UPPs eram uma farsa criada por Cabral para chegar à Presidência da República

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Charge do Alpino, reprodução do Yahoo

Carlos Newton

Sérgio Cabral foi o governador mais maléfico do Estado do Rio de Janeiro, sem a menor comparação com seus antecessores. Altamente corrupto, ficou milionário com uma facilidade espantosa e começou a pensar longe. Seu delírio era chegar à Presidência da República, tendo como principal plataforma eleitoral a criação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), um programa de enorme potencial em termos de marketing político, que logo começou a ser implantado também por outros governadores.

APLAUSOS DA MÍDIA – O revolucionário programa das UPPs foi criado no fim de 2008, sob aplausos de toda a mídia e das mais diferentes instituições estaduais, incluindo as associações de moradores de favelas e bairros, as entidades empresariais e os movimentos sociais.

O projeto das UPPs se tornou muito popular, era consensual, não havia críticas. Ninguém percebia que se tratava de uma grande farsa. Na verdade, não havia pacificação de nenhuma favela nem combate aos narcotaficantes. Era tudo um jogo de faz-de-conta, arquitetado por Sérgio Cabral para se projetar nacionalmente, e o plano tinha tudo para dar certo.

FALA O ESPECIALISTA – Na época, tive oportunidade de entrevistar o delegado Manoel Vidal, que tinha sido Chefe de Polícia no governo Marcello Alencar e era (e ainda é) considerado a maior referência da corporação, um verdadeiro mito. Indaguei sobre o programa das UPPs e a resposta foi surpreendente: “É aparentemente perfeito, mas inviável”. E explicou:

“É muito difícil combater o crime nas favelas, porque elas são encadeadas. O Grande Rio tem mais de mil favelas. Se você sobrevoar a cidade de helicóptero, verá que um número enorme de favelas está ligado a outras comunidades. Quando a polícia sobe por um lado, eles descem pelo outro”.

E a conclusão foi impactante: “Não há dinheiro para fazer e manter centenas de UPPs. Trata-se de um programa apenas de efeito eleitoral. Na prática, nada muda, o tráfico de drogas e a criminalidade não serão afetados”.

HELIO FERNANDES EM AÇÃO – Diante dessa explicação de um dos maiores conhecedores da política estadual de segurança, passei a pesquisar a situação e constatei que a análise do delegado Manoel Vidal estava absolutamente certa.

Nessa época (final de 2008), a “Tribuna da Imprensa” tinha parado de circular. Tentei publicar a reportagem em outro jornal ou revista, mas ninguém se interessou, porque o programa das UPPs era realmente muito popular, os outros jornalistas não acreditaram, julgaram que eu estava delirando.

Em 2009, a pedido do advogado Luiz Nogueira, que defendia (e ainda defende) a “Tribuna da Imprensa” e Helio Fernandes, lancei este blog, para que o decano da Imprensa brasileira não parasse de escrever. Havia patrocínio e o editor era o excelente jornalista Antonio Caetano. Eu também atuava no blog, mas escrevia pouco, porque estava envolvido em outras atividades. Só passei a editar a “Tribuna da Imprensa” (que depois virou “Tribuna da Internet”) quando o patrocínio foi suspenso e o blog ia sair do ar.

Em dezembro de 2009, entreguei a Helio Fernandes as informações que havia colhido e em dezembro de 2009 ele fez um artigo bombástico, denunciando a fraude de Sergio Cabral.

ACORDO COM OS TRAFICANTES – O título do artigo de Helio Fernandes já dizia tudo: “A pacificação das favelas não passa de um acordo entre o governador e os traficantes, que podem trabalhar livremente, desde que não intimidem os moradores.

Com base nas minhas informações, o grande jornalista mostrou que a política de “pacificação” das favelas não passava de uma manobra eleitoreira de Cabral, que incluía um incrível e espantoso acordo entre as autoridades estaduais e os traficantes que atuavam (e continuam atuando) nessas comunidades carentes. Escreveu Helio Fernandes:

O acordo está “firmado” sob as seguintes cláusulas: 1 – Os traficantes somem com as armas da favela, com os “soldados” de máscaras ninjas, com os olheiros e tudo o mais. 2 – A PM entra na favela, sem enfrentar resistência, ocupa os pontos que bem entender, mas não invade nenhuma casa, nenhum barraco, e não prende ninguém, pois não “acha” traficantes ou criminosos. 3 – A favela é tida como “pacificada”, não existem mais marginais circulando armados, os moradores não sofrem mais intimidações, não há mais balas perdidas. 4 – Em compensação, o tráfico fica liberado, desde que feito discretamente, sem muita movimentação.

