Um candidato impossível

Carlos Chagas

Dos  quatro candidatos já evidenciados para a disputa da presidência da República, ano que vem, nenhum apresentou mais do que exortações a respeito do futuro do país. Com tanta antecedência não se exigirá de Dilma Rousseff, Aécio Neves,Marina Silva e Eduardo Campos  que disponham de programas de ação,antigamente chamados de “plataformas” de candidatos. Há tempo para isso.

No entanto, pelas preliminares e slogans até  agora conhecidos, como o de que “é possível fazer mais e melhor”, fica evidente por parte deles a falta de imaginação e de vontade para sensibilizar a opinião pública e propor mudanças fundamentais. Os quatro, com todo o  respeito, são vinhos da mesma pipa. Meros seguidores do modelo que nos assola faz tempo, incapazes de apresentar propostas em condições de mudar o Brasil. Quer dizer, acomodam-se  à fórmula de que o país deve seguir adiante dispondo de ricos e pobres, privilegiados e massacrados, exploradores e explorados. Uns mais, outros menos, todos pretendem manter a ordem social, econômica e política sem maiores alterações. Nem reformistas parecem, quanto mais revolucionários.

Seria no  mínimo curioso saber como reagiria a nação caso um candidato, não os atuais, mas alguém novo,  prometesse estabelecer a proibição de demissões nas empresas privadas e no serviço público por um tempo determinado. Que concluísse que salário não é renda e,  portanto, extinguisse o Imposto de Renda dos  assalariados.  Que proibisse a evasão de recursos para o exterior, tanto faz se como remessa de lucros ou investimentos externos. Que abolisse o direito de empresários de retirarem de suas empresas os recursos para suas despesas particulares, obrigados a arcar com elas de seus salários, certamente limitados a um patamar auferido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Que estabelecesse a prevalência do interesse nacional sobre o interesse privado, restringindo o direito  de herança aos limites da sobrevivência do herdeiro e submetesse a  empresa familiar à lógica da participação de todos os seus empregados na definição de seus rumos e resultados.  Que estabelecesse o Imposto Sobre Grandes Fortunas e não permitisse conglomerados de atividades distintas controlados pelos  mesmos  personagens.

Mas tem mais. Importante seria, para esse candidato desconhecido, prometer que recursos judiciais seriam admitidos, mas que após a condenação  dos  réus em primeira instância, só pudessem apelar de dentro da cadeia, sem benefícios abertos aos  privilegiados financeiramente. Que tal considerar a população indígena como parte integrante  do estado nacional, jamais como nações independentes.  Por que não acabar com a isenção de impostos para todo o tipo de  igrejas e organizações religiosas sustentadas pela fé popular e tantas vezes exploradas por vilões travestidos de condutores da sociedade.

Seriam inúmeras as propostas de um candidato  alternativo que se apresentasse diante dos concorrentes já alinhados. Coisa impossível de acontecer, porque primeiro seria preso, senão queimado na fogueira,  antes que expusesse sua plataforma.

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5 thoughts on “Um candidato impossível

  1. Caro Chagas, estupendo artigo, infelizmente, um “sonho de verão”. A 2 mil anos, teve um “cara”, que chamou-se JESUS, que nos deixou um Código de fraternidade e sociologia, e o pregamos na cruz infamante, e continuamos a pregá-lo diariamente, com nossa hipocrisia e farisaísmo.
    Como sonhar não paga “imposto”, continuemos a sonhar, para não ter que participar do pesadelo que o Brasil está mergulhado, e porque não dizer, nossa Humanidade, que se “entredevora”, matando e aleijando seu semelhante biológico.
    Este blog, PERMITE aos que pensam em fraternidade e brasilidade, formar um “núcleo” de emissão de pensamentos positivos, para as devidas meditações e reflexões, sobre “o que faço, diretamente ou indiretamente, por mim e meu próximo!”
    Colaboremos financeiramente,com o que pudermos, para a manutenção desse “espaço” que emite fraternidade.

  2. Prezado Jornalista.

    Pela ordem, Aécio Neves, Marina e Eduardo Campos estão fazendo figuração antecipada da campanha eleitoral visando o futuro ainda distante de 2014. Nenhum dos três detém as condições eleitorais para vencer o pleito presidencial.

    Aécio e Eduardo lutam desesperadamente pela união de seus partidos, que estão divididos até a medula. O PSDB de São Paulo não fechou com o mineiro e o PSB do Ceará não aceita o pernambucano. Portanto, questões regionais fecham as portas dos presidenciáveis.

    Quanto a Marina da Silva, nem partido estruturado nacionalmente existe para dar suporte a uma eventual candidatura. Entrará na disputa para perder mais uma vez, talvez na quarta eleição possa aspirar alguma coisa.

    Sobrou quem: A presidenta Dilma. Tudo leva a crer que levará de barbada a reeleição, pois no PODER tudo é mais fácil e o PT se une nos momentos oportunos, entretanto, há dois imponderáveis, que podem colocar água na fervura: A economia brasileira, reflexo da crise iniciada em 2008, que não dá trégua na Europa e nos EUA e que começa a afetar o país (inflação e balança comercial). O segundo fator chama-se: Lula da Silva. O ex-metalúrgico será mordido pela mosca azul presidencial? Realmente se decidir em momento de crise seria imbatível contra qualquer candidato que apareça. Ele é o cara, como bem disse o presidente Barack Obama.

    Tudo nesse momento são especulações que podem ou não se confirmar, porém não podemos esquecer jamais o fenômeno Collor de Mello, o governador de Alagoas, ainda moço, que arrebatou multidões em torno de seu discurso moralizador contra os “marajás” e levou de barbada a eleição contra Leonel Brizola e Lula no segundo turno.

    Vamos aguardar, pois teremos muitas emoções neste e no próximo ano.

  3. … Os quatro, com todo o respeito, são vinhos da mesma pipa.> Ô xente, seu bixim, aqui no NE nois diz que são farinha do mesmo saco… excelente artigo!

  4. Prezado jornalista Carlos Chagas, mais uma vez o senhor nos brinda com um artigo fenomenal que acabo de ler, porém faço uma ressalva, quem será esse maluco que vai aparecer para prometer tudo isso, nem aqui nem na Conchichina.

  5. Prezado Carlos Chagas, você acertou na mosca, só um candidato nacionalista, que tenha amor
    pela pátria e coragem para essa plataforma que você muito bem propôs.
    Programa, plataforma ou proposta de governo, qualquer cientista político prepara um de
    dar água na boca do povo brasileiro. Não adianta plataforma de governo com esses candidatos, FHC e Lula são exemplos, eram uma coisa antes de eleitos, depois de eleitos viraram outra coisa.
    Tem que ter credibilidade.
    Vou morrer e não vou ver uma luz no fim do túnel, esse modelo político e econômico vai
    longe infelizmente.

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