Um amor à distância, na poesia viva de Cecília Meireles

A professora, jornalista e poeta carioca Cecília Meireles (1901-1964), no poema “De longe te hei de amar”, define que amar é sentir saudade e ter desejo é uma constante.

DE LONGE TE HEI DE AMAR
Cecília Meireles

De longe te hei de amar,
– da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo a constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.
                           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

6 thoughts on “Um amor à distância, na poesia viva de Cecília Meireles

  1. 1) Grande Cecília Meireles, ficou viúva duas vezes e fez da Poesia o seu barco de travessia nesta existência.

    2) Belo dia, disse: “A vida só é possível reinventada”. Penso que está na hora de reinventarmos o Brasil.

    3) A letra selecionada é música maviosa que encanta os nossos olhos e ouvidos.

    4) Licença: em 19 de julho de 1844, nasceu em Cantagalo, RJ, o escritor e jornalista José Carlos Rodrigues, autor entre outros de “Descobrimento do Brasil (1905)”.

    5) Fonte: BN, Agenda, 1993.

  2. Cecília Meireles

    “…Liberdade, essa palavra
    que o sonho humano alimenta
    que não há ninguém que explique
    e ninguém que não entenda…”

    (Romanceiro da Inconfidência)

    “eu canto porque o instante existe/e a minha vida está completa/Não sou alegre nem sou triste:/sou poeta”. Cecília Meireles

    “eu sou um poeta elegíaco!”. Cecília Meireles

  3. No passado, a família de Cecília Meireles (a filha, Maria Fernanda, acho) acusou Fagner – cantor e compositor cearense – de plágio.

    Creio, não lembro direito, que ficou tudo bem entre eles.
    E, se não me engano, a razão da discórdia foi exatamente esta: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa/ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta”.

    “Não sou alegre nem sou triste:/sou poeta” é lindo.

    • Fagner não precisava copiar nada. MUCURIPE, que fez parte de seu primeiro LP, demonstra isto.

      “As velas do Mucuripe
      Vão sair para pescar
      Vou levar a minha amada
      Pras águas fundas do mar

      Hoje à noite namorar
      Sem ter medo da saudade
      Sem vontade de casar

      Calça nova de riscado
      Paletó de linho branco
      Que até o mês passado
      Lá no campo ainda era flor

      Sob o meu chapéu quebrado
      O sorriso ingênuo e franco
      De um rapaz novo encantado
      Com 20 anos de amor

      Aquela estrela é dela
      Vida vento vela leva-me daqui”.

      Vi as jangadas irem pro mar em Fortaleza. Jangadas de ir e vir, como se dizia.

      Fagner foi muito feliz em Mucuripe.
      “Que até o mês passado
      lá no campo ainda era flor”

      é uma lindeza.

      Ouvi o LP até ele sumir. Tinha uma ajudante em casa, apaixonada pelo Antonio (não conheci), rapaz que trabalhava na sapataria longe daqui. Ela, como eu, gostava do disco.

      E eu gostava muito dessa ‘Dúdi’, como meu filho, ainda pequeno, a chamava. Cozinhava mal. Mas nos fez um bem enorme conviver com ela e partilhar suas histórias.

      Era gente, tinha sentimentos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *