Tudo por dinheiro – este é o lema dos partidos políticos brasileiros. Vejam, por exemplo, o caso do PPS.

Carlos Newton

Como se sabe, o PPS vem a ser o antigo Partidão (Partido Comunista Brasileiro), que se desmembrou em vários outros, como PPS, PCdoB, PCB, PCO, PSTU etc. Todos eles, de uma forma ou outra, são derivados do velho Partidão de Luiz Carlos Prestes. Se essas legendas trabalhassem unidas, imaginem que grande partido não seria.

Mas hoje o que menos importa na política é a ideologia. O interesse maior é o fisiologismo, os cargos, o poder… e as comi$$õe$ por ele proporcionadas. O noticiário dos jornais torna cada vez mais transparente essa abominável realidade.

No plano nacional, o PPS, por exemplo, está na linha de frente da oposição ao governo Lula Rousseff. Mas em Brasília, surpreendentemente, o partido está coligado ao PT. Quem entende isso? E a adesão é acintosa: por 30 votos a apenas 5, o Diretório do PPS do Distrito Federal acaba de contrariar a direção nacional do partido e decidiu manter o apoio ao governo de Agnelo Queiroz (PT), alvejado pelas mais diferentes denúncias de corrupção e incompetência.

O deputado distrital e secretário de Justiça, Alírio Neto (PPS), pediu licença por um ano do partido, já prevendo uma possível intervenção da direção nacional.

E o mais incrível é que a suplente de Alírio, deputada distrital Luzia de Paula (PPS), indicada para participar da CPI da Arapongagem, que vai investigar escutas telefônicas ilegais no DF, deverá seguir a orientação da base governista na comissão parlamentar de inquérito. A CPI terá apenas um deputado da oposição: Celina Leão (PSD).

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), convocou  uma reunião do Diretório Nacional do PPS para o dia 8 de maio para discutir a possível intervenção. “A decisão (do diretório do DF) incomoda e provoca constrangimento ao partido”, comentou Freire, que defende o afastamento do partido do governo Agnelo.

A CPI deverá ser instalada, mas o líder do PT, Chico Vigilante, adianta que a bancada governista não permitirá a convocação do governador ou de secretérios do governo, além de rejeitar requerimentos que proponham o acesso a bancos de dados sigilosos.

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PSB E PSD FAZEM A MESMA COISA

A mesma incoerência se revela em relação ao PSB, que é da base aliada do governo federal, mas em São Paulo aderiu ao PSDB e ao PSD, apóia e participa do governo de Geraldo Alckmin e da administração municipal de Gilberto Kassab. Os diretórios estadual e municipal do PSB já até comunicaram à direção que pretendem apoiar a candidatura de Serra a prefeito da capital.

E o PSD, que é da base aliada da presidente Dilma Rousseff, também está firme no apoio a Serra, para não perder as benesses do poder na mais importante capital do país, que tem o terceiro maior orçamento da República.

Bem, como se percebe, a política brasileira virou uma espécie de programa de Silvio Santos, que desde o regime militar apoia o governo – qualquer governo. É mesmo “Tudo Por Dinheiro”, como diz o simpático e adesista apresentador-empresário.

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