Uma difícil geografia no segundo turno

Carla Kreefft

Inicia agora uma nova fase na disputa presidencial. A herança eleitoral do primeiro turno poderá ser mantida ou não. Tudo dependerá da capacidade das campanhas de Aécio Neves e Dilma Rousseff de preservar o que tiveram na primeira fase da eleição e de ampliar o leque de eleitores.

O segundo turno é uma nova eleição. Tudo pode acontecer. Mas as tendências não podem ser desconhecidas. O candidato do PSDB iniciou, um pouco antes do fim do primeiro turno, uma curva acentuadamente ascendente, o que permite um início mais tranquilo nesta segunda fase de votação.

Por outro lado, a candidata Dilma Rousseff mostrava uma curva mais reta, o que indica estabilidade. Assim, é possível dizer que, para ela, será mais difícil perder votos, tal como será mais difícil ganhar votos. Não gratuitamente, a presidente já iniciou um trabalho de preservação de seu eleitorado. Ela começa a campanha pelo Nordeste, onde tem votação expressiva. Em seguida, ela se encaminha para Minas Gerais, onde tem boa votação, ainda que muito próxima à de seu adversário.

Depois desse trabalho de manutenção, que se esgota na semana que vem, a presidente deverá tentar novas regiões, especialmente no Sul do país. Em São Paulo, a campanha petista deve se conformar com a derrota. O Estado parece ser considerado território perdido para a campanha de Dilma. Ao contrário, Aécio Neves deverá tentar a manutenção da sua boa frente naquele Estado, consciente de que a votação que obteve está intimamente relacionada à participação dos tucanos paulistas, como Geraldo Alckmin e, em menor intensidade, José Serra. Aécio também deverá manter seus esforços em Minas Gerais; o Estado é uma região em que os tucanos acreditam que podem ampliar a votação.

NORDESTE 

Para os tucanos, o Nordeste é uma região mais difícil e não deve constar na lista de prioridade. Somente Pernambuco deverá ganhar atenção especial, mas no sentindo de angariar a adesão dos pernambucanos à campanha de Marina Silva, candidata derrotada no primeiro turno de votação.

A influência que Marina poderá ter na campanha de Aécio Neves, a quem ela deverá formalizar apoio, é uma grande incógnita. O PSB, partido que abriga Marina, vai com Aécio e, certamente, vai significar um apoio importante. O PSB tem estrutura e lideranças de peso. Já Marina, considerada isoladamente – até porque já está se afastando do PSB após a derrota –, tem menos estrutura e uma militância mais complicada. A Rede, embora não exista oficialmente, tem todos os problemas que um partido formal tem: divergências internas, falta de unidade, lideranças em disputa e um programa que, ao invés de agregar, é uma verdadeira ameaça à unidade. (transcrito de O Tempo)

2 thoughts on “Uma difícil geografia no segundo turno

  1. VEJA on line

    Marina encerra suspense e anuncia apoio a Aécio Neves

    A ex-candidata, que recebeu 22 milhões de votos no primeiro turno, declara apoio após carta de compromisso do candidato tucano

    Marina Silva anuncia apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições
    Marina Silva anuncia apoio ao candidato Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições (Marcos Alves/Agência o Globo)

    Na manhã deste domingo, a candidata Marina Silva (PSB), que chegou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2014 com cerca de 20 milhões de votos, anunciou seu apoio “como cidadã” a Aécio Neves (PSDB), na disputa do segundo turno.

    Carta enviada por Aécio Neves nesse sábado teve papel fundamental na decisão. Marina fez questão de ressaltar que interpretou a carta não como tentativa de atrair seu apoio, mas sim como “carta-compromisso endereçada ao povo brasileiro”.

    Além da convergência nas questões macroeconômicas, ela citou ainda pontos fundamentais de aproximação entre a plataforma tucana e a que ela defende, como compromissos de âmbito energético, educação, fim da reeleição e transformação do Bolsa Familia em direito e não em favor do estado. Ela voltou a demonstrar que os ataques da campanha petista deixaram marcas profundas.

    Durante o anúncio, Marina mostrou dominar as técnicas do suspense. Ela caprichou no ‘marinês’ e conseguiu encaixar até uma citação ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, cujos livros a acompanharam na campanha presidencial.

    O PSB, partido sexagenário que acolheu a candidatura de Marina depois da morte de seu líder Eduardo Campos, já havia declarado apoio ao candidato tucano, superando a oposição de integrantes da velha guarda partidária como Roberto Amaral. Marina lembrou ainda que seu partido, a Rede Sustentabilidade, cujo registro ainda está pendente, liberou para seus filiados o voto branco, nulo ou em Aécio Neves, excluindo apenas o apoio à presidente Dilma Rousseff (PT)

    PS. Aécio com 17,6 pontos na frente, segundo pesquisa Época/Sensus

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *