Um lado poético infantil do escritor Pedro Nava

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Nava, um memorialista que cultivava a poesia

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O médico, escritor e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Se eu soubesse brincar”, mostra como a brincadeira das crianças revela o seu infindo potencial imaginário. Segundo os educadores, brincar é uma linguagem natural, e é importante que a criança esteja presente na escola desde a educação infantil para que possa se colocar e se expressar através de atividades lúdicas, considerando-se como lúdicas as brincadeiras, os jogos, a música, a arte, a expressão corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianças.

SE EU SOUBESSE BRINCAR
Pedro Nava

Si eu tivesse seis anos si soubesse brincar
pedia ao Menino Jesus que viesse me dar
seus brinquedos coloridos

E ele dava mesmo dava tudo
dava brinquedos variados de todas as cores
brinquedos sortidos
dava bolas lustrosas pra mim soltar de noite e
mandar todas pro céu com minha reza

Dava bolas dava quitanda dava balas
e havia de ficar melado, todo doce de minha baba.

E dava homenzinhos, arvinhas, bichinhos, casinhas e
em minhas mãos ingênuas eu tirava o mundo novinho,
cheiroso de cola e verniz, das caixas nurembergue
pra recomeçar deslumbrando a brincadeira da vida

O Menino Jesus dava tudo si eu fosse menino
si soubesse brincar pra brincar com ele.

5 thoughts on “Um lado poético infantil do escritor Pedro Nava

  1. Brincando, a criança desenvolve sua inteligência, criatividade, suas potencialidades.
    Que poema bonito, singelo, este do Pedro Nava: Vejam “O Menino Jesus dava tudo si eu fosse menino
    si soubesse brincar pra brincar com ele.”
    Gosto também das memórias de Pedro Nava, o escritor-médico de Juiz de Fora – que começou a escrevê-las em Baú de ossos. Sobre este livro escreveu Carlos Drummond de Andrade”Carlos Drummond de Andrade: “Pedro Nava surpreende, assusta, diverte, comove, embala, inebria, fascina o leitor com suas memórias da infância, a que deu o título de Baú de Ossos”.
    O mundo literário brasileiro sentiu ao ouvir a noticia da morte (suicidio) de Pedro Nava, em maio de 1984, após receber um telefonema; o escritor desliga o telefone, sai e não volta mais. Foi para o outro lado da vida.

  2. Pedro Nava é um dos maiores memorialistas brasileiros.Seus livros, Baú de Ossos, Balão Cativo, Chão de Ferro, Beira Mar, Galo das Trevas, O Círio Perfeito, Cera das almas (póstumo, incompleto) são da melhor qualidade literária.

  3. O pai do Nava era cearense, não mineiro. E médico também. Trabalhou perto da minha casa para o serviço público.

    Li Baú de Ossos e O Bicho Urucutum, sobre ele. Meu irmão leu todos os livros dele. Comprou uma nova edição só para guardar.

    Meu irmão comentou várias vezes sobre o ‘olho’ de Nava sobre os pacientes. Que ele e colegas, vamos dizer assim, adivinhavam quem seria o próximo paciente a morrer. Não era um jogo macabro, mas a visão de especialistas em diagnósticos. Nava era um deles.

    Os livros do Nava são pura história do Brasil, da medicina e seus enlaces e desenlaces.

    Chico Anísio, depois de ler o Nava, entrou em depressão.

    Nava, com seu jeito bonachão, não foi feliz. Basta lembrar do que ele disse, que a vida era como um carro com os faróis acesos para trás. Que só iluminam o passado.

    Foi morrer longe de casa porque sabia o estrago que seu tipo de suicídio faria dentro de um apê.

    Grande inteligência e sensibilidade. E desenhava.

    Amigo de mineiros como Fernando Sabino.

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