Uma corrida de amor, na poesia de Vicente de Carvalho

O magistrado, jornalista, político, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), no soneto “Corrida de Amor”, confessa uma paixão desenfreada.

CORRIDA DE AMOR
Vicente de Carvalho

Quando partiste, em pranto, descorada
a face, o lábio trêmulo…confesso:
arrebatou-me um verdadeiro acesso
de raivosa paixão desatinada.

Ia-se nos teus olhos, minha amada,
a luz dos meus; então, como um possesso,
quis arrojar-me atrás do trem expresso
e seguir-te correndo pela estrada…

“Nem há dificuldade que não vença
tão forte amor!” pensei. Ah! como pensa
errado o vão querer das almas ternas!

Com denodo, atirei-me sobre a linha…
Mas, ao fim de uns três passos, vi que tinha
para tão grande amor, bem curtas pernas…

             (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

4 thoughts on “Uma corrida de amor, na poesia de Vicente de Carvalho

  1. 1) Paulista que virou bairro carioca… parabéns ao escritor e ao bairro …

    2) Poesia bonita, meio tristonha, falando das dores de cotovelo que pululam por aí.

    3) Licença: em 7 de junho de 1839 nascia em Vila do Carmo, SE, Tobias Barreto, autor de ensaios filosóficos e jurídicos.

    4) Fonte: Biblioteca Nacional, Agenda, 1993.

  2. Hoje a sinapse provocada pelo último verso aí do grande Vicente foi lusitana. O poema trouxe-me à mente a famosa poesia de nome…

    Raquel

    “Sete anos de pastor Jacó servia
    Labão, pai de Raquel, serrana bela;
    mas não servia ao pai, servia a ela,
    que a ela só por prêmio pretendia.

    Os dias, na esperança de um só dia,
    passava, contentando-se com vê-la;
    porém o pai, usando de cautela,
    em lugar de Raquel lhe dava Lia.

    Vendo o triste pastor que com enganos
    lhe fora assim negada a sua pastora,
    como se a não tivera merecida,

    começa a servir outros sete anos,
    dizendo: mais serviria, se não fora
    para tão longo amor tão curta a vida!”

    Luis Vaz de Camões

  3. Vicente de Carvalho ficou conhecido como “o poeta do Mar” .
    Olha a dor de cotovelo:
    “Quando partiste, em pranto, descorada
    a face, o lábio trêmulo…confesso:
    arrebatou-me um verdadeiro acesso
    de raivosa paixão desatinada.”

  4. “Mar, belo mar selvagem!
    O olhar que te olha só te vê rolando
    A esmeralda das ondas, debruada
    Da leve fímbria de irisada espuma…
    Eu adivinho mais: eu sinto… ou sonho
    Um coração chagado de desejos
    Latejando, batendo, restrujindo
    Pelos fundos abismos do teu peito.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *