Um poema quase sem explicação, de Moacyr Félix

O editor, escritor e poeta carioca Moacyr Félix de Oliveira (1926-2005), no “Poema Quase Explicação”, mostra como as luzes noturnas podem desenhar o mundo que habitamos.

POEMA QUASE EXPLICAÇÃO                

Moacyr Félix

Luzes cortaram mais uma vez a noite básica
e desenharam o mundo em que vivemos.

E as estrelas derramaram pedra e cal
e construíram em cada olhar muralhas
onde fonte magra pinga sol e lua
– e o relógio é um deus cantando as horas
horas de pedra e cal, prontas para o nada.

Simplificado como uma lágrima
cruzaste a tua ponte de meninos mortos:
não mais o refletido caminhar
de teus passos na noite iluminada,
mas o descer com os olhos a ladeira
e deixá-los no cárcere sem portas
onde os ratos e os anjos se devoram.

Impassível como um tronco de árvore, onde
os homens gravam a canivete o que calaram.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

One thought on “Um poema quase sem explicação, de Moacyr Félix

  1. Instruções dos espíritos – Allan Kardec

    O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe dado a levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir , goza ele enquanto aqui permanece. Desde, porém, que é forçado a abandonar tudo isso , não tem a posse real das suas riquezas, mas, simplesmente, o usufruto. Que possui ele, então ? Nada que é do uso do corpo; tudo que é uso da alma: A inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso é o que ele traz e leva consigo, o que ninguém pode lhe arrebatar.

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