Um soneto de Artur da Távola

Artur da Távola era o psedônimo do carioca Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros (1936-2008) que, além de advogado, jornalista, radialista, professor e político, era um excelente poeta como podemos perceber neste soneto, em que ele aborda os estados e os sentidos que fazem o poema existir ainda que Inascido.

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SONETO INASCIDO

Artur da Távola

O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.

O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.

O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.
O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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