Um desesperado poema de amor de Gonçalves Dias, no silêncio da noite, à espera do amanhecer

Gonçalves Dias, o poeta com ideais nacionalistas – Academia Popular de  LetrasPaulo Peres
Poemas & Canções
 
O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta romântico maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) no poema “Leito de Folhas Verdes” faz uma declaração de amor marcado pela angústia da espera, que descrevem os sentimentos e o pensamento do “eu poético feminino” em um aspecto temporal que se inicia com a chegada da noite e se prolonga até o amanhecer do dia seguinte.

LEITO DE FOLHAS VERDES
Gonçalves Dias

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,

Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,

No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se

Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda

Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;

Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas

A arazóia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Lá solta o bogari mais doce aroma
Também meu coração, como estas flores,

Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil

A brisa da manhã sacuda as folhas!
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazóia na cinta me apertaram.

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas! 

5 thoughts on “Um desesperado poema de amor de Gonçalves Dias, no silêncio da noite, à espera do amanhecer

  1. Paulo Peres, você lembrou muito bem desse admirável escritor brasileiro, e lembrei uma obra prima: O Guarani, que eternizou o amor entre Peri e Ceci.

  2. A Obra O Guarani é de José de Alencar, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

    A Obra trata da história de amor de Peri e Ceci . É a fase Indianista do grande escritor cearense.

    • O AMANTE DA TAQUARA

      Nascia em Campina Grande, em 1992, um menino de olhos claros. Sua mãe paraibana, sonhou para o rebento, um futuro feliz. Professora primária de Escola Pública, leu de cabo a rabo, o clássico do escritor cearense, José de Alencar: ” O Guarani”. Então, batizou o guri com o nome de Perivaldo, em homenagem ao herói Peri que amava Ceci.
      Em busca de melhores oportunidades, a retirante veio para o Rio com Peri, para fugir das surras diárias do marido, cachaceiro e explorador.
      Ao atingir a maioridade, Perivaldo foi trabalhar numa Confeitaria na Taquara já demonstrando suas múltiplas habilidades.
      O INÍCIO DO NAMORO
      A pinta de galã e ares de Don Juan, similar ao do filme Casanova de Felline, o amante insaciável, logo conquistou o coração da balconista Lurdinha, uma loira de fechar o comércio.
      Começaram a namorar ardentemente, sempre após o expediente, naquele fogo de paixão incontrolável.
      A ENTRADA DE OUTRA NO AMOR
      Mas, nosso vilão queria mais e aceitou o assédio de Martha, a amiga e confidente de Lu, que ficou louca para sentir o prazer proporcionado a colega. Num belo dia de domingo, Martha propôs um triângulo amoroso, assim na lata, quando os três bebiam a rodo, todas as destiladas do bar, ao som do melhor Forró do Rio das Pedras. Tudo acertado, partiram para um Motel nas redondezas, com o álcool subindo nas cabeças apaixonadas, sem medo de ser feliz, nas quatro linhas.
      Chegado numa poesia, Peri mandou essa para as duas, numa pausa para o cigarrinho de maconha, já extenuado de tanto amor:
      Meus olhos outros olhos nunca viram,
      Não sentiram meus lábios outros lábios,
      Nem outras mãos, Lu e Martha, que não as tuas.
      Outro amor nunca tive, as amo, sou das duas.
      Só faltaram gozar de alegria com essa poesia.
      LURDES TINHA OUTRO
      Tudo ia muito bem, tudo joinha, até que um belo dia, apareceu na Confeitaria, no final do dia, o namorado da Lurdinha, o traficante Amarildo, também apelidado de Cara de Cão, o mandante do pedaço, brabo e frio de doer. Peri enciumado, pediu explicações da amada, a qual, chorando copiosamente, disse que o marginal não aceitava separação. O triângulo libidinoso foi desfeito com a descoberta do segredo de Lurdes.
      A SURPRESA
      O namorador foi surpreendido, com a reação maligna de Martha, que passou a chantagear o rapaz. Ameaçando contar os detalhes da orgia a três, ao traficante, ora pedia duzentos, ora trezentos e um belo dia pediu dois mil reais, para dar de entrada numa moto do namorado dela e Peri pagaria o restante todo mês. Peri achou que estava demais e corajoso decretou o fim da armadilha. Martha não se fez de rogada e contou tudo em detalhes ao filhote de cruz credo.
      A FRIEZA DO TRAFICANTE
      Cara de Cão, frio e calculista, apareceu na Confeitaria e na frente de Lurdinha, convidou Peri para um churrasco na comunidade. O amante latino, inocente que só, aceitou e ainda perguntou, qual tipo de carne teria que levar? O bandido respondeu, que podia ser qualquer uma peça do boi.
      PERI CAIU NA ARMADILHA
      Fazia um belo domingo de sol, quando Peri chegou ao local combinado, sendo recebido pelo anfitrião, que incontinente, mandou o comparsa Índio amarrar os braços de Peri e levá-lo para os fundos da casa.
      A SURRA EM LURDES
      Lurdinha viu a cena de longe e prevendo o pior para o ex- amado, pediu clemência para o traficante. O marginal, pocesso e espumando ódio pela boca, começou a espancar ela sem dó nem piedade. Era chute nas costas, soco na barriga, tapa na cara, cascudo com o punho cerrado, uma covardia sem tamanho. Os gritos de Lu ecoavam por vários quarteirões, a ponto do carcereiro Índio, tentar interferir junto ao chefe, com receio da moça vir a óbito, porque os espancamentos estavam demais.
      A OPORTUNIDADE DE PERI
      Aqueles breves instantes furtivos, foi a chance que Peri aguardava para se desamarrar do nó e meter o pé, subindo na lage e pulando de casa em casa, até sumir na poeira.
      O EPÍLOGO DE PERI
      Peri se apresentou na Confeitaria na segunda, pedindo as contas e explicou os motivos ao patrão. O empresário, que gostava do serviço do empregado, pediu o apoio de um amigo miliciano e com cinco policiais foram dar uma dura na casa do traficante de pó e armas de grosso calibre, mas, não encontraram nada no pedaço. Nada pode ser feito, sem as evidências da tentativa de assassinato.
      Perivaldo, sem alternativa, foi se refugiar em Campos dos Goytacazes, usando de suas múltiplas atividades laborais, de confeiteiro, pintor de paredes, pedreiro, eletricista, etc… para levar o leite das crianças e fazer as compras de fim de mês, vivendo hoje, uma vida pacata e feliz com sua atual esposa. As vezes, dá uma vontade danada de trair e voltar aos velhos tempos, porém, os anjos do bem, lembram ao garanhão de outrora, fazendo chegar a mente dele, o cheiro da quase morte, pelas mãos sujas de sangue do traficante Cara de Cão.
      A vida não é fácil não, meu irmão, e os amadores beijam a lage fria do caixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.