Um inesquecível baile na Gafieira Elite, com João Nogueira e Nei Lopes

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João Nogueira, nos tempos da boemia na Lapa

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes e seu parceiro João Nogueira sonharam ter ido a um “Baile no Elite”, tradicional gafieira da Cidade do Rio de Janeiro, onde se apresentava a célebre Orquestra Tabajara, de Severino Araújo. O samba foi gravado por João Nogueira no LP Vida Boêmia, pela Odeon, em 1978.

BAILE NO ELITE
João Nogueira e Nei Lopes

Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçon (Meu Deus do Céu, que baile bom!)
Que coisa bacana, já do Campo de Santana
Ouvir o velho e bom som: trombone, sax e pistom.
O traje era esporte que o calor estava forte
Mas eu fui de jaquetão, pra causar boa impressão
Naquele tempo era o requinte o linho S-120
E eu não gostava de blusão (É uma questão de opinião!)

Passei pela portaria, subi a velha escadaria
E penetrei no salão. Quase morri do coração
Quando dei de cara com a Orquestra Tabajara
E o popular Jamelão, cantando só samba-canção.
Norato e Norega, Macaxeira e Zé Bodega
Nas palhetas e metais (E tinha outros muitos mais)
No clarinete o Severino solava um choro tão divino
Desses que já não tem mais (E ele era ainda bem rapaz!)

Refeito dessa surpresa, me aboletei na mesa
Que eu tinha reservado (Até paguei adiantado)
Manoel, que é dos nossos, trouxe um pires de tremoços
Uma cerveja e um traçado (Pra eu não pegar um resfriado)
Tomei minha Brahma, levantei, tirei a dama
E iniciei meu bailado (No puladinho e no cruzado)
Até Trajano e Mário Jorge que são caras que não fogem
Foram se embora humilhados (Eu estava mesmo endiabrado!)

Quando o astro-rei já raiava e a Tabajara caprichava
Seus acordes finais (Para tristeza dos casais)
Toquei a pequena, feito artista de cinema
Em cenas sentimentais (à luz de um abajur lilás).
Num quarto sem forro, perto do pronto-socorro
Uma sirene me acordou (em estado desesperador)
Me levantei, lavei o rosto, quase morto de desgosto
Pois foi um sonho e se acabou
(O papo é pop e o hip-hop
A Tabajara é muito cara
e o velho tempo já passou!) 

5 thoughts on “Um inesquecível baile na Gafieira Elite, com João Nogueira e Nei Lopes

  1. Mocinho Bonito:

    Mocinho bonito
    Perfeito improviso do falso grã-fino
    No corpo é atleta
    No crânio é menino
    Que além do ABC
    Nada mais aprendeu
    Queimado de sol
    Cabelo assanhado
    Com muito cuidado
    Na pinta de conde
    Se esconde um coitado
    Um pobre farsante que a sorte esqueceu
    Contando vantagem
    Que vive de renda
    E mora em palácio
    Procura esquecer um barraco no Estácio
    Lugar de origem que há pouco deixou
    Mocinho bonito
    Que é falso malandro de Copacabana
    O mais que consegue é “vintão” por semana
    Que a mana “do peito” jamais lhe negou

    Composição: Billy Blanco

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/09/mocinho-bonito.html

    • Quem cantava era Doris Monteiro? Acho que sim.

      Grande compositor foi Billy Blanco. Eu cantava essa música.

      Adorava também o ‘mais alto o coqueiro/ maior é o tombo do coco/ afinal, todo mundo é igual/ Todo tombo termina com terra por cima/e na horizontal’.

      O início então, é genial: “Não fala com pobre/ não dá mão a preto/ não carrega embrulho”.

      “Pra que tanta pose, doutor/ Pra que esse orgulho?”

      “A bruxa, que é cega/ esbarra na gente e a vida estanca”.

      “O infarto te pega, doutor/ e acaba essa banca”.

      Essa música merecia um prêmio especial pela lucidez em meio à poesia. Difícil combinar as duas da forma como Billy Blanco fez.

  2. Billy tem outro espetacular: Piston de Gafieira. (ou coisa parecida)

    Na gafieira segue o baile calmamente
    Com muita gente dando volta no salão
    Tudo vai bem mais eis porém que derrepente
    Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão

    Não é que o Joca um criolo comportado
    Ficou tarado quando viu a Dagmar
    Toda soltinha dentro de um vestido saco
    E foi tirá-la pra dançar.
    Seu parceiro(?) era um faixa preta simplesmente
    E fez o Joca rebolar sem bambolê

    Enquanto dura o vai não vai, na orquestra como parte da rotina
    O piston tira a surdina põe as coisas no lugar.
    (mais ou menos isso) Quem gravou foi o Miltinho

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