Um ano depois

Carlos Chagas

Duas vezes, esta semana, a presidente Dilma declarou “o compromisso  inarredável com a continuidade do Bolsa Família”. Assim respondeu à sugestão do relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros, de cortar 10 bilhões de reais do programa como forma de enfrentar a crise econômica. Dá para acreditar?

Melhor deixar a promessa em suspenso, porque da reeleição até hoje, Madame descumpriu um monte de promessas eleitorais, a maior delas de que não reduziria os direitos trabalhistas. Reduziu, assim como cortou investimentos numa série de programas sociais.

A perda de credibilidade é tão nefasta para o governo quanto a perda de popularidade, ou melhor, uma é consequência da outra. Um ano depois de conquistar o segundo mandato, a presidente é outra. O Brasil também.  Fossem realizadas novas eleições neste segundo domingo de outubro e em vez de votos ela colheria rejeições.

Para permanecer no poder, Dilma “faria o diabo”. Fez. O resultado aí está: um governo envolto nas trevas do impeachment, condenado aos panelaços e demais manifestações de indignação nacional. Perdeu o apoio da opinião pública, da classe média, dos trabalhadores, do empresariado e da torcida do Flamengo. Obriga-se a desaparecer das concentrações populares e até das telinhas. Como alternativa, percorre o planeta. Depois da Suécia e da Finlândia, programa viagens ao Vietnã, França, Portugal e alhures.

SEM APOIO

Já entregou o ministério e não reconquistou o apoio do Congresso, mesmo distribuindo benesses, favores e sinecuras a deputados e senadores. Não dispõe da metade do PT e alimenta o PMDB como os imperadores romanos alimentavam os leões. Com três anos e dois meses pela frente, a pergunta é se vai aguentar. Além do desemprego em massa, do aumento de impostos, taxas e tarifas, do congelamento e até da redução dos salários e direitos sociais,  da elevação do custo de vida, da inflação e do corte de recursos para obras públicas, assiste o dia seguinte tornar-se sempre pior do que a véspera.

A sucessão de escândalos envolvendo ministros, líderes, dirigentes partidários de sua hoje esfrangalhada base política, além de funcionários públicos e empreiteiras, não deixa duvidas de que o Tiririca estava errado: fica pior, sim.

Jura a presidente que não renuncia. Dificilmente o Congresso aprovará o seu afastamento. Na melhor das hipóteses, o remédio é continuar sofrendo, ela e nós. Na pior será ver a indignação geral transformar-se em rebelião social  e na ruptura institucional.

QUANDO CHEGAR O QUARTO VOLUME

Só no primeiro volume de suas memórias o ex-presidente Fernando Henrique já perdeu um milhão de amigos e admiradores. Imagine-se quando o quarto volume chegar às livrarias. Não vai sobrar ninguém.

10 thoughts on “Um ano depois

    • Estimado Antonio Rocha … Bom dia, amigo!

      Não, de jeito nenhum Satã é o Deus da Nação Brasileira … está bem claro lá:

      http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm – “CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 … PREÂMBULO … Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”

      • 2 – http://tribunadainternet.com.br/o-derrotado-ja-tem-nome/#comment-179454 (agosto 27, 2014 4:08 pm) tem: “Afinal: por todos ou por muitos??? http://fratresinunum.com/2012/05/05/por-muitos-ou-por-todos-a-resposta-certa-e-a-primeira/

        http://tribunadainternet.com.br/o-derrotado-ja-tem-nome/#comment-182222 (setembro 7, 2014 11:14 am) tem: “Não adianta ficar esperando ofensas à Eucaristia, fuga do Papa e outros males … há coisa pior que mudar os ensinamentos de Jesus??? ??? ??? “Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, permanecereis também vós no Filho e no Pai. (I São João 2,24)” … há pior ofensa que mudar por muitos para por todos??? ??? ??? e feita exatamente pelos MINISTROS DE JESUS??? ??? ??? os que possuem a autoridade do ligar desligar???”