SEM DISPARAR UM SÓ TIRO – De súbito, o governador Cabral e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pareciam ter conseguido resolver um dos maiores problemas da atualidade  a violência e o tráfico de drogas nos guetos das grandes cidades, um dos maiores desafio da Era Moderna.

O mais incrível: na ocupação das favelas não foi disparado um único e escasso tiro, os traficantes e seus “soldados” de máscaras ninjas não lançaram uma só granada, um solitário morteiro, não acionaram lanças-chamas, mísseis portáteis, rifles AR-15 e M-16,  submetralhadoras Uzi, nada, nada.

Não houve uma só troca de tiros, porque havia o acordo entre os traficantes e o governador, que teve a desfaçatez de vir a público e proclamar, textualmente: “Dei prazo de 48 horas para os traficantes deixarem o Cantagalo-Pavão-Pavãozinho!

Como é que é? O governador esteve como os traficantes, “cara-a-cara”, e fez o ultimato? Ou mandou recado por algum amigo comum? Como foi o procedimento? Ninguém sabe. O que se sabe é que Cabral alardeava que, em todas as favelas onde a PM instalou UPPs, os traficantes e criminosos simplesmente sumiram, assustados, amedrontados, apavorados. Seria bom se fosse verdade…

E O GLOBO ACORDOU… – O artigo de Helio Fernandes plantou a dúvida. Dois anos depois, em 2011, O Globo publicou uma página inteira em sua seção “Logo” (que era uma espécie de “pensata”, organizada por nosso amigo Arnaldo Bloch), ironizando a facilidade com que as favelas teriam sido “pacificadas”. Depois, mais uma vez O Globo, em reportagem de Vera Araújo, comprovou que a denúncia da “Tribuna” estava correta. Sob o título Feirão de drogas desafia UPP”, com fotos impressionantes na Cidade de Deus, a matéria mostrava que o tráfico de drogas estava e sempre esteve liberado, exatamente como Helio Fernandes afirmara.

E somente agora, cinco anos depois, realmente vem à tona o fracasso das UPPs, e o secretário Beltrame, cúmplice de Cabral na farsa, enfim joga a toalha, depois de passar dez anos acumulando as elevadas remunerações de delegado sênior da Polícia Federal e Secretário de Segurança. Em novembro e dezembro de 2010, por exemplo, recebeu 53 499 reais e 60 912 reais, respectivamente, muito acima do teto do Supremo. De lá para cá, é claro, esse valor só fez aumentar. E cai o pano.

23 thoughts on “UPPs eram uma farsa criada por Cabral para chegar à Presidência da República

  1. Caro Newton, correto, vi na TV, na ocupação do morro do alemão, a policia subindo, os traficantes armados, subindo e descendo do outro lado, tudo combinado. Cabral para o RJ, foi pior que as 7 pragas do Egito, olha a calamidade em que estamos, fez Pezão governador, continuador da grande obra de destruição, hoje temos um “gagá” como governador da massa falida,
    MDB, ao receber o P, virou Puta sem vergonha, transformando-se no maior bordel da Republiqueta democradura, chamada Brasil; até quando, a corja, vai continuar a roubar o Brasil. Pergunto: a PF e MPF, no RJ, onde estão, não temos um Juiz Moro.
    As ações do PMDB em Brasília, não nos deixa mentir, os 3 poderes estão podres.
    Deus;SOS, urgente, estamos nos afogando nesse oceano de lama. Deus salve o Brasil!!!

  2. Logo que se fêz governador Sérgio Cabral mostrou a que veio.Construiu uma mansão em Mangaratiba comprada nos EEUU. Veio toda desmontada. Construiu uma “marinha e um heliponto”. Susto: na época custou “um milhão de dólares”. Sem falar na eleição roubada para o senado. Ele que era deputado de 300/700 mil votos em eleições perdidas para prefeito aparece com 4.900.000 votos Crivela com 2.700.000, um tal bispo Manoel com 1.800.000, Brizola com 1.200.000, Artur da Távola 800.000 e Edson Santos com 280.000 votos. O Roubo foi descarado. Falando sobre a “Lista de Furnas”, o personagem envolvido no “Mensalão Tucano” diz: Aécio esta preocupado com Sérgio Cabral. Sérgio era casado com uma prima de Aécio. A aposta agora é: Sérgio Cabral escapará da Papuda?

