Uma rosa no espinheiro

Carlos Chagas

Com a aprovação de seu nome, hoje, no plenário do Senado, como a décima-primeira ministra do Supremo Tribunal Federal, apenas a partir de fevereiro a jurista Rosa Weber terá sua prova de fogo na mais alta corte nacional de justiça. Porque mesmo se empossada este mês, coisa de que muita gente duvida, por conta do recesso natalino, não haverá tempo para que se pronuncie sobre a validade da lei ficha limpa, sob análise dos demais ministros.

Em especial porque, segundo especulações, o placar está dando empate de 5 a 5. Caberia à nova ministra o desempate, não com relação à validade da lei para as eleições do ano que vem, com a qual a maioria da casa concorda, mas a respeito de nuanças envolvendo a reintegração de Jader Barbalho. O ex-presidente do Senado foi o mais votado no Pará, nas eleições do ano passado, mas teve sua diplomação impugnada por conta da ficha suja. O problema é que na Paraíba, no Espírito Santo e no Amapá registraram-se casos idênticos e os três mais votados e impugnados acabaram tomando posse. No Senado, salvo exceções, o PMDB sustenta o direito de Jader retornar, mas no Supremo, as opiniões se dividem. Problema para Rosa Weber decidir…

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EMBATE PAULISTANO

Como rescaldo da pesquisa divulgada domingo pelo Datafolha a respeito da disputa pela prefeitura de São Paulo, discute-se a respeito da polarização em torno de duas candidaturas, apenas desconhecendo-se uma delas. Porque lugar garantido, apesar dos índices ainda modestos, terá Fernando Haddad. Melhor dizendo, terá o Lula, seu patrocinador.

Dificilmente a multidão organizada em torno do ex-presidente deixará de atender seu apelo em favor do ainda ministro da Educação. Sobra a outra perna que pisará no segundo turno. A lógica indicaria José Serra, se os tucanos tivessem lógica e plano de vôo, além da capacidade de convencer o ex-governador. Na hipótese, porém, de Serra manter-se intransigente, abre-se o leque para o imponderável. Hoje, seria Celso Russomano, pelo menos conforme a pesquisa referida. Na gangorra que começa a movimentar-se, só uma certeza: nenhum dos cinco candidatos alternativos do PSDB teria chance.

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A OPÇÃO EMPURRADA COM A BARRIGA

Sinais existem de que a presidente Dilma Rousseff não decidirá, em 2012, se a Força Aérea receberá caças franceses, americanos ou russos. Poderá empurrar a decisão com a barriga, não apenas pela falta de recursos para a aquisição das minguadas 36 novas aeronaves, mas porque entre os Rafale, os F-15 e os Sukhoi, dividem-se as opiniões civís e militares.

O problema é que a FAB vem sendo cada vez mais sucateada. Metade de seus aviões encontra-se em solo, sem condições de voar. Os caças de que dispomos completarão seu ciclo de vida antes de 2015. Venezuela, Colômbia, Peru e Chile já dispõem de frota aérea de guerra superior à nossa. Dirão os ingênuos que não há guerra, mas se houver, como acontece há pelo menos quatro mil anos?

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AURELIANO NÃO PRENDEU GOLBERY…

João Figueiredo encontrava-se em Cleveland, para uma operação de ponte safena, e Aureliano Chaves ficou mais de 40 dias na presidência da República. Em vez de apenas guardar o lugar, decidiu governar, desdobrando-se em cobranças aos ministros, reuniões que se estendiam pela noite e audiências a adversários que o titular jamais concedera. Demonstrava que poderia ser o sucessor, mas a intriga acabou com suas chances. Todos os dias o SNI mandava relatórios maldosos, que o general Octávio Medeiros se encarregava de transmitir ao chefe.

Acabaram rompidos, o presidente e seu vice, mas alguém de bom senso indagou de Figueiredo, depois de sua volta, o porquê daquela implicância. Sem querer reconhecer que era simples ressentimento e inveja, ele deu o argumento final: “É que o Aureliano não mandou prender o Golbery…”

O general Golbery havia deixado a chefia do Gabinete Civil como desafeto do presidente, por conta da inação diante do Riocentro, e não perdia oportunidade de criticá-lo. Numa entrevista publicada pelo Correio Braziliense, havia chamado Figueiredo de incompetente, indolente e coisas piores. Como militar da reserva, estava sujeito às restrições do regulamento disciplinar. Réplica para a qual o presidente não teve tréplica: “E por que você não manda prender o Golbery agora?”

A historinha se conta a propósito da crise envolvendo o ministro Fernando Pimentel. Por que o vice Michel Temer não aproveitou para demiti-lo, quando Dilma viajou para a Argentina, semana passada?

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