        Segue http://fratresinunum.com/2012/05/05/por-muitos-ou-por-todos-a-resposta-certa-e-a-primeira/: ““Por muitos” ou “por todos”? A resposta certa é a primeira. … Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com
        Cidade do Vaticano, 3 de maio de 2012 – As Igrejas de várias nações do mundo estão restaurando na Missa, uma após a outra, as palavras da consagração do cálice tiradas literalmente dos Evangelhos e usadas por séculos mas, nas últimas décadas, substituídas por uma tradução diferente.
        Enquanto o texto tradicional na versão latina original ainda diz: “Hic est enim calix sanguinis mei […] qui pro vobis et pro multis effundetur,” as novas fórmulas pós-conciliares leram no “pro multis” um imaginário “pro omnibus”. E, ao invés de “por muitos”, traduziram por “por todos”.
        Ainda no último período do pontificado de João Paulo II, algumas autoridades vaticanas, incluindo Joseph Ratzinger, tentaram renovar a fidelidade nas traduções ao “pro multis”. Mas sem sucesso.
        Bento XVI resolveu cuidar disso pessoalmente. Prova disso está na carta que ele escreveu no último dia 14 de abril aos bispos da Alemanha.
        O link para o texto completo da carta segue abaixo. Nela, Bento XVI resume as questões principais da controvérsia para melhor fundamentar sua decisão de restaurar a correta tradução do “pro multis”.
        Mas, para melhor compreender o contexto, vale lembrar aqui de alguns elementos.
        Em primeiro lugar, ao dirigir sua carta aos bispos da Alemanha, Bento XVI também deseja alcançar os bispos de outras regiões de língua alemã: Áustria, os Cantões Alemães na Suíça e o Tirol do Sul, na Itália.
        De fato, se na Alemanha, apesar da forte resistência, a conferência episcopal optou recentemente pela tradução do “pro multis” não mais com o “für alle”, por todos, mas com o “für viele”, por muitos, este não é o caso da Áustria.
        Tampouco é o caso da Itália. Em novembro de 2010, por votação, dos 187 bispos votantes, somente 11 escolheram o “per molti”. Uma maioria esmagadora votou a favor do “per tutti”, indiferentes às instruções do Vaticano. Um pouco antes, as conferências episcopais de 16 regiões italianas, com exceção da Ligúria, se pronunciaram pela retenção da fórmula “per tutti”.
        Em outras partes do mundo, estão retornando ao uso do “por muitos”: na América Latina, na Espanha, na Hungria, nos Estados Unidos. Frequentemente com desacordo e desobediência.
        Mas Bento XVI claramente deseja ver esta questão resolvida. Sem imposições, mas instando os bispos a preparar o clero e os fiéis, com uma catequese apropriada, para uma mudança que deve ocorrer inevitavelmente.
        Depois desta carta, fica fácil prever que o “per molti” também será restaurado nas Missas celebradas na Itália, apesar do voto contrário dos bispos em 2010.
        A nova versão do missal, aprovada pela conferência episcopal italiana, está atualmente sob o exame da Congregação para o Culto Divino. E, neste ponto, certamente será corrigida de acordo com as instruções papais.
        Um Segundo ponto diz respeito aos contínuos obstáculos encontrados pela tradução do “por muitos”.
        Até 2001, os proponentes de traduções mais “livres” dos textos litúrgicos apelavam a um documento de 1969 do “Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia”, cujo secretário era monsenhor Annibale Bugnini, um documento sem assinatura, estranhamente escrito [originalmente] em francês, comumente referido por suas primeiras palavras: “Comme le prévoit”.
        Em 2001, a Congregação para o Culto Divino publicou uma instrução, “Liturgiam Authenticam,” para a correta implementação da reforma litúrgica conciliar. O texto, datado de 28 de março, foi assinado pelo cardeal prefeito Jorge Arturo Medina Estevez e pelo arcebispo secretário Francesco Pio Tamburrino, e foi aprovado pelo papa João Paulo II numa audiência concedida oito dias antes ao cardeal secretário de estado Ângelo Sodano.
        Lembrando que o rito romano “tem seu próprio estilo e estrutura que devem ser respeitados o máximo possível na tradução”, a instrução recomendava a tradução de textos litúrgicos que fossem “não tanto um trabalho de invenção criativa, senão um [trabalho] de fidelidade e exatidão na transcrição dos textos latinos para a língua vernácula”. Boas traduções – prescrevia o documento – “devem ser livres de uma dependência exagerada dos modos modernos de expressão e, de modo geral, livres de uma linguagem psicologizante”.
        A instrução “Liturgiam Authenticam” sequer citava o “Comme le prévoit”. E era uma omissão voluntária, para privar o texto definitivamente de uma autoridade e de uma oficialidade que ele jamais havia tido.
        Mas, apesar disso, a instrução encontrou uma enorme e fortíssima resistência, mesmo dentro da Cúria romana, tanto que foi ignorada e contradita por dois documentos pontifícios subseqüentes.
        O primeiro foi a encíclica “Ecclesia de Eucharistia” de João Paulo II em 2003. No segundo parágrafo, onde lembra as palavras de Jesus para a consagração do vinho, afirma: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados” (cf. Mateus 14,24; Lucas 22,20 e 1Cor 11,25). O “por todos” ali presente é uma variação que não tem base alguma nos textos bíblicos citados, evidentemente introduzido a partir das traduções presentes nos missais pós-conciliares.
        O segundo documento é a última das cartas que João Paulo II costumeiramente endereçava aos padres toda Quinta-feira Santa. Tinha a data remetente de 13 de março de 2005, escrita no Hospital Gemelli, e afirmava no 4º parágrafo que:
        “‘Hoc est enim corpus meum quod pro vobis tradetur’. O corpo e o sangue de Cristo são dados pela salvação do homem, da totalidade do homem e por todos os homens. Esta salvação é integral e ao mesmo tempo universal, pois ninguém, ao menos que livremente o escolha, é excluído do poder salvífico do sangue de Cristo: ‘qui pro vobis et pro multis effundetur´. É um sacrifício oferecido por “muitos” como diz o texto bíblico (Mc 14,24; Mt 26,28; Is 53, 11-12); esta expressão tipicamente semítica se refere à multidão que é salva por Cristo, o único Redentor, e, ao mesmo tempo, infere a totalidade dos seres humanos a quem a salvação é oferecida: o sangue do Senhor é “derramado por vós e por todos”, como algumas traduções legitimamente explicitam. O corpo de cristo é verdadeiramente oferecido ‘pela vida do mundo’ ( Jo 6, 51; 1 Jo 2,2).”
        João Paulo II estava com a vida por um fio, estaria morto 20 dias depois. E foi um papa nestas condições, que sequer tinha forças para ler, a quem obrigaram assinar um documento em favor do “por todos”.
        Na Congregação para a Doutrina da Fé, que não tinha recebido o texto antecipadamente, a questão foi recebida com desapontamento. Tanto que, alguns dias mais tarde, no dia 21 de março, segunda-feira da Semana Santa, numa reunião tumultuada entre os chefes de alguns dicastérios da Cúria, o Cardeal Ratzinger registrou seu protesto.
        E menos de um mês depois, Ratzinger foi eleito papa. Anunciado ao mundo com visível satisfação pelo cardeal protodiácono Medina, o mesmo que havia assinado a instrução “Liturgiam Authenticam”.
        Com Bento XVI como papa, a restauração da tradução correta do “pro multis” imediatamente se tornou um objetivo de sua “reforma da reforma” na arena litúrgica.
        Ele sabia que encontraria uma oposição ferrenha. Mas nesta arena ele nunca teve medo de tomar decisões difíceis, como o provou o motu proprio “Summorum Pontificum” pela liberação da Missa no rito antigo.
        Um fato bem interessante é o modo com o qual Bento XVI quer implementar suas decisões. Não somente com ordens peremptórias, mas através da persuasão.
        Três meses depois de sua eleição a papa, ele fez com que a Congregação para o Culto Divino, liderada então pelo cardeal Francis Arinze, conduzisse uma pesquisa entre as conferências episcopais para descobrir suas opiniões a respeito da tradução do “pro multis” pelo “por muitos”.
        Tendo reunido tais opiniões, no dia 17 de outubro de 2006, sob a instrução do papa, o cardeal Arinze enviou uma carta circular a todas as conferências episcopais, elencando seis motivos em favor do “por muitos” e encojarando-os – sempre que a formula “por todos” estivesse sendo usada – a “realizar a catequese necessária dos fiéis” em face da mudança.
        É esta catequese que Bento XVI sugere que seja feita na Alemanha particularmente, numa carta enviada aos bispos alemães no último dia 14 de abril. Nela, ele aponta que não lhe parece que esta iniciativa pastoral sugerida com autoridade há seis anos atrás tenha sido jamais realizada.
        Clique para abrir – Carta de Bento XVI à Conferência Episcopal Alemã a respeito do “Pro Multis”: “O respeito pela palavra de Jesus é a razão para a formulação da oração”.”

        • Estimado Antonio Rocha … é!!! já estamos em 24/10/2015 e no Brasil continua o “por todos”!!! !!! !!! snif snIF SNIF

          Satanás fica todo proza … pois é por todos, né??? ??? ???

          No entanto, Jesus: “ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado”. (Jo 16,11)

    • No entanto … caro amigo ecumênico e interreligioso Antonio Rocha … há 2 poréns pesadíssimos:
      1 – em http://observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/os-desfazedores-da-opiniao-publica/ com – IMPRENSA EM QUESTãO > LULA NA MÍDIA
      Os desfazedores da opinião pública
      Por Urariano Mota em 13/02/2006 na edição 368
      Vamos falar baixinho, para que não nos escutem. Os colunistas, os repórteres, os mais bem pagos jornalistas brasileiros moram bem longe do povo do Brasil. Ouviram com os olhos e ouvidos abertos, raros leitores? O povo no Brasil reconhece na grande imprensa um estranho, quando não um inimigo, que lhe sopra afirmações sem nexo, sem valor, sem crédito. E aqui, talvez mais que em outra parte, e aqui, neste caso de divórcio, bem se exibe a sociedade de classes que nos oprime. Aqui estamos diante de mundos diferentes em um mesmo território. Aqui… aos fatos, aos fatos, já, para que não nos acusem de texto opinativo sem fundamento algum na realidade.
      Acompanhem por favor as últimas notícias da semana que, ninguém notou, já foi embora.
      ** No Jornal da Record de quarta-feira (8/2): ‘Lei Seca no Planalto: ministro revela que o presidente Lula está sem beber há 40 dias’.
      ** No dia seguinte, no jornal O Estado de S.Paulo: ‘Bar no Aerolula? ‘Ele não bebe há 40 dias’…’ .
      ** No jornal O Globo, no mesmo dia: ‘Lula está abstêmio há 40 dias, revela Furlan’ – e mais revelaram as repórteres, que teriam ido cobrir a viagem do presidente ao continente africano: ‘Animado com a dieta à base de proteínas que já lhe fez perder 12 quilos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu mão de um de seus prazeres confessos, a cachacinha’.
      Lindo, não? Antes que adentrem a intimidade presidencial, e revelem outros prazeres inconfessos, prazeres até maiores, mesmo para um viciado em álcool, vejam que da viagem presidencial, dos acordos que firmou, do estreitamento da política externa com países antes sequer visitados, vejam que o fato jornalístico mais importante foi o fato de um alcoólatra, por acaso e injustiça na presidência da República, estar angustiosa e ansiosamente sem álcool há terríveis e tenebrosos 40 dias.
      Isto que acabamos de escrever não é uma inferência, não é um livre interpretar, como o fez Clóvis Rossi, na Folha de S.Paulo (8/2):
      ‘A ópera-bufa Brasil
      Uma vez iniciada a ação judicial que o PT quer propor contra Fernando Henrique Cardoso por ter dito que ‘a ética do PT é roubar’, as coisas desenvolver-se-iam assim, conforme a Folha apurará: FHC convoca Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de defesa. O juiz estranha. FHC explica: ‘Bom, não foi o Lula quem disse, no horário nobre da TV, que o PT estava desmoralizado? Ninguém fica desmoralizado por ter comportamento ético irreprochável, certo? Então, Lula está dizendo o mesmo que eu disse, com mais conhecimento de causa porque é um dos fundadores do PT e seu presidente de honra’.
      O juiz cede à lógica fernandohenriquista e chama Lula, que acusa o governo FHC de ter sido também corrupto. FHC se defende: ‘Minha corrupção foi pontual, não foi sistêmica como a sua’.
      O juiz estranha. Corrupção é corrupção, acha, mas toca o bonde, que afinal ele é juiz, não candidato.
      Lula, furioso, grita: ‘Mas eu não sabia, eu não sabia, eu juro que eu não sabia. A culpa é do PT.’
      A citação acima é um pouquinho mais que o livre-inferir. Com mais propriedade, dir-se-ia um livre-ferir. Observem que nesse passo, em nome da independência, que depende da política da empresa, um colunista de um dos maiores jornais brasileiros manda aos infernos um dos deveres sagrados da grande imprensa – o de ser objetivo, o de se ater ao acontecido. E tamanha é a gana que não se vexa em danar a recomendação de citar os fatos sem falsificar o contexto.