  3. O Cabralzinho fez exatamente o que ensinou o saudoso Mané Garrincha, combinou tudinho com os russos e alemães da favela do alemão.
    Agora que ele não é mais governador, o pacto foi rompido. sobra então para o pezão ou seu substituto, uma nova proposta aos “eslavos” e “germânicos” abrigados nas comunidades independentes do Rio de Janeiro.
    Pacto com traficante, é o mesmo que se possa fazer com um tigre, aceitar ser comido por ele.
    Outro acordo ele não faz.

  4. Lembro somente que Cabral foi eleito, reeleito e elegeu seu poste sempre com mais de 50% dos votos válidos, portanto, com apoio do povo fluminense.
    Então a patuléia “ixperta” merece tudo isto que está posto hoje em dia!
    CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE!

    • “Tudo pela governabilidade” gritavam jandiras, molons, paes, pezões, crivellas, lulistas, dilmistas, cabralistas, sambistas enquanto a população aplaudia a copa e a olimpíada que quebrariam de vez o estado. Até hoje muitos ainda comentam que o governo cabral “até que foi bom…” O carioca merece. E vai piorar.

  5. Faz tempo que o Rio de Janeiro vem sofrendo com políticos megalômanos que querem usar a cidade como plataforma para se tornarem estrelas nacionais, sem resolverem os problemas concretos da cidade: Garotinho, Sérgio Cabral, César Maia, Eduardo Paes… O próximo será o Marcelo Crivela?

  6. Senhores,
    Vejam este artigo do Reinaldo que, apesar de ser cabeça-dura, concordo com ele neste aspecto:

    LEMBRAM-SE QUANDO O PT DIZIA QUE O RIO ERA UM EXEMPLO A SER SEGUIDO EM SEGURANÇA?
    Reinaldo Azevedo 11/10/2016
    Não pensem que se fabrica um desastre de um dia para o outro. Não é assim nem com a natureza. Se os homens tivessem cuidado melhor do Haiti, morreriam menos pessoas quando há um terremoto. Haveria menos vítimas quando há um furacão.
    O elemento da natureza que mais mata ainda é a estupidez humana.
    O que vocês lerão abaixo é a atualização de um post que publiquei no dia 21 de março de 2014. A segurança pública do Rio já dava sinais de colapso.
    O texto remete a um evento eleitoral de 2010, quando Dilma disputava a primeira eleição presidencial, e Sérgio Cabral, a reeleição ao governo do Rio.
    Era o tempo em que eles andavam de braços dados, como amigos inseparáveis. A política de segurança pública do Rio era considerada um exemplo a ser seguido em todo o Brasil. Transcrevo a fala da agora ex-presidente em seguida.

    DISSE DILMA:
    “A gente considera que o resultado da política aqui, dessa parceria do governo federal com o governo estadual, aqui, com o governador Sérgio Cabral, ela construiu uma referência no que se refere (!!!) à… No que se refere basicamente à… estruturação de uma política de segurança através das Unidades de Polícia Pacificadora. É transformar territórios em guerra em territórios de paz (…) Em muitos estados, não transferiram os chefes do crime organizado para as penitenciárias de segurança máxima. Aqui foi transferido. Os daqui estão em Catanduvas, Campo Grande e Mossoró. Com isso, o que é que acontece? Você tira do presídio os líderes e os cabeças e impede que os presídios sejam transformados em plataformas do crime (…).”
    Retomo
    Bem, é a Dilma dos velhos tempos, com um raciocínio ainda mais confuso do que o de hoje e um vocabulário mais estreito. Mas está claro no vídeo, editado como propaganda, que a política de segurança de Sérgio Cabral era considerada exemplar.

