Um tributo ao velho Clint Eastwood

Diego Marques (Diário do Centro do Mundo)

Clint Eastwood não morreu. Mas, aparentemente, esse tem sido o desejo de muita gente desde que o ele deu uma bronca numa cadeira vazia que representava Barack Obama na convenção republicana. A cena virou motivo de piada na internet.  Mas não podemos deixar que essa palhaçada ofusque o que o velho representa.

Clint e a cadeira vazia

Clint foi uma figura importantíssima no faroeste spaghetti, um dos gêneros mais cultuados do cinema. Foi a partir de sua parceria com o italiano Sergio Leone, na trilogia do Homem sem Nome, que ele se tornou um ícone como o anti-herói do Velho Oeste. Clint personificou a figura amargurada e perigosa que foi um contraponto cínico do western tradicional, feito por diretores como John Ford.

Depois, já como diretor, faria um dos maiores clássicos do gênero: Os Imperdoáveis. O filme, que acaba de completar 20 anos, foi indicado em nove categorias para o Oscar e catapultou sua carreira na direção. Clint tem uma grande performance no filme, trazendo uma versão atualizada de seus personagens marcantes dos anos 60 e 70; algo como uma visão deles na terceira idade, assombrados pelo passado. Um absurdo Clint não ter ganho o Oscar de melhor ator, ainda que o vencedor tenha sido Al Pacino por Perfume de Mulher.

Seus filmes são de uma humanidade incrível. Não caem na divisão simplista do mundo entre heróis e vilões. Clint é um ator minimalista. Usa poucas palavras, que na maioria das vezes podem ser substituídas por seu olhar e expressão. O mesmo método é usado quando trabalha como diretor. Sempre pergunta aos atores se acham que têm algo a mais a trazer à cena. Caso contrário, parte para o próximo passo. Dizem ser raríssimo fazer mais do que três tomadas. É do Clint Eastwood artista que lembraremos sempre.

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