      Compreensível, dirão, aqui o colunista exerce a sua veia de ficcionista, com a devida licença de Machado de Assis. Compreensível, mas nos importa mais destacar que em nome da luta política, que neste ano assume o papel de uma luta eleitoral, a imprensa brasileira vai do acessório, que obedece a um preconceito, ao livre-ferir, que obedece a velhos conceitos. E nisto, reconheçamos, há um improviso que raia a criação, porque repórteres e colunistas já têm a notícia pronta, antes até da realidade. É coisa de gênio o que conseguem escrever com as idéias que têm antes do conhecimento de qualquer fato. Vejam se há engano.
      Além de bêbado, supersticioso, bruxo
      Depois de resistir à tentação de beber até cair, no avião e do avião, o presidente conseguiu chegar ao segundo destino na África. Para quê? Para receber os títulos de algumas, com o devido perdão da palavra, reportagens do sábado (11/2).
      ** No Jornal do Brasil:
      ‘Lula fecha o corpo contra a ‘urucubaca’ no governo
      Presidente participa de ritual vodu em Benin, na África, e se diz ‘mais leve’
      Com o Portal do Não Retorno ao fundo, no vilarejo praiano de Ouidá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou ontem uma ajuda contra a ‘urucubaca’ que diz atrapalhar o seu governo. Esteve num ritual de vodu, fechou o corpo e afirmou que ficou ‘mais leve’.’
      ** O Globo, mesmo dia:
      ‘Lula participa de ritual vudu no Benin
      Os tambores da África bateram forte ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se estava preocupado com a urucubaca lançada pelos adversários no Brasil, como disse recentemente, ele pode ter saído do Benin, berço do vudu, com o corpo fechado para enfrentar a ferrenha disputa eleitoral. O presidente passou a tarde toda sendo reverenciado com orações e danças feitas por feiticeiros vudus, líderes tribais e pelos descendentes de escravos brasileiros que formam uma espécie de colônia em Ouidá, nos arredores de Cotonou, capital do paupérrimo Benin.’
      Com a devida ressalva do vodu que se enfeitiçou num ‘vudu’, deveríamos acrescentar esse título do colunista Josias de Souza , em seu blog (11/2), ‘Lula ‘corpo fechado’ da Silva’, para maior glória da informação e notícia. E, se a inteligência do leitor permite, esta pérola:
      ‘Há coisa de um mês e meio, Lula queixara-se de que seu governo vinha sendo alvo de ‘urucubaca’. Pois Sua Excelência tratou de aproveitar a visita à África para ‘fechar o corpo’. De passagem pelo vilarejo de Ouidá, no litoral do Benin, o presidente tomou parte de um ritual vodu‘.
      Permitam, não se trata aqui de um passeio masoquista por uma imprensa provinciana – esta, sim, digna do maior banho de alfinetes, fetiches, magias e vodus. Estamos falando, estamos nos referindo aos maiores jornais de um país que honra o mundo por sua diversidade e cultura. Estamos nos referindo a profissionais de imprensa com mais de 40 anos de exercício, e que ainda assim se referem aos leitores como…
      ‘…Os descerebrados da teoria da conspiração deveriam incluir nela o ministro Luiz Fernando Furlan. Cada vez que vai ao exterior, produz uma frase que nem a oposição imaginaria utilizar. Primeiro, foi o reconhecimento de que o país estava ‘desanimado’ (dezembro). Depois, que o Brasil perdera o momento internacional, atropelado por China e Índia (janeiro).
      Agora, devolve ao noticiário a questão etílica, ao dizer que Lula não bebe há 40 dias. Bom, e antes?, é a pergunta inevitável seguinte. Que, por sua vez, remete ao episódio Larry Rother, como bem lembrou Nelson de Sá em sua coluna de ontem. Parece inesgotável a capacidade do governo de fabricar trapalhadas’. (Clóvis Rossi, Folha de S.Paulo, 10/2)
      Colunistas assim não levantam o cérebro da cadeira e desenvolvem suas colunas a partir do que os repórteres montaram em reportagens, que estão prontas antes que se escrevam. Em que situação, qual foi mesmo a resposta, em que contexto foi dito que o presidente não bebe há 40 dias? Não importa. O que se disser, quer apenas dizer: o presidente é um desqualificado, e isto quer dizer, é um analfabeto, um alcoólatra, e agora, por cima, burro, estúpido, que viaja ao continente africano com o objetivo de mergulhar numa sessão de bruxaria. Um típico homem do povo, corrupto e corrompido.