    SEIS ANOS DEPOIS, O RIO É UM FAROESTE CABOCLO.
    E não foi por falta de aviso. Não!, leitores, eu não acho que Cabral e José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública que agora pede demissão, deveriam ter ouvido as minhas advertências. Penso que ambos, mais uma boa leva de bacanas que resolveram jogar os fatos no lixo, deveriam ter ouvido os apelos da lógica. A Internet presta uma grande contribuição à memória.
    Pesquisem neste blog e em toda parte: durante uns bons anos, na grande imprensa, devo ter sido o único crítico da política de segurança do Rio. Apanhava que dava gosto — inclusive de muitos amigos cariocas! Alguns deles chegaram a se engajar numa pré-campanha para fazer de Beltrame candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Sim, eu sei! Até Arafat ganhou o seu… Mas o ridículo em estranhos dói menos do que em pessoas que a gente ama ou admira, né?
    As críticas que eu fazia às UPPs eram compreendidas ou pelo avesso ou simplesmente não eram compreendidas de modo nenhum. É evidente que eu não era — e os textos estão em arquivo — nem poderia ser contra a chegada de postos policiais aos morros. Aliás, escandaloso é que não houvesse isso no Rio. Há quanto tempo existe essa modalidade de polícia em São Paulo, por exemplo? Há décadas. Nunca foi chamada de “polícia pacificadora”. É garantia de segurança? Garantia não é. Mas não existem, em São Paulo, áreas onde a polícia não entra, como ainda há no Rio, e todo mundo sabe disso.

    POLICIA FOI FEITA PARA CONVENCER E PACIFICAR BANDIDOS?
    O nome “Polícia Pacificadora” sempre me irritou porque carrega consigo uma óbvia impostura, mas também uma revelação involuntária. “Pacificar” quem exatamente? PACTOS DE PAZ SE ESTABELECEM ENTRE INIMIGOS BELIGERANTES, POSTOS EM PÉ DE IGUALDADE E CONSIDERADOS IGUALMENTE LEGÍTIMOS. Cabe hoje, como sempre coube, a pergunta: quem está de cada lado? Então vamos estabelecer a “pax” entre a bandidagem e suas vítimas, é isso?
    Entre a lei e a não lei?
    Entre a sociedade de direito e o arbítrio do crime?
    Sim, infelizmente, sempre se tratou exatamente disto: A POLÍCIA DITA “PACIFICADORA” TRAZ NA SUA ORIGEM O RECONHECIMENTO DE QUE EXISTE CERTA LEGITIMIDADE NO BANDITISMO. O que se cobrava dele é que fosse mais discreto; que não tiranizasse as populações do morro; que não as submetesse a uma disciplina escandalosamente de exceção; que não saísse matando desbragadamente; que fizesse o seu tráfico, mas com um pouco mais de decoro.

    PACIFICAR UM LUGAR É NÃO PRENDER BANDIDO, NEM TRAFICANTE TRAFICAR ÀS VISTAS, OSTENSIVAMENTE
    Tanto isso é verdade que essa “pacificação” tinha, e tem, como um de seus fundamentos, não prender bandidos. Ao contrário: o anúncio da “ocupação” dos morros é feito com grande antecedência para que dê tempo para a tigrada sair correndo — ou, então, para que se recolha à discrição. E isso sempre encantou os deslumbrados e os especialistas nos próprios preconceitos, vendidos como grandes sábios da segurança pública. Quando se ocupavam os morros sem dar um único tiro, aquilo lhes parecia poesia. ‘Ah, então você acha que tem de dar tiro?”, poderia perguntar um idiota. Não! Penso que atirar ou não é irrelevante como evidência da paz. Se o silêncio decorre de um pacto informal com a bandidagem, então não se tem paz, mas a guerra feita por outros meios.
    Como esquecer que, em 2010, a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, como se vê lá no alto, considerava o Rio de Janeiro um exemplo a ser seguido. Para ela, ruim mesmo era a segurança em São Paulo. Escrevi naquele 2010 o óbvio: o Rio tinha, segundo o Mapa da Violência, 26,2 homicídios por 100 mil habitantes; São Paulo, 13,2. Hoje, essa diferença aumentou.
    Segundo o Anuário de Segurança Pública, São Paulo tem 633,1 presos por 100 mil habitantes com mais de 18 anos; no Rio, essa taxa é de 281,5. Na comparação, é evidente que o Rio prende pouco. E não menos evidente é a existência de uma relação proporcional entre taxa de reclusão e taxa de homicídios. A Bahia, o segundo estado que menos prende no Brasil (134,6 por 100 mil) — só perde para o Maranhão (128,5) —, tem uma taxa de homicídios de 40,7 por 100 mil habitantes, quase o quádruplo, hoje, da de São Paulo.
    Volto ao Rio. Os números e a realidade evidenciam que a política deliberada de não prender criminosos não funciona — ou funciona enquanto o crime organizado deixar. É claro que prender custa caro, dá trabalho e traz problemas novos. Mas ainda é o mais seguro a fazer. Os erros, as imposturas e o deslumbramento cobram agora o seu preço.

    Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lembram-se-quando-o-pt-dizia-que-o-rio-era-um-exemplo-a-ser-seguido-em-seguranca/

  7. E as contas do ‘austero’ circo olímpico não para de chegar….

    Quebrado, Rio-2016 teve R$ 255 mi da bilheteria bloqueados para pagar Vila

    rodrigomattos
    14/10/2016 06:00
    Com dificuldades financeiras, o Comitê Rio-2016 teve R$ 255 milhões em bilheteria bloqueados para pagar pelo aluguel da Vila Olímpica dos Atletas. Esse valor é referente ao uso por 17 meses do local (bem superior a permanência dos atletas) em que o organismo pagou pelos juros em substituição ao consórcio Ilha Pura (Odebrecht e Carvalho Hosken). É o que mostram os contratos do empreendimento obtidos pelo UOL Esporte.
    Após os Jogos, a situação financeira do Rio-2016 é bastante problemática com dívidas e cobranças na praça que podem chegar a R$ 200 milhões. Foi necessário recorrer ao socorro dos cofres públicos em pelo menos R$ 215 milhões, vindos da prefeitura do Rio de Janeiro e de estatais federais.
    Pela leitura dos documentos do Rio-2016, fica claro que diversas receitas foram bloqueadas, o que ajudou a levar a essa situação. Além da bilheteria, houve uma retenção de R$ 96 milhões do contrato de patrocínio do Bradesco para pagar ao Ilha Pura pelas reformas da Vila após os Jogos. Ou seja, no total, o bloqueio foi de R$ 350 milhões.

  8. E no dia em que houve a “conquista do Alemão”, me lembro como se fosse hoje, William Bonner proclamou no diário oficial, digo, no Jornal Nacional:

    – Dia histórico para o Rio de Janeiro!

    Ora, quem, em sã consciência, imaginaria que uma tropa (ou um conjunto de tropas) formada pelo Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Civil, PM, Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal não conseguiria fincar uma bandeira no topo do morro? A bandeira era o símbolo da conquista. Como se estivéssemos em outra era.

    Os bandidos, embora tenham excelentes armas (todas facilmente contrabandeadas pelas nossas fronteiras, tão seguras como seria uma peneira para bloquear a água), não têm o treinamento dos profissionais de segurança. Pelo menos é o que se imagina!

    Além do mais, até onde se sabe, os servidores públicos envolvidos não vão para essas batalhas com a cabeça cheia de drogas, como vão os traficantes.

    Lógico, portanto, que essa multidão de polícias e de Forças Armadas conseguiria colocar a bandeira-símbolo no cume do Complexo do Alemão – a menos que fossem pra lá de idiotas.

    E é de se perguntar: por que deixaram aqueles malfeitores escaparem? Por que não os mandaram parar “em nome da lei”, e se não atendidos passariam fogo? Por que não? Por que esse “domínio” pra inglês ver?

    A matéria de Carlos Newton esclarece: estava tudo combinado.

    Na ocasião, acompanhei o lúcido depoimento do Hélio Fernandes e concordei plenamente.

    Conheço vários analfabetos políticos que se irritavam comigo quando eu falava mal do “projeto das UPP”.

    – “Ah!, você não está querendo enxergar a realidade.”

    Ou…
    – “Você preferia o Brizola, que proibia a polícia de subir o morro!”

    Assim é duro! Enquanto analfabetos políticos votarem, teremos Moreiras Francos, Cabrais, Pezões et caterva com assento no palácio Guanabara.

    Quando se arrependerem (se arrependem, às vezes!), será tarde.

  9. “O Rio é o único lugar do mundo onde você tem grupos de 40 pessoas andando com fuzil por becos e vielas e se diz que aquilo é uma situação de normalidade.
    A gente chama isso de democracia? Já é uma guerra. Já deu tempo suficiente para perceber que do jeito que está (UPP) não vai funcionar. A sociedade precisa decidir QUAL É O PREÇO que ela quer pagar para ter segurança.”
    Coronel Montenegro, 31 de Maio, 2015, um os comandantes que ocupou o Morro do Alemão em 2010.
    -Quanto mais a criminalidade se INFILTRAR nos poderes MAIOR SERÁ O PREÇO A SER COBRADO da população.

  10. O Moderador, como grande jornalista que é, retratou os antecedentes e protagonistas do caos em que vive hoje todo o estado do Rio de Janeiro.
    Vai ser difícil consertar tamanha calamidade, pois até o xerife se mandou…
    Só o Exército brasileiro, quer queiram ou não…

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