Uma Vila que enfeitiçava Noel Rosa e seu parceiro Vadico

Resultado de imagem para noel rosa frasesPaulo Peres
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O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), na letra de “Feitiço da Vila”, em parceria com Vadico, aclama o bairro de Vila Isabel (RJ), lugar onde nasceu. No verso “E a Vila Isabel dá samba”, pode-se considerar como uma crítica aos estados mencionados da política oligárquica do chamado “Café-com-Leite” na Primeira República brasileira. Ou seja, a Vila Isabel dá algo mais interessante, o Samba! Na época, esse samba antológico marca sua humildade. Apesar de ser da classe média, Noel fundiu o asfalto com a favela. O samba foi gravado por Francisco Alves e Castro Barbosa, em 1933, pela Odeon.

FEITIÇO DA VILA
Noel Rosa e Vadico

Quem nasce lá na Vila nem sequer vacila ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo

Lá em Vila Isabel quem é bacharel não tem medo de bamba
São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba

A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém que nos faz bem
Tendo nome de princesa transformou o samba
Num feitiço decente que prende a gente

O sol na Vila é triste, samba não assiste
Porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus, não venha agora
Que as morenas vão logo embora

Eu sei tudo que faço, sei por onde passo
Paixão não me aniquila
Mas tenho que dizer:
Modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila!

2 thoughts on “Uma Vila que enfeitiçava Noel Rosa e seu parceiro Vadico

  1. Violões em funeral – Silvio Caldas

    Vila Isabel veste luto,
    Pelas esquinas escuto,
    Violões em funeral
    Choram bordões, choram primas,
    Soluçam todas as rimas,
    Numa saudade imortal
    Entre as nuvens escondida,
    Como de crepe vestida,
    A lua fica a chorar
    E o pranto que a lua chora,
    Goteja, goteja agora,
    Nos oitis do boulevard

    Adeus cigarra vadia,
    Que mesmo em tua agonia,
    Cantavas para morrer
    Tu viverás na saudade,
    Da tua grande cidade,
    Que não te há de esquecer
    Adeus poeta do povo,
    Que ressuscitas de novo,
    Quando na morte descambas
    Sinhô, de pele mais clara,
    No qual o senhor encarnara,
    A alma sonora dos sambas

    Meu violão chora tanto,
    Soluços e muito pranto,
    Sobre o caixão de Noel
    Estácio, Matriz, Salgueiro,
    Todo o Rio de Janeiro,
    Consola Vila Isabel.

  2. “Quem nasce lá na Vila nem sequer vacila ao abraçar o samba” é uma exaltação ao bairro Vila Isabel – bairro do samba.
    “Que faz dançar os galhos do arvoredo
    E faz a lua nascer mais cedo” Havia um bate e rebate entre Noel e Wilson Batista, outro grande compositor da Vila. O que a gente sabe é que Wilson Batista rebatendo “dançar os galhos do arvoredo” rebateu com outro samba, cuja estrofe vaia seguir:
    “Eu fui na Vila ver o arvoredo se mexer
    E conhecer o berço dos folgados
    A lua nessa noite demorou tanto
    Me assassinaram o samba
    Veio daí o meu pranto.(Wilson Batista)
    Foi uma disputa benéfica para o samba a que havia entre Noel – branco, estudante de medicina, que logo abandonou e Wilson Batista, negro que morava no Morro. Noel tinha muita presença nos morros, onde também se inspirava.

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