Um final de semana tenebroso para Dilma, Lula e o PT

Carlos Newton

Este é um final de semana tenebroso para o Planalto/Alvorada, o PT e o Instituto Lula. Até parece que os astros se colocam em conjunção contra eles, atraindo forças altamente negativas, que ameaçam destruir a troika que conduz há 13 anos a política brasileira. Na verdade as trevas começaram na semana passada quando o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) anunciou à imprensa que na sexta-feira seria divulgada a extinção de vários ministérios e outras medidas de ajuste. A imprensa ficou esperando, e nada…

O que de fato aconteceu na sexta-feira foi mais um explosivo depoimento do empresário Ricardo Pessoa, da UTC, reafirmando que pagava habitualmente propinas ao PT. Segundo noticiou a Veja, o dinheiro era depositado direto na conta do Diretório Nacional do partido, mediante entendimentos com o então tesoureiro petista João Vaccari Neto,  que continua preso em Curitiba, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ao juiz Sérgio Moro, Pessoa detalhou que os repasses a Vaccari eram feitos por orientação do ex-diretor de Serviços Renato Duque, indicado pelo então ministro da Casa Civil José Dirceu para o cargo na Petrobras. O ex-gerente de Serviços Pedro Barusco também foi citado. “Pagava Barusco e Vaccari por solicitação de entendimento de Renato Duque”, disse o empreiteiro. E entendimento, nas palavras de Pessoa, significava “procure o Vaccari para acertar a contribuição política”.

PLANALTO SABIA DE TUDO

No sábado, prosseguiu o tormento da presidente Dilma, que convocou nova reunião de sua tropa de choque no Alvorada. Enquanto eles discutiam, discutiam e não se entendiam, uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo conseguia enorme repercussão, ao noticiar que o doleiro Alberto Youssef revelou a investigadores que o Planalto não só tinha conhecimento do esquema da Petrobras, como até intermediava conflitos entre os participantes.

Youssef contou uma reunião que teve com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), em Brasília, para discutir “conflitos internos” no esquema de corrupção na Petrobrás, que teriam chegado ao conhecimento do Palácio do Planalto. De acordo com o delator, o conflito dentro do PP foi levado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa aos então ministros Ideli Salvatti e Gilberto Carvalho, responsáveis pela Secretaria de Relações Institucionais e Secretaria-Geral da Presidência da República. O ex-diretor Costa negou a informação, mas Youssef manteve a denúncia.

Por sua vez, a Veja anunciava que Youssef também detalhou, em depoimento à Polícia Federal, como operacionalizava o pagamento de propinas para o PT. O doleiro disse, por exemplo, que nos pagamentos de dinheiro sujo feitos pela Toshiba Infraestrutura por obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o executivo da empresa, José Alberto Piva Campana, chegou a reclamar que o PT estaria “enchendo o saco” para receber uma parcela de propina acertada com a empresa, vejam a que ponto chegou a desfaçatez desse pessoal.

DOAÇÃO À CAMPANHA DE LULA

Para completar este fim de semana sinistro, teve destaque também uma reportagem da revista Época, com revelações do ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró sobre as negociações para a Odebrecht recuperar a refinaria de Pasadena, apelidada de “Ruivinha” pelos engenheiros da Petrobras, porque seus tanques e encanamentos estavam cobertos de ferrugem.

Cerveró contou que, num restaurante no Rio, discutiam-se as obras para modernizar a refinaria, que fica no Texas (EUA) e tivera a metade das ações comprada pela Petrobras meses antes. Se a estatal fizera um péssimo negócio ao comprar Pasadena, como veio a se confirmar nos anos seguintes, a Odebrecht estava prestes a faturar mais um formidável contrato. Decidia-se ali, no restaurante na Praia do Flamengo, que a construtora ganharia o contrato de R$ 4 bilhões para recuperar a refinaria. Em troca, os executivos da Odebrecht se comprometeram a pagar propina adiantada de R$ 4 milhões à campanha à reeleição de Lula – o mesmo Lula que, conforme revelou Época em seu site na sexta-feira, dia 11, passou a ser considerado pela Polícia Federal oficialmente suspeito no petrolão.

ATÉ RUI FALCÃO…

Para culminar, os sites dos jornais informam que, no mesmo documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, em que pede para tomar depoimento do ex-presidente Lula, a Polícia Federal destaca que pretende ouvir também o tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, José de Filippi Júnior, sobre irregularidades contábeis.

Quem aguenta um final de semana com tanta notícia ruim? Conforme já dissemos aqui, a presidente Dilma, Lula e os dirigentes do PT estão sendo submetidos a uma espécie de tortura chinesa, que a cada dia aumenta de intensidade. A troika está completamente desmoralizada e não tem a menor condição de governar. Trata-se de políticos não somente corruptos, mas também incompetentes, que estão levando o país à bancarrota, mas tentam se perpetuar no poder a qualquer custo, demonstrando que não têm a menor dignidade e não respeitam o interesse público.

E ainda há quem diga que não existem motivos para impeachment. Pelo contrário, é o que mais existe, enquanto o tempo passa e a crise vai se agravando.

2 thoughts on “Um final de semana tenebroso para Dilma, Lula e o PT

  1. Com todo respeito, CN, numa obra de R$ 4 bilhões, como falado, alegar corrupção por conta de R$ 4 milhões, é demais!!! Quero dizer, é de menos, muito menos!!!
    Afundem-se os estudos nos gastos reais da obra e vão ver que a verdadeira corrupção, acima das notas e notícias, chegará com facilidade a R$ 1 bilhão.
    Isto sim é que é dinheiro de gente grande!

    Não me interpretem, como muitos apressadamente o fazem por aqui, que concordo com desvios de R$ 4 milhões, ou que sou favorável ao PT. Muito longe disto, discordo, aplaudo a polícia no encalço destes pequenos bandidos, que depreciam seu partido e a própria decência humana e quero os R$ 4 milhões de volta.
    Literalmente, cadeia com eles e abaixo esta política podre.

    O que quero destacar, contudo, é a ilogicidade de perdermos tanto tempo correndo ferozmente atrás dos R$ 4 milhões, enquanto deixamos de lado os R$ 4 bilhões, silentes, quietinhos, depositadinhos discretamente numa prainha caribenha ou nos Alpes suíços.

    A minha lógica, aliada à eficácia monetária, seria perseguir primeiro e prioritariamente os erros dos R$ 4 bilhões, muito maiores, seguramente, que a propinazinha paga de 0,1%, no caso.

    É tão fora de base, a meu ver, tanto escândalo, tanto tempo perdido, tanta saliva gasta para tão pouco, que até penso, tresloucadamente, que isto seja intencional, proposital, feito para deixar passar o gigantesco problema principal, sem que se lhe dê atenção, de tanto que se fala do problema secundário…

    E olhem que, se nesta escala de milhões no foco, deixando bilhões de lado, já é grave, imaginem na escala do fraudado artigo 166 da Constituição, que nos leva de pronto à escala de R$ 10 trilhões…

    Quem está falando disto? Quem está investigando? Quem está preocupado com isto? Quem sabe disto? Quem quer saber disto? Quem se dispõe a corrigir isto?
    Não é à toa que me chega um “certo” desânimo.

  2. Vai ser tenebroso:

    Em acordo de delação premiada, dois executivos da construtora Andrade Gutierrez, uma das investigadas no esquema de corrupção da Petrobras, citam os nomes das principais lideranças do PDSB: os senadores Aloysio Nunes (SP), José Serra (SP) e Aécio Neves (MG); Aloysio já é alvo de pedido de investigação por parte da Procuradoria Geral da República por suposto recebimento de doação irregular na campanha; a Andrade Gutierrez contribuiu com R$ 19 milhões para a campanha de Aécio à presidência da República em 2014.

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