Uma poesia livre de Abgar Renault, para louvar a intangível beleza da mulher amada

Biografia -

Abgar Renault, absolutamente romântico

Paulo Peres
Poemas & Canções
O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995) descreve, neste poema, a “Intangível Beleza” de uma mulher que surge como uma sereia.
A INTANGÍVEL BELEZA
Abgar Renault


Saiu da mão direita de Deus e é contemporânea do Gênesis.

Seus curvos braços, feitos para fecharem-se,
ainda estão imóveis, em golfo abertos,
friamente, diante de todas as águas,
com seus peixes, suas ondas, seu sal cheio de música.
Apenas os estremece, às vezes, um ritmo de fuga ante o esplendor do fogo próximo.

Compõem sua boca as curvas do infinito e a luz,
e habitam seus olhos de maio e de distância
os vocábulos de oculto país, verdes, esveltos e evasivos.

O romper do dia espera o alvorecer dos seus pés no chão,
caem as noites e murcham os coraçõe ao esmorecer de suas pálpebras,
e as tardes refugiam-se em seus cabelos de crepúsculo.

Seu ser interior e corporal é a linfa de uma fonte ausente:
pensá-lo é escalar o vértice, regressar às origens,
ver a poesia nascendo e projetando no mundo o seu mistério.

Que gesto apartará as colunas e separará terras e águas?
Que tacto se deslumbrará nos brancos astros?
Que lábio incendiará a ânfora no abismo?

(Do ninho de suas mãos obscuros pássaros cantam:
sua beleza é uma ilha de nenhum mar.)

7 thoughts on “Uma poesia livre de Abgar Renault, para louvar a intangível beleza da mulher amada

  1. Nosso ilustre Abgar usou e abusou de Aliteração com o fonema “a”. Parece um texto escrito em qualquer língua asiática:aaaaaaaaaa…….
    O português, a exemplo do italiano, é um idioma rico em sinônimos, circunlóquios, perífrases e outros recursos.

  2. Um novo dia renasce
    ——————————

    O dia aos poucos se vai,
    Tudo se repete na noite que cai:
    Ao longe cigarras, insistentes,
    Cantam ao amor, estridentes.
    Pássaros voam pros ninhos,
    Cães procuram cantos,
    Amantes trocam carinhos,
    Crianças pedem acalanto.

    Ao leito, o aconchego seduz:
    O carinho transforma o querer
    Em ânsia, volúpia, prazer
    E a espécie se reproduz.

    Seguem-se sonos inebriantes
    E sonhos, onde tudo acontece;
    Depois, como num instante,
    Um novo dia amanhece!

  3. 1) Belas poesias hoje publicadas, comentários idem, licença…

    2) Tomás Antonio Gonzaga (1744-1807) avisou que está muito feliz com o Chile e vai psicografar “Cartas Chilenas Século 21”.

    3) Lembrando que o xará inconfidente também era poeta, jurista e consagrado escritor.

    4) Nasceu no Porto, faleceu no exílio, em Moçambique; e hoje vive no Astral, vez por outra… trocamos uma ideia.

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