Uma razão para tudo no Hinduísmo

Vittorio Medioli

Ensina a doutrina hinduísta que existem quatro Devarajas, entidades de categoria superior inacessíveis aos sentidos do ser comum desta terra. São eles os grandes arquivistas, registradores onipresentes e oniscientes das venturas de todos os homens. A eles nada escapa, cabem-lhes assim as tarefas de julgar e cobrar qualquer pequena ou grande ação, e até o conjunto da obra.

O método de avaliação é perfeito na lógica atemporal e divina, incontestável, por vez, obscuro ao entendimento imediato, mas correto e inquestionável na infinita trajetória deste fato misterioso que é o homem. Chamados também de senhores dos ventos, são eles os fiéis administradores da justiça divina, da qual nada consegue esconder. À prova de engano, nem o mais experimentado dos dissimuladores consegue despistar o valor real de uma ação, de um gesto, de um pensamento, de qualquer intenção. Eles, soberanos, encarregam-se de premiar e de castigar, de dar corda ao livre-arbítrio, de conceder prazo, para que o ser humano conquiste seus méritos, ou acumule mais dívidas.

O crédito de tolerância, o prazo nem sempre curto ou imediato, é apenas um aparente esquecimento. Pode parecer infinito, durar décadas, uma vida quase inteira; para os Devarajas, tempo é que não falta, sabedoria abunda também para aguardar o momento mais certo de apresentar a conta, numa ou em outras vidas.

Segundo as escritas védicas (do hinduísmo), podem-se aguardar várias encarnações, transferindo de uma para outra o saldo positivo e o negativo, daí a necessidade de deixar as positividades sempre abundantes e as negatividades, minimizadas. Os Devarajas permitem assim ao livre-arbítrio se expressar e acrescentar ou diminuir o patrimônio permanente, irrenunciável, eterno que segue esta centelha divina que é o homem.

JUSTIÇA DIVINA

Se a religião cristã, nas suas várias formas mais professadas, não explica a concatenação do “estranho” destino humano, poder-se-á ler nas escrituras hinduístas que quem nasce desafortunado, com marcantes deficiências ou transtornos, traz consigo o que os Devarajas permitiram. Isso explica muito mais a inconcebível tese de que um ser humano possa ter sua única chance de existência terrestre, em condições infinitamente inferiores às de seus congêneres. Ainda todos destinados, igualmente, ao Inferno ou ao Paraíso. O hinduísmo dá uma explicação “lógica e ampla”, provavelmente uma daquelas “pérolas” que o Grande Mestre aconselhou não doar aos porcos.

Parece mais claro, atrás do primeiro véu, enxergar uma justiça divina que, de outra forma, acabaria parecendo uma grande injustiça “sem explicação plausível”, tropeçando em dogmas de pernas curtas. Bem por isso acabam sem resposta e se afastam da religião, por vez passando a odiá-la genericamente, aqueles que enxergam na ação divina algo de vingador e cruel. Como aceitar que um filho nasça desafortunado física ou mentalmente? Como interpretar “justos” os dons da normalidade para uns e deficiência para outros?

O hinduísmo sustenta que os quatro Devarajas, ao se aproximar a reencarnação de um ser humano, cria um “elemental”, uma força geradora distinta e dedicada, produzida pelo pensamento conjunto dos quatro, cada um atuando numa esfera específica do conjunto, que disporá um molde a ser preenchido pelas partículas físicas do novo corpo a nascer.

DESTINOS E CARMAS

Também o ambiente e os pais são escolhidos e “permitidos” pelos Devarajas de forma a conectar os destinos e os carmas que precisam se completar (existe uma vasta literatura que aborda esses assuntos).

Enfim, não há uma gota d’água que esteja fora do lugar. O bizarro, o inexplicável, o fortuito, seriam permitidos e provocados pelos Devas, restando ao homem o livre-arbítrio de viver proveitosamente a experiência e/ou o castigo, assim encurtando e aliviando sua passagem terrena. Ensinam ainda que nem sempre a dor é um castigo, mas a forma de compreender melhor e mais rapidamente o que ainda está confuso.

O novo papa, jesuíta, culto teólogo, sinaliza com muita frequência, em seus discursos, a necessidade de aproximação das religiões, do ecumenismo e de reformas. Certamente, os processos de mudança e de evolução de uma religião que, depois de Cristo, no processo de secularização, se adaptou mais aos interesses de Estado-poder que aos ensinamentos do Sermão da Montanha, precisam recuperar parte de sua força espiritual. Dar mais sentido à vida das pessoas que a modernidade deixou mais inquietas.

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4 thoughts on “Uma razão para tudo no Hinduísmo

  1. Parabéns pelo texto. Uma das coisas que eu gosto no Hinduímo é que essa religião tem 330 milhões de Deuses. A beleza e a poética do Politeísmo. É muito mais democrático, tem Deus para todo mundo. Contar mesmo ninguém contou, é um número simbólico para afirmar que todo mundo é Deus e, mais ainda, todo ser humano tem 330 milhões de aspectos/naturezas/faces/possibilidades/etc.

  2. Só não consigo compreender como se sabe tanto a respeito dos Devarajas, se são seres inacessíveis aos sentidos humanos. No fundo, como disse Bertrand Russell, em No que Acredito, toda religião tem os mesmos fundamentos. Uma concepção superestimada da importância do ser humano no universo, ou mesmo na Terra, e o pavor que a humanidade tem da morte e de tudo aquilo que foge ao seu controle. Criam-se, então, deuses cujos ímpetos podemos demover à custa de sacrifícios e orações e que, invariavelmente, nos concedem uma segunda chance em algum outro plano existencial. Assim, de uma maneira tola, infantil mesmo, passamos a ter a sensação de que somos perenes e de que temos algum controle sobre o incontrolável.

  3. Americana cobra até US$ 200 por massagem com seios gigantes
    Para ficar só abraçadinha, Kristy Love cobra US$ 80.
    Kristy Love afirma que consegue faturar até US$ 1 mil por dia.
    Do G1, em São Paulo

    A americana Kristy Love, moradora de Atlanta, no estado da Geórgia, se tornou famosa ao oferecer um serviço de massagem curioso, no qual utiliza seus seios enormes para realizar os procedimentos.
    Kristy Love cobra US$ 200 por uma hora de massagem (Foto: Reprodução/Facebook/Kristy Love )
    Kristy Love cobra US$ 200 por uma hora de massagem (Foto: Reprodução/Facebook/Kristy Love )
    Kristy, que possui um site próprio no qual anuncia sua categoria de massagem, afirma que cobra até US$ 200 (R$ 460) por uma hora completa de massagem sensual, mas que também oferece uma modalidade “não sensual”, e cobra US$ 150 (R$ 345) pela hora.
    Para ficar só abraçadinha, ela cobra US$ 80 (R$ 184).
    Em entrevista ao site “The Frisky”, Kristy Love afirmou que tinha dificuldades em encontrar trabalho, então começou a oferecer as massagens em sua própria casa.
    Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, de acordo com o Kristy, o tamanho de seus seios, considerado desvantagem, se tornou o destaque de seu serviço.
    A americana afirma que consegue faturar até US$ 1 mil por dia, e faz a massagem com os seios, além de utilizar um óleo especial para deslizar sobre o corpo do cliente.

  4. Pingback: Uma razão para tudo no Hinduísmo | Debates Culturais – Liberdade de Idéias e Opiniões

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