Um diálogo entre a carroça e o povo, em forma de poema

Rubem Braga dizia que a poesia é necessária e, neste sentido, o comentarista Paulo Peres (blog Poemas & Canções) escreveu, em 1976, esse poema em forma de um diálogo entre a Carroça (significando a massa, população inconsciente manobrada, humilhada e torturada pela ditadura militar da época) e o Povo (população consciente que lutava contra os atos criminosos dos militares).

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A CARROÇA NA FRENTE DO POVO

Paulo Peres

Carroça:
Sou uma carroça e vou puxando só
todo o Poder de um senhor sem dó.

Povo:
Usa-me carga, tristeza tamanha,
levando o povo feito de barganha.

Carroça:
Carregamos esta aldeia
cuja vida desnorteia
mente consciente havida?

Povo e Carroça:
Somos o resto de uma estrada
que não tem encruzilhada,
sua volta está na ida
que a poeira fez ferida
na fronteira da razão.

Povo:
Cego é o sonho do futuro,
mas a luz fura o escuro,
brilha e vira o presente.

Carroça:
O voo do sonho está à frente
no sorriso da esperança
onde a história faz cobrança.

Povo:
Não te negue pois do ventre
da mãe cega, noite-terra,
na fome, na seca, na guerra,
vai nascer o amanhã.
Quando o tempo mudar
Estarei no teu lugar!….

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