Uma cadeira vazia, simbolizando o amor impossível

Lupicínio e Alcides, dois grandes músicos e compositores

O cantor e compositor gaúcho Alcides Gonçalves (1908-1987), na letra de “Cadeira Vazia”, em parceria com Lupicínio Rodrigues, conta a estória da vítima da mulher traidora, volúvel, sempre disposta à traição que, ao voltar arrependida, encontra, senão amor, pelo menos compaixão, uma vez que perdoá-la é impossível. Este samba-canção foi gravado por Francisco Alves, em 1950, pela Odeon.

CADEIRA VAZIA
Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra meu amor fique a vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra podes entrar a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas tristes
Que não gosto de lembrar esse dia
Mas de uma coisa pode ter certeza
Teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu es a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que eu sou o teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar
Podes comer meu pão

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

15 thoughts on “Uma cadeira vazia, simbolizando o amor impossível

  1. Senhores,
    Não conhecia a canção dos grandes Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves. Mas o título
    CADEIRA VAZIA é uma imagem muito poderosa e recorrente na poesia.
    Para meus vizinhos de blog e de mundo….

    Encomenda

    Desejo uma fotografia
    como esta – o senhor vê? – como esta:
    em que para sempre me ria
    como um vestido de eterna festa.

    Como tenho a testa sombria,
    derrame luz na minha testa.
    Deixe esta ruga, que me empresta
    um certo ar de sabedoria.

    Não meta fundos de floresta
    nem de arbitrária fantasia…
    Não… Neste espaço que ainda resta,
    ponha uma cadeira vazia.

    Cecília Meireles

    • Não conhecia, Moacir, esta poesia da Cecília, patrono no meu convite de formatura e da qual fui muito fã.

      “Por aqui vou, sem programa, sem rumo,
      se nenhum itinerário.
      O destino de quem ama é vário como o trajeto do fumo.

      Minha canção vai comigo, vai doce.
      Tão sereno é seu compasso que penso em ti, amigo, se fosse
      Em vez da canção, teu braço.

      Ah, mas logo ali, adiante, tão perto, acaba-se a terra bela.
      Para este pequeno instante, decerto, é melhor ir só com ela.

      Isto são coisas que digo, que invento, para achar a vida boa.
      A canção que vai comigo é a forma de esquecimento do sonho sonhado à toa.”

      Escrevi de cabeça, não sei se está dividida e escrita corretamente.

      Acho, Moacir, que não será difícil deduzir outras tantas cadeiras vazias por aí. Como compôs Fernando Lobo,, “Oi zum, zum, zum, zum, zum, tá faltando um”.

      Sempre falta um, como na composição de Sérgio Bittencourt para o pai, Jacob do Bandolim: “Naquela mesa está faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim.”

      Muitas cadeiras vazias, muitas.

      • Sim , muitas perdas e saudades. Mas recordar é viver e podemos imaginar , também, que a cadeira está vazia para quem ainda vai chegar ou para as pessoas que nos tornaremos amanhã , se nos for dada a benção de aprender e evoluir.
        E aí me lembro de outro poema dela:

        4º Motivo da Rosa

        Não te aflijas com a pétala que voa:
        também é ser, deixar de ser assim.
        Rosas verás, só de cinzas franzida,
        mortas, intactas pelo teu jardim.
        Eu deixo aroma até nos meus espinhos
        ao longe, o vento vai falando de mim.
        E por perder-me é que vão me lembrando,
        por desfolhar-me é que não tenho fim.

        • Moacir, há vinte e muitos anos comprei num sebo um livro de uma aviadora inglesa, chamada Beryl Markham, “West by Night” (aliás um livro muito interessante) e encontrei na folha de rosto a dedicatória, em letra feminina, que era justamente este motivo da rosa. Não havia nela o nome nem do presenteado nem de quem tinha dado o presente. A reedição era nova, de alguns anos antes, e sempre me intrigou como um livro tão bom e de alguém que tivesse recebido uma dedicatória tão carinhosa tivesse ido parar num sebo tão pouco tempo depois de dado de presente… Me intrigou tanto que escrevi uma página sobre ele, num blog que eu publicava e em que ultimamente não tenho mais escrito.

  2. 1) Grandes nomes citados da história da MPB.

    2) Letra poderosa, bem realista.

    3) Outro assunto: anunciado que o brasileiro Raduan Nassar recebeu o Prêmio Camões, maior galardão das Letras em nossa Língua Portuguesa. Cerimônia de entrega em Lisboa, breve.

    4) Licença: em 31 de maio de 1913, nasce em Niterói o escritor e ensaísta Miécio Tati, autor, entre outros, de “Estudos e Notas Críticas (1958)”.

    5) Fonte: Biblioteca Nacional, Agenda, 1993.

  3. Muito Bem Senhores: Paulo Peres,Pimentel,e Rocha.
    Aí no RJ. O cantor Jamelão era o interpretes das músicas
    do Lupicínio Rodrigues.. Entre tantas, o samba “acaso VC
    chegar/o meu coração encontrar/aquela mulher que me abandonou”…….será que tinha coragem…….

    Fez sucesso na época,onde predominava a poesia,amor
    e melodia…..Hoje até nisso exterminaram..

    • Luiz Fernando, eu sou do Rio.
      Fui algumas vezes ouVER o Jamelão no Café Nice, na Cinelândia. Que voz, que figura…
      Diziam que ele era mal-humorado. Não percebi isto, não deu tempo. Talvez fosse timidez.

  4. Lero-Lero
    Edu Lobo

    ——————-

    Sou brasileiro de estatura mediana
    Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer
    Porque no amor quem perde quase sempre ganha
    Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder

    Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero
    Não tolerolero lero lero devo nada pra ninguém
    Sou descasado, minha vida eu levo a muque
    Do batente pro batuque faço como me convém

    Eu sou poeta e não nego a minha raça
    Faço versos por pirraça e também por precisão
    De pé quebrado, verso branco, rima rica
    Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução

    Sou brasileiro, tatu-peba taturana
    Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor
    Quatro vez sete vinte e oito nove fora
    Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor

    Não entro em rifa, não adoço, não tempero
    Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás
    Por onde passo deixo rastro, deixo fama
    Desarrumo toda a trama, desacato Satanás

    Sou brasileiro de estatura mediana
    Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer
    Diz um ditado natural da minha terra
    Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá

    Desacredito no azar da minha sina
    Tico-tico de rapina ninguém leva o meu fubá

  5. Cadeira vazia, uma canção eterna do grande compositor da dor de cotovelo Lupicinio Rodorigues e Alcides Gonçalves.Foi magistralmente interpretada por Elis Regina e também por Ângela Maria. Uma fadista, Marisa – de Portugal também cantou esta maravilha com muita sensibilidade. O amor está eternamente presente nesta canção. Salve Lupicinio! Salve Paulo Peres por nos presentear todos os dias com com canções e poemas tão sensíveis.

  6. Virgílio, AMO Edu Lobo. Havia um LP (naquela época era LP) na minha casa que se chamava (chama) Cidade Nova. Não sei como não tocou do outro lado de tanto que eu ouvia. Só músicas lindas e a voz inconfundível do EDU.

    Obrigada, Paulo Peres, pelo momento poesia-descontração. Ultimamente só falamos de coisas duras e tristes. Enfeiaram e entristeceram nossas vidas.

    Ainda bem que você está aqui na TI para nos lembrar que o outro lado existe. O da alma, do AMOR.

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