Um exagero macabro

Carlos Chagas

Em 1974 eu estava na União Soviética, sob pleno domínio de Leonid Bresnev. Em Moscou, uma das visitas oficiais foi ao túmulo de Lênin, na Praça Vermelha. Senti-me mal, depois de passar pelo corpo embalsamado. Péssima impressão. Inclusive as múmias do Antigo Egito, ninguém merece o castigo de ficar décadas, séculos e milênios a fio, em exposição. Algo macabro, apesar de repetido em outras ditaduras com Mao Tse-Tung, Ho Chi Min e Kin Il Sung. Sem esquecer o que tentaram com Eva Perón. Os mortos merecem descanso e respeito, até porque não estão mais ali, naqueles sarcófagos de luxo onde são conservados às custas de um monte de drogas.

Lênin foi o primeiro…

De Caracas vem a notícia de que vão embalsamar Hugo Chaves. Além de reverenciar sua memória e exaltar seus feitos, práticas mais do que justas, pretendem manter o defunto intocado num quartel ou na sede de um sindicato. Evidência do primarismo de uma sociedade, pois a multidão, pelo que se sabe, apoiou a iniciativa do novo governo. Sinal de ignorância. O comandante não merecia esse final.

DEMAGOGIA

Bem que Sérgio Cabral poderia ter ficado quieto em vez de anunciar que suspenderá o pagamento devido pelo seu governo a fornecedores, paralisando obras, serviços e obrigações. O Rio de Janeiro, assim como o Espírito Santo e São Paulo, viram-se prejudicados com a queda do veto da presidente Dilma ao projeto que manda distribuir por todos os estados parte do fruto das explorações de petróleo. Afinal, as despesas aumentaram olimpicamente nos municípios próximos dos trabalhos de extração, mesmo no mar. Mereciam e merecem ser recompensados. A Justiça decidirá sobre a iniciativa do Congresso.

O que não dá para aceitar é essa vingança infantil do governador. Sofrerá a população fluminense, caso confirmado o calote.

39 É UM ABSURDO

Está criado o trigésimo-nono ministério do governo Dilma, agora encarregado da pequena e média empresa. É humanamente impossível administrar um país com tantos ministérios e ministros, saltando aos olhos o que já acontece faz muito: existem os ministros de primeira e de segunda classe. Aqueles que a presidente recebe quase todos os dias, encarregados de questões fundamentais, sendo cobrados pelo que fazem ou não fazem. Em torno deles estão ministros desimportantes, alguns até que, nos últimos dois anos, não despacharam uma vez sequer com a chefe do governo. Seria constrangedor citar uns e outros, mas o leitor logo os identificará.

Essa proliferação de ministérios deve-se a compromissos partidários. Para obter maioria no Congresso e contentar fisiologicamente grupos variados, Dilma cedeu a incontáveis pressões. O resultado tem sido indicações não raro lamentáveis, de políticos que pouco ou nada tem a ver com as pastas sob seu comando. Em vez de escolher os melhores em cada setor, a presidente arrisca-se a engolir os piores. Há redundância nessa variedade, com ministros batendo cabeça e executando funções paralelas.

FORAM DOIS AVIÕES

Uma correção: na curta viagem à Venezuela, para o velório de Hugo Chaves, o AeroDilma não foi lotado de ministros, assessores e convidados especiais, inclusive o ex-presidente Lula, como noticiamos. Pelo contrário, na aeronave só viajaram o antecessor e a sucessora. A plebe foi toda acomodada no avião reserva, que sempre acompanha o principal.

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