Uma trapalhada olímpica

Carlos Chagas 

Ontem, em Brasília, uma pergunta não queria calar: que motivos levaram a presidente Dilma a exigir do vice-presidente Michel Temer recuar do óbvio diagnóstico envolvendo o naufrágio   do plebiscito com validade  para  a reforma política  ser aplicada em 2014?  Ignora-se os termos  da exigência  feita pelo telefone, pois a presidente  encontrava-se  na Bahia. A experiência leva à suposição de altíssimos decibéis  cruzando a atmosfera.

O misterioso nessa história é sua motivação. Porque Dilma sabe, como o país inteiro, que o plebiscito não será aprovado para a reforma política valer ano que vem. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral deixou claro não haver tempo, fulminando, de tabela, a essência da proposta  vaga e incompleta. Não bastassem esses argumentos, aí está o Congresso, que não se entende nem deseja a reforma política.

Por que, então? Para não dar o braço a torcer e reconhecer, com a derrota de sua sugestão, a perda do comando político que vinha exercendo?  Por temperamento? Por vaidade? Para recompor sua candidatura à reeleição, demonstrando à opinião publica que a culpa da crise é do Congresso, por não haver votado a reforma política, enquanto ela cumpre o seu dever?

Mas será dever  propor e insistir numa fantasia que só traz desgaste para o governo? E quanto a humilhar o vice-presidente da República, levando-o a desdizer um prognóstico mais do que evidente, feito horas antes?

Onde nos levará essa seqüência de erros? Sem meias palavras, essa trabalhada olímpica que só faz  atingir a autoridade dos detentores do poder?

O PSDB entrou na discussão levantando um pretexto inócuo. Disse o presidente do partido,  Aécio Neves, que tudo acontece para que o Lula volte à televisão numa suposta campanha plebiscitária. Ora, o Lula não precisa desse artifício. Basta estalar os dedos e estará em todos os canais e telinhas, pois sua imagem e seus comentários dão mais Ibope do que a novela das nove.

Parece fora de propósito supor uma armação do PT para substituir Dilma por Lula. Fosse assim e a presidente não se prestaria a esse festival de contradições, mesmo cedendo ao império das circunstâncias criado pelos companheiros. Se o ex-presidente quiser, será candidato em menos de quinze minutos, com a concordância da sucessora.

Fica então a  pergunta, por enquanto sem resposta. Do jeito que as coisas vão, nem mesmo será aprovado o plebiscito para realizar-se  ano que vem. Muito menos depois. Integrará o rol das águas passadas, em especial se deputados e senadores aprovarem ao menos parte dos projetos da reforma política.

CONTRADIÇÕES

O presidente do PT, Rui Falcão, acaba de convocar o partido para participar das manifestações e protestos de rua que daqui por diante vierem a realizar-se. Se integrados na multidão, sem camisetas identificadoras, os companheiros poderão ser absorvidos. Desde que não portem bandeiras, é claro. Nessa hipótese, continuariam a ser escorraçados. A grande contradição da proposta está em que os protestos e manifestações se fazem contra os partidos políticos, contra a autoridade pública, contra os governos. Inclusive o deles.

INVERSÕES

Quem denuncia uma traição pode ser chamado de traidor? O agredido transforma-se em agressor?

Seria cômico se não fosse trágico assistir o ex-funcionário da CIA ser perseguido pelo governo dos Estados Unidos  como se fosse um réprobo, por haver denunciado que milhares de telefonemas e comunicações eletrônicas em todo o mundo  são objeto de monitoração pelo governo de Washington.

Parece o retorno à Inquisição e às fogueiras do Santo Ofício.

 

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4 thoughts on “Uma trapalhada olímpica

  1. TEMER, o oportunista de sempre. Sem voto e sem carisma, não passando de um mamador de luxo.

    DILMA, infelizmente decepcionou muito. Somente apresenta atitutes verdadeiramente trogloditas.

    LULA, o taidor de sempre. Arma a confusão, sai de fininho e espera lá na frente para tirar proveito.

    Qto a esse estrelismo do sr Lula citado pelo sr, sei não, tudo tem começo, meio e fim.

  2. Caro Chagas,parabéns,nesse episódio com o Vice Temer (ficou Temeroso), lembrei-me do Vice de Lula, o falecido Alencar, que desencava a política econômica de FHC, continuada pelo Lula,e o Lula engolia o “sapo”. Dª Dilma, com falta de “bom senso” usa seu sentimento ditatorial, que o nosso sistema político (ou politiqueiro) abençoa, “estrupando” até a gramática: PresidentA, como quer ser chamada, declarando assim seu “ego” egoista, e fala: meu governo, ainda bem!!
    Felizmente, o POVO acordou, junho 2013, será na história Pátria. o mês do renascimento da CIDADANIA|.
    Que o POVO acabe seu despertar, buscando VIVER em PAZ com sua reivindicações pacificas, inspiradas no Código de vida de Jesus: seu Evangelho de Amor Fraterno.

  3. GOVERNO JOÃO GOULART

    Parlamentarismo
    – Chefe de Estado: Presidente

    – Chefe de Governo: Primeiro-ministro:
    — Tancredo Neves – set-1961/jul-1962
    — Francisco Brochado da Rocha
    ————————– jul-1962/set-1962
    – Hermes Lima —— set/1962-jan/1963

    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964
    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    —————–Presidente João Goulart

    ————————————————–
    Gabinete Tancredo Neves –
    AERONÁUTICA – Clóvis Travassos;
    AGRICULTURA – Armando Monteiro Filho;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Amaury Kruel;
    EDUCAÇÃO – Oliveira Brito;
    EXTERIOR – Santhiago Dantas;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – João Segadas Viana;
    IND E COMÉRCIO – Ulisses Guimarães;
    JUSTIÇA – Alfredo Nasser;
    MARINHA – Ângelo Nolasco;
    MINAS E ENERGIA – Gabriel Passos;
    SAÚDE – Estácio Souto Maior;
    TRABALHO – Franco Montoro;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Virgílio Távora.

    Gabinete Francisco Brochado da Rocha
    ——————————— (jul-set/1962)
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL – Hermes Lima;
    CASA MILITAR – Aurèlio de Lira Tavares;
    Amaury Kruel, Albino, Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Roberto Tavares de Lira ;
    EXTERIOR – Afonso Arinos;
    FAZENDA – Walter Moreira Salles;
    GUERRA – Machado Lopes e Nelson de Melo;
    IND E COMÉRCIO – José Ermírio de Morais;
    JUSTIÇA – Cândido de Oliveira Neto;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – João Mangabeira;
    SAÚDE – Manoel Cordeiro Vilaça
    TRABALHO – Hermes Lima;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida.

    Gabinete Hermes Lima – set/1962-jan/1963
    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho;
    AGRICULTURA – Renato Costa Lima;
    CASA CIVIL –
    CASA MILITAR – Aurério de Lira Tavaes;
    EDUCAÇÃO E CULTURA – Darcy Ribeiro;
    EXTERIOR – Hermes Lima;
    FAZENDA – Miguel Calmon;
    GUERRA – Amauri Kruel;
    IND E COMÉRCIO – Otávio Dias Carneiro;
    JUSTIÇA – João Mangabeira;
    MARINHA – Pedro Paulo de Araújo Suzano;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva;
    SAÚDE – Elizeu Paglooli;
    TRABALHO – Hermes Lima;
    VIAÇÃO e O. PÚBLICAS – Hélio de Almeida;
    SEM PASTA – Celso Furtado.

    Presidencialismo: jan-1963/mar-1964
    Chefe de Estado e Chefe de Governo:
    —————–Presidente João Goulart

    AERONÁUTICA – Reinaldo de Carvalho Filho e
    Anízio Botelho;
    AGRICULTURA – José Ermírio de Morais e
    Oswaldo Lima Filho;
    CASA CIVIL – Evandro Lins e Silva e
    Darcy Ribeiro;
    CASA MILITAR – Argemiro de Assis Brasil;
    EDUCAÇÃO – Teotônio Monteiro de Barros,
    Paulo de Tarso Santos e Júlio Tambaqui;
    EXTERIOR – João Augusto de Araújo Castro,
    Evandro Lins e Silva e Araújo Castro(bis);
    FAZENDA – Carvalho Pinto e Ney Galvão;
    GUERRA – Amauri Kruel e Jair Dantas Ribeiro;
    IND E COMÉRCIO – Antôni Balbino;
    JUSTIÇA – Abelardo Jurema;
    MARINHA – Paulo Bozísio e Sílvio Mota;
    MINAS E ENERGIA – Eliezer Batista da Silva e
    Oliveira Brito;
    SAÚDE – Paulo Pinheiro Chagas e Wilson Fadul;
    TRABALHO – Almino Afonso e Amaury Silva;
    VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS – Hélio de Almeida
    e Expedito Machado Pontes;
    *Min Extraordinário para Assuntos de
    Desenvolvimento Econômico
    – CELSO FURTADO;
    *Min Extraordinário para a Reforma
    Administrativa – AMARAL PEIXOTO.

  4. ‘Foucaud se torna mais interessante quando declara que o exercício do poder, não sendo nem violência nem consentimento, é “uma estrutura total de atos aplicada a possíveis atos”, incitando, seduzindo ou, “no extremo”, coagindo ou proibindo…’

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