Um governo muito solidário

Sebastião Nery

Antonio Carlos Portela era um homem rico e bom. Dava aval a todo mundo, em Petrópolis. Gostava demais de política. Nas campanhas eleitorais, ajudava os amigos avalizando empréstimos para as despesas.

Avalizou um título para um candidato a deputado, que perdeu feio e ficou em dificuldades de pagar. O gerente do banco, sabendo que não receberia do candidato derrotado, foi ao avalista;

– Senhor Portela, o título está vencido. Preciso que o senhor pague. Como avalista, o senhor é solidário.

– Sou, sim. Sou amigo dele e inteiramente solidário com ele. Se ele não pagou, é porque tem seus motivos. Por solidariedade, não pago também.

Do governo Lula, pode-se dizer tudo, menos que não tenha sido um governo solidário. Com os amigos, é claro.

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UNIVERSIDADE MOTEL

Em 2005, a Universidade Makenzie, de São Paulo, demitiu 500 professores neste fim de ano. A Unicapital, outra Universidade paulista, demitiu todos os professores: 1.200. A Unifai, também paulista, demitiu 23 por unidade.

Enlouqueceram? Não. Demitiram para contratarem outros, com 50% dos salários ou no máximo 75% do que os demitidos ganhavam. E os novos ainda vão entrar na estatística dos “milhões de empregos” do governo Lula.

É a Universidade motel, a Universidade churrascaria, com rodízio permanente. O MEC (Ministério da Educação) obriga as Universidades a terem “planos de carreira”. Os professores mais antigos vão aumentando, ano a ano, o valor de suas horas/aula. Por isso, os demitidos são sobretudo os professores mais antigos, mais preparados, mais experientes, mais eficientes.

A operação degola é a Universidade-cão. As reitorias, a cada começo de ano, quando não os demitem, proíbem os coordenadores de atribuírem o mesmo número de aula aos professores mais antigos. Quando a carga horária fica pequena, mandam embora. E substituem por inexperientes mais baratos.

E os alunos voltam às aulas e encontram professores que nunca viram e que também jamais os viram, sem qualquer continuidade pedagógica.

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MENSALÃO SINDICAL

É injustiça ou, no mínimo, impropriedade histórica dizer que José Dirceu, José Genoino, Marcos Valério, Delúbio Soares, são os “pais do Mensalão”. Qualquer líder sindical baiano, sobretudo das áreas de petróleo ou petroquímica, sabe que, muito antes do governo Lula, na Bahia já existia o “Mensalão Sindical”, que, por disfarce, chamava-se “taxa política”.

Foi inventada pelo Jaques Wagner, quando, desde 1987, era presidente do Sindiquímica (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Empresas Petroquímicas, Plásticos e Afins do Estado da Bahia). Todo ano, nos acordos salariais com as empresas, ele embutia uma porcentagem, a “taxa política”, aparentemente para o sindicato fazer política sindical.

Na verdade, a “taxa política” era para política eleitoral. E, desde 1990, com reeleições em 1994 e 1998, o único candidato do sindicato a deputado federal era ele. E era com ela que o sindicato, presidido por ele, fazia a campanha dele.

 

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