      Quem não vê isso é um descerebrado, isso, um doido que acredita em teoria de conspiração das classes dominantes, um paranóico que julga a grande imprensa uma defensora dos interesses do velho capital. Descerebrados e paranóicos que jamais compreenderão o jogo da barganha: ‘Se perdoas minhas dívidas, se me concedes crédito que jamais pagarei, então terás a imprensa que sonhas’.
      ‘Desconstrução’ da imagem
      Em mais de um sentido, alguns repórteres e colunistas se tornam desfazedores da opinião. Em um sentido familiar, nordestino, desfazem de, zombam, diminuem, depreciam a opinião pública. A verdade, acreditam, é aquilo que o jornal noticiar. A verdade é a sua versão, repetida até o limite que sature, até um limite que, aí sim, gere descerebrados. ‘O sucesso de um jantar é o que sair no jornal.’ Ou seja, o leitor é um perfeito idiota, uma tábula rasa, que receberá passivo a imagem e as palavras que lhe forem impressas. A opinião pública é a opinião da imprensa, acreditam.
      Em outro sentido de desfazer, ela, a grande imprensa, crê que possui a força da destruição, de reduzir a pó o que estava feito, construído, ou em processo de construção. Existe até uma nova palavra para isso, ‘desconstruir’. Esta é a opinião dos mais sábios, dos colunistas, dos editores aos publicitários, a crença no poder destruidor, desfazedor da mídia. Um aventureiro, qualquer um, pode se tornar um caçador de marajás, e governar depois com todos os marajás e jóias que caçar, para estar a seu lado.
      Em um e outro sentido, do mais radical ao mais ponderado, colunistas, editores, repórteres, a partir do poder de fogo dos seus veículos acreditam que constroem, que fazem opinião, que fazem cabeças. É até possível que em muitas situações assim aconteça. Se estiverem como peixes no oceano, se os valores que pregam e difundem, sim, os jornalistas fazem opinião. Melhor dizendo, reforçam, estimulam e fazem crescer como fermento a massa de crenças da população. Mas jamais conseguirão impor a índios nas selvas, imersos nas selvas, por exemplo, o valor da beleza das modelos das passarelas. Dirão, os homens e mulheres indígenas, ‘aqui em nossa tribo essa mulher não conseguiria marido’. Magras, esquálidas, pálidas, altas e com aquele andar, nos caminhos da selva, não.
      Isto é o que nos passa, por vezes, a ‘desconstrução’ da imagem de Lula no meio do povo brasileiro. Uma profunda inadequação de valores, de querer passar desqualificação para um homem que ainda retira o seu peso do que representa para os ‘desqualificados’. Para os que gostam de beber, para os que freqüentam terreiros de pais e mães-de-santo, para os trabalhadores que sonham um dia vestir também um terno com a sua ‘galega’, com a sua nega ao lado. Em Canudos, nunca é demais lembrar, frades capuchinhos, contra o Conselheiro, chegaram pregando jejum, a forte e pesada abstinência de tudo, menos de comer bacalhau e farinha. Os sertanejos caíram na gargalhada, e gritaram para os santos frades:
      – Isto para nós é fartura!
      ******
      Jornalista e escritor

    • “Feliz o povo agraciado com tais bens, feliz o povo cujo Deus é o Senhor”. (Sl 143,15)

      Peçamos ao Senhor Misericórdia:
      1 – Por Lula ter feito vodu em terras estrangeiras;
      2 – Por a CNBB não atualizar o “por muitos”;
      3 – Por terem feito o Diabo nas eleições passadas.
      … … …
      VADE RETRO, SATÃ!!! !!! !!!

  1. Rapaz tu pega a tal da rio tupy(assim mesmo pequeno): a tupy é o povo e opovo é a tupy, é que eles dizem lá, a sua programaçao o dia inteiro é de uma escrotidao do carai… será que o povo é isso mesmo, burro e idiota? um alcolatra quadrilheiro com família e tudo e que teve um câncer preguiçoso. Pqp. Não dá. Vatre reto.

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