Tudo no Engenhão tem que ser examinado, investigado, desvendado. Existe falha no projeto e na construção? Por que tão caro? Aproveitando, por que entregar o Maracanã a Eike Batista? Seu poder vai do Aterro do Flamengo à Praça da Bandeira?

Helio Fernandes

Agora o problema se complicou, se agravou, foi revelada a possibilidade da tragédia. Começarei pelo fim: o prefeito e o secretário revelaram que “desde 2009, com ventos de 60 km, poderia haver queda da cobertura”. Ninguém sabia de nada, tudo foi escondido.

Milhares de torcedores em risco

Acrescentaram as mesmas autoridades: “Por causa dessa expectativa, não autorizávamos jogos quando podiam soprar ventos dessa velocidade”. Não informaram o público. O Botafogo não tem a menor culpa. Antecipadamente cancelavam jogos. E se os ventos de 60 km começassem, com o estádio já cheio.

AGORA, OS ERROS TÉCNICOS
DE PROJETO E EXECUÇÃO

Nas palavras do próprio prefeito, pode ter havido erro de projeto ou de execução, ou os dois. Pediram confirmação a uma empresa respeitada da Alemanha, aí sentiram a gravidade material, além do perigo a que submeteram, insensatamente, os milhares de pessoas que frequentam o Engenhão.

Por que entregaram a obra à construtora Delta, “queridinha” do Rio, pelo visto não apenas do governador, mas também do prefeito. Desistiu, ou melhor, abandonou a obra. Foram contratadas então duas empreiteiras construtoras, dessas que viajam com Lula (mas isso é outra história, embora com a mesma gravidade).

Pelo que se depreende, não pelo que se sabe, o Engenhão ficará fechado por tempo indeterminado. Mais prejuízos para os clubes, que não têm onde jogar. É preciso apurar o responsável desde o início até agora, explicar como tudo aconteceu, e por que custou tão caro. O Ministério Público tem que agir imediatamente.

POR QUE ENTREGAR
O MARACANÃ A IKE BATISTA?

Depois de duas reformas quase seguidas, de 400 milhões cada uma, o estádio símbolo do Rio está terminando, cada vez mais lentamente. E isso ao custo de quase 1 bilhão de reais. E já preparam, às escondidas, a entrega imediata de tudo ao bilionário aventureiro.

Fluminense e Flamengo já fizeram acordo para administrar, em conjunto, aquele que já foi o maior estádio do mundo. Encontram dificuldades, a proteção a Eike é total.

Deveríamos seguir a fórmula de Milão. Há mais de 50 anos a Prefeitura construiu o estádio, entregou aos dois grandes clubes da cidade, Inter e Milan. A prefeitura fiscaliza de longe, nunca houve problema.

GAROTINHO NÃO É
CANDIDATO A GOVERNADOR?

No Estado parece que só existem dois candidatos: Pezão e Lindbergh. E Garotinho? Já foi governador, elegeu a mulher, disputou a Presidência, teve 15 milhões de votos. Não aparece nos jornais ou televisões, por quê? Isso não é elogio, é juízo de valor eleitoral.

O que Pezão já disputou junto ao povo? Lindbergh obteve tudo pelo voto.

FELICIANO PEDIU
APOIO A RENAN

Não foi inspiração e sim realidade e objetividade. O presidente disse a ele: “Resista, não se entregue”. Além de muita coisa em comum, os dois respondem a ações no Supremo por corrupção e estelionato.

EM 48 HORAS, ALCKMIN APOIA
E VETA AÉCIO NEVES

Com todos ou tantos em campanha nacional e estadual para 2014 e 2018, acontecem esses transtornos ou desvios de rumos. Ontem examinei a declaração de Alckmin apoiando o nome do ex-governador de Minas para presidente do PSDB, e lógico, candidato a presidente. No dia seguinte, mudou a caminhada, tenho que fazer ou refazer a análise.

Na Medicina, o anestesista é cada vez mais importante, embora não necessariamente brilhante. Geraldo Alckmin é anestesista. Não fosse Covas e as “conveniências” constitucionais, Alckmin não teria chegado onde chegou. Mas quer mais. Daí a reviravolta de um dia para o outro.

Como governador do maior estado da Federação, se rendeu à exigência de unidade partidária, apoiou a candidatura Aécio, interna e externa. No mesmo dia recebeu um relatório assustador, de quatro laudas, com a conclusão que obrigou à mudança de posição.

INDISPENSÁVEL: O EX-GOVERNADOR
E O ATUAL, NO MESMO PALANQUE

Ficava claro: Serra não gostou do comportamento de Alckmin, e sem o aval de Serra não seria reeleito. Perderia para qualquer “poste” lançado e abastecido por Lula. A mudança de Alckmin tem a seguinte explicação ou projeto. Quer se compor com Serra (ainda não conversaram, Serra está convenientemente na Europa) para ir em frente.

Disputaria a reeleição em 2014, com Alberto Goldman na vice. Este, que já foi vice de Serra, seria seu representante ou indicaria outro nome. Como está com 60 anos, exatos, se fosse reeleito deixaria São Paulo com 65 anos, quase com 66, seria pela segunda vez presidenciável em 2018. “Justificável”. Aécio poderia ser presidente do PSDB, mas sem Serra e Alckmin (sem São Paulo) nem seria candidato.

O ENGRAÇADÍSSIMO GOVERNADOR
DE PERNAMBUCO

Foi ele, Eduardo Campos, que deu a largada para a corrida presidencial de 2014, revelando uma “confidência” de Dona Dilma. Agora, vivem pra lá e pra cá, trocando o que chamam de “farpas e alfinetadas”. É o que eu considero inútil, ridículo e infantilidade.

Depois do fotografadíssimo e televisado encontro dos dois em Pageú, a declaração textual do governador: “Se eu for candidato, é para ganhar, em 2014 e não em 2018”. Há!Ha!Ha!

Como sou analista e não adivinho nada (embora Carlos Lacerda tenha deixado escrito em livro “o Helio Fernardes adivinha”), examino o hoje e não o amanhã, vejo o presente, não esmiuço fatos que podem acontecer dentro de 6 anos. Lembrem que em 2010 eu dizia do princípio ao fim: “Serra não ganha”.

EXPECTATIVAS DE AGORA
E DO FUTURO

2014: Eduardo Campos pode até ser candidato a presidente. Como ainda é pouco conhecido, será uma forma de fazer campanha. Não é proibido. Se confirmar a candidatura, não ganha. E para maior clareza: não vai nem para segundo turno.

2018: ratificando o que eu disse, e contrariando Lacerda, 36 anos depois dele ter morrido. Se eu tratasse da sucessão presidencial 6 anos antes dela se realizar, estaria fazendo bobagem. Agora a análise é facílima, ninguém ganha do candidato do PT, no feminino ou no masculino.

Para 6 anos à frente, a dificuldade é evidente no PT. A candidata mulher estará inelegível, e o homem, com 72 para 73 anos. Mas Eduardo Campos perde para vários outros.

Pode até se lançar para 2018, mas contrariando a ele mesmo, para perder. Tirando Lula em 2006 e Dilma em 2010 e 2014, as outras eleições são todas de risco.

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