Um caso de amor tupamaro, semelhante ao de Sebastião Nery em Moscou

Rogério Mendelski

Sebastião Nery publicou aqui no Blog bela crônica sobre aquele amor em Moscou. Vivi algo semelhante nos conturbados dias de agosto de 1970, em Montevideu, quando os tupamaros sequestraram o consul brasileiro Aloysio Gomide, o agente da Cia Dan Mitrione e o funcionário da FAO, Claude Fly.

Conheci uma jovem tupamara e tivemos um romance daqueles que só jornalistas em missão especial sabem o quanto isso é gostoso. Fui enviado pelo Estadão (era da sucursal de Porto Alegre) e meu companheiro de quarto (Hotel República, Plaza Entrevero, centro de Montevideu) era o saudoso Inajar Souza.

Lá, na cobertura do caso, estavam também o Paulo Totti (Veja, chefe da sucursal de Porto Alegre) e o Henrique Caban (O Globo). Sobre o Caban, uma curiosidade. Emprestei uma gravata para ele, que desejava ir ao Cassino de Carrasco. Ganhou na roleta e ficou com a gravata que lhe dava sorte.

Mas a jovem tupamara era uma mulher meiga, linda e de uma sensualidade, digamos, revolucionária. Trabalhava no telex e eu furava a fila dando-lhe o meu material para ser picotado e enviado a São Paulo, na frente dos colegas.

Saíamos à noite, após o trabalho, para jantares e amores incríveis. Voltei diversas vezes a Montevideu a serviço, mas a perdi inexplicavelmente. Queria casar e viver no Brasil, mas aí, com tais compromissos, perde a graça a aventura vivida em dias sombrios numa Montevideu fria, invernosa e cheia de soldados nas ruas.

Nery, um abraço do colega que admira suas boutades diárias na Tribuna On Line.

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