Um poeta que encobria os olhos da amada sob uma discreta folha de parreira

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O dramaturgo, jornalista, contista e poeta maranhense Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (1855-1908), no soneto “Por Decoro”, sustenta que os olhos do seu amor, quando expostos publicamente, deveriam estar cobertos por uma discreta folha de parreira.

Resultado de imagem para artur de azevedoPOR DECORO
Artur Azevedo

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranquilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira

5 thoughts on “Um poeta que encobria os olhos da amada sob uma discreta folha de parreira

  1. Que poema fantástico! Não há uma palavra, um som, que seja, fora do lugar. O Paulo Peres permite que nossos dias sejam alguma coisa melhores. Obrigado, Paulo, obrigado CN e TI.

  2. Tudo se percebe, tudo se vê quando se pode.
    Porque enquanto a imaginação prossegue,
    a vida segue e nem se vê porque se morre.
    (também fiz agora)

    PS: Saudade dos meus personagens preferidos, como o Virgílio.

  3. O maranhense Artur Azevedo foi poeta, contista, jornalista, teatrólogo, caricaturista, muito mais. O irmãos mais velho do escritor Aluizio de Azevedo, era também romântico em suas poesias.

    “Os olhos lânguidos de seu doce amoro deveria ser coberto por uma folha de parreira”

  4. Arrufos – Artur Azevedo

    Não há no mundo quem amantes visse
    Que se quisessem como nos queremos…
    Um dia, uma questiúncula tivemos
    Por um simples capricho, uma tolice.

    — “Acabemos com isto!”, ela me disse,
    E eu respondi-lhe assim — “Pois acabemos!”
    E fiz o que se faz em tais extremos:
    Tomei do meu chapéu com fanfarrice.

    E, tendo um gesto de desdém profundo,
    Saí cantarolando… (Está bem visto
    Que a forma, aí, contrafazia o fundo).

    Escreveu-me… Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
    Nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
    Eram capazes de acabar com isto!

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