Um futuro incerto, com Trump avisando que não reconhecerá a  vitória do democrata Joe Biden

CRISE À VISTA – Contra o Vento

Charge de Claudio Aleixo (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Ninguém sabe o que virá pela frente, se houver outro mandato de Donald Trump nos Estados Unidos. Como se sabe, as redes sociais ajudaram a eleger Trump e também Jair Bolsonaro no Brasil. Foi Stevan Bannon, o número um da empresa americana Analityca, que pesquisou nas redes o perfil do eleitor, para manipular as consciências e, consequentemente, o voto.

Surgiu uma rede de fakes news e destruição de reputações jamais vista, desvirtuando o processo democrático.

DE NOVO, A GUERRA FRIA – Essa é a razão do retrocesso medieval, liderado pela extrema direita americana. O negacionismo, a perseguição desumana aos imigrantes, a volta da guerra fria, agora contra a China, tudo isso significa uma nova ameaça global.

No que isso vai dar, não se sabe, mas boa coisa não será. Os ataques à liberdade cultural já são uma realidade. A tentativa de aprisionamento do Judiciário também é uma constante. Trump indicou uma ultradireitista para a Suprema Corte, para obter a maioria dos votos, caso o nome escolhido seja aprovado pelo Senado. Tudo isso – e muito mais – se insere na manipulação das consciências através das mídias digitais.

AMEAÇA SINISTRA – Trump já avisou que não reconhecerá a provável vitória de Joe Biden. Se der certo, será copiado e ninguém mais largará o poder, uma vez conquistado através de mentiras e promessas mirabolantes, que nunca serão cumpridas. Nos Estados Unidos já se fala em possibilitar um terceiro mandato para Trump, e o que será o amanhã?

Aqui no Brasil nem havia reeleição presidencial. O grande culpado chama-se Fernando Henrique Cardoso. Recentemente,  ele fez sua tardia mea culpa. Porém, não adianta mais. Davi Alcolumbre, em defesa da continuidade, agora alega que, se o presidente, os governadores e os prefeitos podem, porque os dirigentes do Legislativo não poderiam?

ALTERNÂNCIA DO PODER – Esquecem de que a base da democracia é a alternância do poder. Quem está no cargo e pleiteia se reeleger, sem exceção, sempre usa a máquina pública em seu benefício. Portanto, tem mais chances de vencer. As condições do pleito já começam viciadas.

Assim, quando o candidato vence a disputa e se empossa, logo no primeiro ano já começa a trabalhar para continuar uma jornada de mais quatro anos.

OUTRA EXIBIÇÃO NA ONU – Quanto ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, foi ainda pior, em comparação a 2019. Realmente um fiasco.

No mais, concordo plenamente com o jornalista Vicente Limongi Netto sobre a relevância do ex-reitor José Carlos Azevedo na condução da Universidade de Brasília (UnB), em relação a Cristovam Buarque.

Mas meu preferido, com vários corpos a frente, é o insuperável Darcy Ribeiro, o idealizador dos CIEPs, as 500 escolas construídas no Rio de Janeiro. Ninguém fez mais em termos educacionais do que o antropólogo e educador Darcy Ribeiro, infelizmente quase esquecido.

10 thoughts on “Um futuro incerto, com Trump avisando que não reconhecerá a  vitória do democrata Joe Biden

  1. Conforme escrevi numa página anterior, as redes sociais se transformaram numa rede de intrigas.

    E, mais uma vez, discordo de quem critica o povo pelo mau uso desse modo de comunicação e informação.
    Sem qualquer controle, compromisso ou punição, o que for postado vira verdade, informação indiscutível, a fonte é fidedigna.

    No entanto, causa-me espécie a dependência dos aparelhos celulares, a ponto que existem pessoas com dois deles e cada um com dois ships, ou seja, 4 linhas de telefone.

    Os pais que não têm paciência com os filhos acalentam-nos com celular, então uma gurizada de três, quatro anos, manipula um celular como se já nascesse com genes específicos para esta finalidade.

    Quanto à utilização pela política, que significa depreciar a oposição, mentir elogiando quem está no poder, alertas constantes de conspirações, levantes, protestos, apoios … não há mais como se voltar atrás.

    As redes sociais se incorporaram às nossas vidas de tal maneira, que as pessoas se afastaram uma das outras!

    Quando volta e meia vou a um restaurante, fico perplexo de ver as pessoas que estão sentadas à mesma mesa, porém cada uma delas usando o celular, desprezando a companhia ao lado!
    Quando não, marido e mulher trocam de mensagens dentro da própria casa pelo celular!

    Afora, mexer com o banco, consultas, pesquisas, filmes, músicas, diversão, jogos, fotografias e filmagens, um aparelho celular se tornou essencial para o ser humano.
    Deixar o aparelho em casa, mas não mesmo.
    O cara pega um táxi, canoa, ônibus, van, avião, e vai buscá-lo pela dependência e arquivo de sua vida no aparelhinho.

    Se antes o povo dependia de formadores de opinião para saber algo sobre a situação política, a quantidade de informações que recebe passa ao largo de checar se verdadeira ou não.
    Sem senso crítico, capacidade de discernimento, referenciais, conhecimentos, cultura … o brasileiro aceita o que lhe enviam eletronicamente sem qualquer preocupação com a realidade!

    A má política e os mal intencionados aproveitam as redes sociais de forma absoluta e plena.
    Com base que a mentira sendo repetida vira verdade ou, no jargão popular, se tem fumaça há fogo, uma informação falsa em minutos tem milhares de visualizações e, em consequência, outros milhares de repasses!

    Lamento afirmar, mas não há conserto para esse volume de aparelhos usados e as bilhões de pessoas que os utilizam.
    Não há como controlar, vigiar, saber o autor de uma falsa notícia, pois existem os pré-pagos, inidentificáveis.

    Atesto que estamos diante de outra doença do mundo moderno:
    A dependência da tecnologia, desta, em específico.

    Não adianta estudar, ter consciência, disciplinar o manuseio do aparelho … nada.
    Celular é estar conectado com o mundo; falar com as pessoas; saber das novidades; inteirar-se dos problemas.
    Agora, ao mesmo tempo, significa distanciamento, falta de carinho, de contato físico, do abraço, aperto de mão, do beijo na boca, de sexo!

    Para a maioria, tais faltas são compensadas justamente pelas intrigas, boatos, calúnias, difamações … que uma sociedade como a nossa, inculta e incauta, tem paixões.

    Muito mais fácil nos prepararmos para nos adaptar aos novos tempos ou seremos vítimas de nós mesmos.
    Se, mentalmente, temos a depressão, o estresse, as paranoias, as síndromes, as dependências químicas;
    Se, fisicamente, encontramo-nos à mercê de doenças, pandemias, AIDS; DSTs, tuberculose, sarampo, vírus, bactérias …;
    Agora somos vítimas da comunicação mal feita, da informação falsa, das intrigas, mentiras, difamações … pois o ser humano sempre gostou desse jogo de interesses e conveniências, de ser curioso, de ser intrometido, de se achar sabendo da vida alheia.

    Dito isso, qualquer informação sobre política que recebo via celular ou e-mail, deleto;
    Notícias que desconfio de suas veracidades, deleto;
    Imagens que não me dizem nada, deleto;
    Propaganda, ideologias, obras de políticos … deleto.

    Gosto de piadas, vídeos de mulheres peladas, vídeos cacetadas, as diversões do cotidiano, e watts necessários.
    Sou diferente das demais pessoas?
    Não, claro que não.
    A velhice me ensinou o valor das pessoas, de estar com elas, de tocá-las, senti-las, olhá-las nos olhos, ouvir suas vozes, de consolá-las quando tristes, de compartilhar de suas alegrias quando felizes.

    Por acaso um celular, dos mais caros e sofisticados, vale mais que um abraço e beijo calorosos de um neto ou neta?
    De uma conversa com os filhos?
    Do afago da mulher?
    De uma coçadinha nas costas?
    De um churrasco com filhos ou amigos?
    Até mesmo do cachorro, que nos recebe com manifestações tão efusivas e verdadeiras?

    Não posso ficar à mercê de uma caixinha cheia de peças pequenas. A minha vida é muito mais importante e valiosa.
    Agora, é o pensamento de um idoso, um cara de setenta no lombo, cujos valores, princípios, sentimentos, análise sobre a vida é diferente da juventude e de adultos inexperientes.

    Mas, confesso, vivo muito bem dessa maneira.

  2. – “surgiu uma rede de … desvirtuando o processo democrático”
    Manipulação de informações e destruição de reputações sempre existiram, mas, antes das redes sociais, era um monopólio da grande mídia (no Brasil: rede globo, folha, estadão e agências de notícias). Faz parte do processo democrático a liberdade de discernimento do cidadão. Desvirtua o processo democrático quem se julga no direito de escolher o que é certo ou errado para o eleitor.

    – “a volta da guerra fria, agora contra a China”
    A China comunista é tão boazinha. Vamos analisar as implicações do vírus chinês? Quantas empresas serão compradas a preço de banana pelos hierarcas chineses? As violações de direitos fundamentais pelas autoridades? De big brothers, bastam os 3 marinhos que tentam fazer do Brasil um imenso RJ, não precisamos do PCC.

    – “a base da democracia é a alternância do poder”
    Isso é consequência. A base da democracia é o “we the people” (a soberania do povo), algo que a elite progressista jamais aceitou.

    • Lá, tenho dois sobrinhos, ambos são físicos. Estou falando de pessoas que circulam o território do EUA, não de cadeirantes, e que nem pedem para um hispânico traduzir o que um estadunidense falou: um domina três idiomas e o outro cinco.
      Eles me informaram que ali o clima está pesado: a briga pela Sucessão pode reeditar a Guerra de Secessão.
      Vários são os fatores que estão contribuído com a atmosfera explosiva: o perfil desaforado de Trump, perseguições aos negros nativos e aos imigrantes, prenúncio de recessão, pandemia, guerra comercial com a China e até a morte recente da juíza da suprema corte e a forma como ela foi indicada a sua substituição.

      • Há uma tendência generalizada na mídia, aqui e lá fora, para resumir todos os problemas da política americana à personalidade de Trump, como se antes dele reinasse a paz e harmonia absolutas entre republicanos e democratas. Nada mais fantasioso. Os dois principais partidos americanos vivem em guerra aberta há décadas, praticamente incapazes de chegar a acordo sobre qualquer coisa, exceto invadir outros países e decretar sanções à Rússia. Essa situação levou a extremos como as tentativas de impeachment contra Clinton e Trump, movidas apenas por razões partidárias. A radicalização partidária nos EUA parece remontar, no mínimo, aos ressentimentos deixados pelas campanhas presidenciais de 1988 e 1992, principalmente a última, pois a frustração dos republicanos com a derrota de George Bush pai, cuja reeleição era tida como certa contribuiu muito para antagonizar os dois maiores partidos americanos.
        E não vai ser uma eventual derrota de Trump que vai resolver o problema. Qualquer futuro candidato republicano será apenas o “novo Trump”, assim como há anos que todo candidato republicano, independente de seu histórico, era rotulado pela mídia como “racista, misógino e homofóbico”.
        http://www.thedailybeast.com/articles/2016/08/05/how-paul-krugman-made-donald-trump-possible.html

          • Correto. Exceto que, nos tempos de Truman, não havia tanta diferença assim entre republicanos e democratas. Se os republicanos Thomas Dewey ou Wendell Wilkie tivessem chegado à Casa Branca nos anos 40, a história pouco teria mudado. Republicanos e democratas começaram a se radicalizar a partir dos anos 60, até se tornarem inconciliáveis.

  3. Essa tal pandemia, além de muitos prantos e desordens econômico-financeiras pelo mundo afora, coincidiu ainda com um alinhamento desestabilizador dentro da geopolítica planetária. Donald Trump, Kim Jong-Un, Xi Jiping, Rodrigo Duterte, Boris Johnson, Nicola Maduro, Jair Bolsonaro, Benjamin Netanyahu, Narendra Mobi, Tayyip Erdogan, Bashar Arassad, Hassam Hoani e outros líderes de menor potencial bélico. Até o “santo papa” parece não bater bem da bola!
    Nunca, noutros tempos idos, havia-se formado uma atmosfera beligerante, envolvendo tantas potências nucleares como nestes dias.

  4. ” Um país que tem o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás na mão do Estado, deveria riscar a palavra REELEIÇÃO do seu dicionário”
    Roberto de Oliveira Campos 1.997

  5. Independente da vontade do Presidente TRUMP (74) R-USA, a Constituição dos USA de 1789 constante de só 7 Artigos e até hoje 27 Emendas, 3 1/2 fls que todo Americano sabe de cor, resolve facilmente a questão e o JUDICIÁRIO decide logo.
    Há 231 anos que é assim independente da vontade de alguns Presidentes ou não.

    A vantagem de JOSEPH BIDEN (77) D-USA é muito pequena e vem caindo, sendo até agora impossível prever quem ganhará.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *