Uma conspiração bem orquestrada

Carlos Chagas

Há dúvidas sobre se Dilma Rousseff acordou e percebeu de onde vem a campanha que assola o governo com greves variadas de servidores públicos. Mais ainda, indaga-se estar a presidente consciente de que logo irromperá o movimento no setor privado. Porque para este segundo semestre, com os metalúrgicos à frente, preparam-se paralisações para ninguém botar defeito.

Trata-se de uma ação organizada e consciente para levar o governo a um impasse. Ou cede às reivindicações, algumas delas absurdas, ou continua irredutível e assiste à gradativa estagnação da economia. A quem interessa esse nó? Com que finalidade?

Ilude-se quem jogar a responsabilidade nas centrais sindicais. Com a CUT à frente, elas funcionam mais ou menos como as mãos do gato, para tirar as castanhas do fogo. Com o prato na mão, para degluti-las, está o PT, ironicamente o partido de Dilma, agastado com a pouca importância que vem tendo na administração federal. O PT, sem faltar o seu líder principal, que não pode ser outro senão… (cala-te boca). Porque um movimento de tal envergadura não se desenvolveria sem pelo menos o beneplácito do Lula. Ou até sua orquestração.

A presidente tem realizado sucessivos encontros com líderes partidários, a começar pelos companheiros. Ainda esta semana jantou com a bancada petista, mas não ficou apenas nela. O vice-presidente Michel Temer tem sido convocado, o PMDB é ator importante na peça. O líder socialista Eduardo Campos esteve no palácio da Alvorada. E outros.

O problema é que o surto grevista não poderá ser contido apenas pelos partidos da base oficial. Sequer pela liberação de verbas para atender emendas individuais ao orçamento. Despertaram o leão até agora adormecido, com o agravante de que ele tinha fome, depois de um jejum de oito anos estabelecido pelo governo passado. Muitas categorias que cruzaram os braços tem fartos motivos para protestar, como professores, médicos e policiais. Outras, nem tanto, mas o que chama a atenção é o conjunto, impossível de se formar e se desenvolver sem um objetivo. Qual? O de levar a presidente à defensiva, a perder o controle do governo, abrindo ou não as portas do tesouro nacional. Como 2014 vem aí, basta somar dois e dois.

O singular nessa equação é que as oposições formais estão de fora. A conspiração é exógena. Vem de dentro do sistema que tomou conta do país em 2002.

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MOTIVAÇÕES DIVERSAS

Terá sido apenas em função da voz rouca das ruas que se reuniram 80 senadores para cassar o mandato de Demóstenes Torres? Porque raras vezes registrou-se quorum tão alto. Claro que o Senado devia explicações à opinião pública, na medida em que jamais poderia deixar de punir o agora ex-representante de Goiás. Mas há quem suponha, também, ter havido um acerto de contas entre os principais dirigentes da Câmara Alta e Demóstenes.

Durante anos ele não poupou figuras como José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Fernando Collor e outros. Sempre que pode, lançou sobre eles a suspeição de malfeitos variados. Mais do que duro, foi cruel quando vestiu a armadura de cavaleiro andante da ética e da moral. Flagrado em irregularidades, recebeu o troco, com juros. Só faltou um senador, de licença para tratar de questões pessoais. Os demais foram mobilizados. Por quem?

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AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA

Apelou o ex-presidente Fernando Henrique para a galhofa, quando perguntado sobre se doaria para alguma instituição de caridade o milhão de dólares que recebeu como prêmio da biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Respondeu que já estava doando mais de 27% da quantia para o governo brasileiro, a título de impostos. E até tripudiou acrescentando esperar que fossem bem gastos.

Ora, quem mais aumentou impostos no país senão o sociólogo? Se tem alguma reclamação a fazer, dirija-se ao período em que governou o Brasil…

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