Uma paixão ardente, na poesia de Adalgisa Nery 

Adalgisa Nery, vista por Diego Rivera

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, no “Poema da Amante”, faz ardentes confissões amorosas.

POEMA DA AMANTE
Adalgisa Nery

Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

One thought on “Uma paixão ardente, na poesia de Adalgisa Nery 

  1. 1) Parece que a poetisa andou sofrendo muito com a paixão desenfreada. Veja a fraseno final: “eu te amo perdidamente”. Muito usada, mas prova que a pessoa está em desequilíbrio, está perdida, não sabe para onde vai. E os envolvidos na questão forçosamente irão sofrer…

    2) Melhor, diz a Filosofia Budista é amar saudavelmente, equilibradamente, moderadamente. Em tudo e, portanto, no amor, tb é necessário amar com desapego … então todos serão felizes para sempre.

    3) Licença: em 15 de junho de 1886, Machado de Assis publica no jornal A Estação, RJ, os primeiros capítulos do seu livro Quincas Borba.

    4) Fonte, BN, Agenda, 1993.

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