Um marechal honesto e ingnuo

Carlos Chagas

O general Henrique Lott foi dos mais honestos e competentes chefes militares do Brasil. Ingnuo, tambm. Votou em Juarez Tvora para presidente da Repblica, em 1955, mas insurgiu-se contra a negativa de posse do candidato vitorioso, Juscelino Kubitschek, quando um bando de generais e de civis golpistas tentaram impedir sua posse. Prendeu a metade deles, menos os que eram deputados, porque detinham imunidade parlamentar. Mas assegurou o cumprimento da Constituio. Quando da sucesso de JK, viu-se feito candidato e foi um desastre como tal, especialmente porque seu adversrio era Jnio Quadros, rei dos malandros. Nacionalista, Lott enfrentou o adversrio com a fora de sua ingenuidade e por isso perdeu a eleio.

Certa feita, general jᠠ promovido a marechal, desembarcou em Florianpolis, sendo recebido pelos cardeais do PSD, partido de JK, com Celso Ramos frente. O cacique pessedista, ainda no aeroporto, apelou ao candidato para que omitisse seu programa de governo no que dizia respeito educao. Porque Lott vinha pregando pelo pas inteiro a estatizao do ensino publico. Queria as escolas gratuitas e geridas pelo Estado, acabando com a explorao dos estabelecimentos privados empenhados no lucro. Celso Ramos pediu que no tocasse no tema, no comcio daquela noite, porque em Santa Catarina a imensa maioria das escolas era particular, especialmente religiosas.

No palanque, o general falou da importncia da nacionalizao das atividades sociais, mas no abordou o ensino. J terminava seu discurso e os dirigentes do PSD exultavam, pois nem uma palavra fora dita contra as escolas particulares. Agradecendo multido, aplaudidssimo, Lott abraou Celso Ramos e concluiu: Para demonstrar que sou um candidato honesto e inflexvel, que no se dobra s presses do capital especulativo, termino respondendo a meu amigo e correligionrio aqui presente. Recuso seu apelo de ignorar minha determinao relativa ao ensino pblico: se eleito, vou estatizar todos os colgios privados, dando ao povo condies de instruir-se sem privilgios nem exploraes!

Vieram as eleies e o marechal perdeu de alto a baixo em todo o estado. Os catarinenses discordaram dele.

Esse episdio se conta a propsito das eleies de outubro. Dilma, Acio e Eduardo dispem em seus programas de governo de farta argumentao favorvel ao ensino pblico, mesmo decididos a coabitar com as escolas privadas. Perguntem o que defendero em Santa Catarina…

5 thoughts on “Um marechal honesto e ingnuo

  1. O povo sempre se deixa envolver pela propaganda que mais lhe
    toca ao corao, no usam a razo e sim a emoo, na maioria das vezes por ignorncia poltica. Se O General nacionalista Henrique Teixeira Lott
    tivesse ganho as eleies, com certeza, o Brasil hoje seria muito melhor.

  2. Realmente o Candidato Nacionalista Presidncia HENRIQUE LOTT (PSD-PTB), alm de honesto e ingnuo, em relao a Educao em Santa Catarina estava muito mal informado. Na poca, SC queria Siderurgia, melhor aproveitamento do carvo, Infra-Estruture em geral, etc, e o Candidato, mesmo avisado pelo Governador CELSO RAMOS (PSD), veio a bater firma na tecla Ensino Pblico, que no era prioridade.
    O Estado composto por +- 40% Lutheranos e 60% Catlicos. Os Lutheranos so famosos por seu alto grau de Alfabetizao e seus Colgios Sinodais Particulares, e a Comunidade Catlica com seus Colgios Jesutas, Maristas, grandes Ordens Religiosas Femininas, etc, e tambm seus Colgios Particulares. Mas os Governos de SC sempre deram, como at hoje, especial ateno a Educao Pblica.
    O Gov. VIDAL RAMOS (PRSC) ( 1902-1905 e 1910 – 1914) por acaso pai do Gov. CELSO RAMOS, se imortalizou por grande Reforma do Ensino Pblico, levando a cada Municpio um Grupo Escolar ( Secundrio), e a cada Distrito uma Escola (Primria), e em +- cada 5 Municpios uma Escola Normal ( formadora de Professores).
    O Gov. IRINEU BORNHAUSEN ( UDN) ( 1951 – 1956) em seu famoso Plano de Desenvolvimento Econmico, ampliou muito a Reforma de Ensino Pblico do Gov. VIDAL RAMOS, elevando tambm os Salrios dos Professores.
    O Gov. CELSO RAMOS ( PSD) ( 1961 -1966), at para no ficar atrs do Pai, colocou em destaque o Ensino Pblico no seu tambm famoso PLAMEG ( Plano de Metas do Governo) que foi cumprido integralmente, deixando surpresos at os Adversrios UDENISTAS que at hoje reconhecem o Mrito.
    At os anos 70’s, Santa Catarina s perdia para o Rio Grande do Sul em Educao Pblica ( leia-se ALFABETIZAO), e hoje com orgulho ocupa o 1 Lugar do Pas, apesar de todos reconhecerem que temos muito ainda para melhorar, a comear por estruturar uma melhor Carreira para nossos PROFESSORES.

    • Excelente, Flvio Bortolotto. Sou catarinense de Tangar, moro em Buenos Aires. Estudei em escola pblica, estou de acordo que preciso conhecer as prioridades de SC para dirigir-se aos catarinenses. Na poca, mais que nunca, SC necessitava estradas (era puro barro), siderurgia, eletrificaao rural (a maioria da gente do oeste usou luz de lampiao at a dcada de 60). Entao, vai l o Marechal-candidato (honesto, ingnuo e tambm teimoso) e desafina. Penso que at hoje, muitos dos candidatos sabem pouco de SC.
      SALUDOS POR A, sei que est frio.

    • Prezado Sr. HLIO PEROTTO, Saudaes.

      Muito Obrigado pela complementao de meu comentrio. Por aqui est realmente um pouco frio, tendo cado ontem a noite nos altos da Serra Geral, fina camada de neve. Esperamos sempre mais Comentrios em nosso bom Jornal onLine Tribuna da Internet, onde procuramos debater em bom nvel os Problemas Nacionais. Abrs.

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