com temor e até a inflação naquele ano, POR CAUSA DA EXPECTATIVA DE LULA PRESIDIR O BRASIL, subiu para cima de 12% a.a. Coisa que os petistas usam para dizer erroneamente que a inflação fugiu do controle de FHC.

    Logo depois, com a manutenção das políticas econômicas estabelecidas no governo de FHC, no governo Lula, pudemos constatar os benefícios do crescimento econômico e os efeitos de sustentação da política de valorização salarial iniciados no governo de FHC. Apesar de haver congelamento dos salários do funcionalismo público, a política de ganhos reais do salário mínimo, ali fora lançada.

    Dilma iniciou muito bem, incluindo a derrubada histórica da taxa básica de juros – a SELIC. Mas, já em meados de 2012 sinalizou para outro caminho – o caminho da anarquia, do descontrole dos gastos públicos, da utilização da máquina pública como instrumento de manutenção e dominação política -, com o abandono, necessário é claro, da rigidez e austeridade da política fiscal.

    Aliás, o descontrole só faz aumentar – cada vez mais -, exigindo doses cada vez maiores de criatividade na justificação. Começou com afirmativas superficiais. Depois contabilidade criativa e afirmações mentirosas. Por último estamos vendo, além de mentiras e sinalizações ambíguas para o mercado e a economia, a movimentação em torno da modificação das leis para que o país se adapte à sua maneira de governar. Custe o que custar.

    Já dissemos aqui e vamos repetir a única verdade dita pelo então ministro da fazenda – Guido Mantega -, que afirmou que “Dilma manterá a sua política econômica até às últimas consequências”.

    Foi a única verdade que esse ministro falou nos últimos quatro anos.

    O Brasil caminha para o mesmo processo de calote verificado na Venezuela sob o comando de Maduro, e a Argentina sob o comando de Kirchner.

    Todos sob a batuta do Foro de São Paulo.

    O país será dobrado ao meio quantas vezes forem necessárias para esse grupo político amoldá-lo segundo a sua conveniência.

    E cala a boca e fica quietinho. Quem manda nesta meda aqui é o Lula, Fidel e o Foro de São Paulo.

  2. É significativo lembrar que os “espantosos” 7,5% de crescimento em 2010 foram os causadores da metástase que se instalou no copro financeiro do país.
    Naquele ano eleitoral, dom lula, para eleger “sua” poste, inundou o mercado com 1,59 bilhão de ações preferenciais e 2,17 bilhões de papeis ordinários da PTrobras, uma operação que foi considerada como a maior do tipo da história no mundo em valor.
    O povaréu crédulo e os “incautos” fundos de pensão compraram este mar de ações que valiam cerca de R$ 40,00. Hoje valem R$12,00… Era a cenoura do pré-sal pendurada na frente do burro.
    Além disso foi feita uma enorme oferta pública de ações do Banco do Brasil, o BNDES e seus empréstimos ponte bombaram, e a distribuição de din-din à la Silvio Santos através de bolsas e subsídios deu o toque final ao novo milagre econômico estilo Médici.
    Não foi um crescimento com fundamentos do tipo produtividade, educação, infraestrutura, etc. Foi aventura econômica eleitoreira.
    E dona poste era chefa da Casa Civil, portanto sabia onde estava pisando.

  3. Cada dia me sinto mais envergonhado com o meu país.
    Está confirmado: o país vive uma ditadura sob o comando do Foro de São Paulo.
    E tem mais, em 2018 Lula se tiver vivo, volta a governar o país.Passa oito anos, depois cria outro poste tipo Dilma que também se reeleger completando um ciclo de 32 anos , ou mais.
    Muitos que comentam por aqui, já estarão sob sete palmos e, as novas gerações de comunistas, aplaudindo os heróis petistas sob o comando, quem sabe, do prefeito de São Paulo.
    Quem for vivo verá!

  4. Mas há grande diferença entre Economistas Tucanos comandando a Economia Tucana, especialmente no Governo FHC II ( Recessão, Desemprego, Desânimo, 3 socorros do FMI, Inflação alta com grande barbeiragem na Política Monetária – muito apertada, Política Fiscal- Deficitária, Política Salarial- Arrocho, e principalmente Política Cambial totalmente errada com Híper-Valorização do Câmbio ou seja Real a “uno X uno com o US$ Dollar”.
    Já os mesmos Economistas Tucanos comandando a Economia Presid. LULA/JOSÉ ALENCAR, fizeram um Trabalho muito melhor, (crescimento médio do PIB em 4,5%aa, Desemprego Baixo, aumento do Investimento, Valorização Salarial, o Sr. HENRIQUE MEIRELLES no Banco Central evitou completamente a contaminação de nosso Sistema Monetário com os DERIVATIVOS quando se estava inflando a Bolha nos EUA que estourou em 2008, chamada bomba de Neutros de retardo pelo Sr. WARREN BUFFETT. Também fizeram barbeiragem na Política Cambial, valorizando demais o Câmbio, mas menos que no período Presidente FHC II.
    No Governo DILMA I, ela que tem a Teoria Econômica mas não tinha a PRÁTICA, como bem diz nosso Editor/Moderador Sr. CARLOS NEWTON, tentou fazer a Economia “pegar no tranco”, reduzindo o Juro Básico SELIC a INFLAÇÃO + Spread de 2%aa, chegando a 7,25%aa, reduziu o Custo da Energia Elétrica, Residencial em 30% e Industrial em 35%, desonerou Folhas de Pagamento, congelou Custo de Gasolina/Diesel, outras Tarifas Públicas, etc, e depois de tudo isso, constatou que em vez da Economia voltar a crescer forte, só causou INSTABILIDADE nos Mercados. Ela baseada na Teoria, levou com mão forte o cavalo até a beira do rio, mas não conseguiu fazê-lo beber. É que para fazer o cavalo beber, tem que ter PRÁTICA.
    Agora, mais experiente no Governo DILMA II, acatará as Diretrizes do Sr. JOAQUIM LEVY (futuro Ministro da Fazenda), Economista Ortodoxo de inspiração Tucana,que substituirá o bom e longevo, quase 9 anos, Sr. GUIDO MANTEGA, e depois de +- 2 anos de marcha-lenta para “Arrumar a Casa”, voltaremos a crescer forte novamente.

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