Um tiro entre as pernas

Sebastião Nery

Em 1965, quando o general Castelo Branco proibiu as candidaturas do marechal Lott e do ex-ministro de João Goulart, Helio de Almeida, para o governo da Guanabara, na sucessão de Lacerda, que havia lançado Flexa Ribeiro, o PTB, PSB e PSD procuravam um nome para unir as oposições.

Surgiram as sugestões de Osvaldo Aranha Filho, o Vavau Aranha, e do deputado petebista Rubens Berardo, dono da TV Continental. Para decidir entre os dois, houve uma reunião na casa de Vavau Aranha, com a presença de Rubens Berardo e várias lideranças políticas, sindicais e estudantis, inclusive o saudoso professor Osíris Lopes Filho, depois diretor da Receita Federal.

Vavau começou a mostrar a Berardo e aos outros uma coleção de armas antigas, inclusive uma poderosa pistola da Grande Guerra. A pistola disparou e a bala passou entre as pernas de Rubens Berardo, que se molhou todo.

Ninguém mais falou em candidatura. Acabou saindo Negrão de Lima, e vencendo, com o elegante e molhado pernambucano Rubens Berardo de vice.

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SÃO PAULO

As frequentes guerras civis da bandidagem, que explodem em São Paulo e outros estados, são um inesperado tiro entre as pernas. Tanto o governo federal como os estaduais fazem uma caótica politica de segurança e carcerária. As prisões, as penitenciárias, superlotadas, são depósitos de gente, amontoados aos milhares, comandados por grupos (PCC, CV, ADA) que tomam a direção dos presídios.

Os presos são despejados ali e logo eles se transformam em escritorios de comando do crime, entrando todo tipo de armas, de drogas, de celulares, de advogados que de fato são pombos-correio dos chefes criminosos e com visitas íntimas que na verdade são despachos para as tarefas criminosas.

Quando os mais perigosos, e com penas maiores, são postos em penitenciárias de segurança máxima, logo começa o poderoso lobby das drogas nas ONGs, na imprensa, na política, na justiça, nas liminares suspeitas. As empresas telefônicas não deixam instalar bloqueadores de celulares. Fernandinho Beira Mar passeia pelas cadeias do País, desfilando como a virgem do crime. E nada muda. A política nacional de segurança é um tiro entre as pernas.

 

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