Um libelo de Tobias Barreto, em protesto contra a escravidão

Resultado de imagem para tobias barretoPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O jurista, filósofo, crítico e poeta Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), no poema “A Escravidão”, questiona a estrutura escravagista do regime monárquico em vigência, opondo-lhe a República e a Abolição. Na primeira estrofe do poema, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais e conivente com a exploração do homem pelo homem. Enquanto que, nos dois últimos versos do poema, encontramos um eu-lírico cético e questionador de todos os dogmas religiosos que não se furta a apontar as falhas Divinas: “Nesta hora a mocidade / Corrige o erro de Deus”.

A ESCRAVIDÃO
Tobias Barreto

Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!…

2 thoughts on “Um libelo de Tobias Barreto, em protesto contra a escravidão

  1. A escravidão, continua, disfarçada pelo salário mínimo miserável,”Chicote do tronco” 53 milhões na rua da amargura (13 milhões de desempregados) e as prerrogativas imperiais dos 3podres poderes, que roubam bilhões, fazendo a infelicidade de 200 milhões, até quando meu DEUS, o Brasil vai continuar sob o Comando das Trevas.

  2. A escravidão foi um tema recorrente em defesa da abolição. Em Lima Barreto, Castro Alves a escravidão está sempre presente.
    Não nos libertamos ainda. Somos mais de 12 milhões de desempregados que vivemos em situação de escravidão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *