Um melancólico anoitecer, no estilo parnasiano de Raimundo Correia

O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911) descreve o anoitecer, seguindo o estilo parnasiano a que pertencia, estilo este que tem como uma de suas características a descrição de algo que pode ser um objeto, um acontecimento, um fenômeno da natureza, uma paisagem etc.

ANOITECER
Raimundo Correia

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol… Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia…

Um mundo de vapores no ar flutua…
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua…

A natureza apática esmaece…
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula… Anoitece.

                 (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

3 thoughts on “Um melancólico anoitecer, no estilo parnasiano de Raimundo Correia

  1. 1) Grande Raimundo Correa, letra bela e que nos leva à reflexão.

    2) Licença: em 30 de maio de 1892, fundada em Fortaleza, CE, a “Padaria Espiritual Sociedade Literária”. Reunia os intelectuais da época, pena que só durou quatro anos.

    3) Fonte: Biblioteca Nacional, Agenda, 1993.

  2. Também gosto dele de “As pombas”, Mal secreto em que ele mostra como as aparências enganam

    Mal Secreto

    Se, a cólera que espuma, a dor que mora
    N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
    Tudo o que punge, tudo o que devora
    O coração, no rosto se estampasse;

    Se se pudesse, o espírito que chora,
    Ver através da máscara da face,
    Quanta gente, talvez, que inveja agora
    Nos causa, então piedade nos causasse!

    Quanta gente que ri, talvez, consigo
    Guarda um atroz, recôndito inimigo,
    Como invisível chaga cancerosa!

    Quanta gente que ri, talvez existe,
    Cuja ventura única consiste
    Em parecer aos outros venturosa!

    Raimundo Correia

    • Quando fiz concurso para professora, caiu na prova d redação uma poesia de Raimundo Correia.

      Que dizia, mais ou menos assim:
      “A ilusão é como a esperança
      De um bem que tarda e afinal se alcança;
      De um bem que um dia há de, afinal, chegar.
      Enquanto este não chega e dura aquela,
      Goza-se mais com ela do que com o próprio bem se há de gozar.”

      Parece até nós, não parece?

Deixe uma resposta para Carmen Lins Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *