Usando seu “Partido Frankenstein”, Kassab consegue agitar os bastidores da eleição para prefeito de São Paulo.

Carlos Newton

O novo PSD está reanimando o cenário político. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fundou um partido do tipo Frankenstein, sem perfil ideológico, sem lenço e sem documento, uma coisa amorfa, mas que consegue marcar presença diante das outras legendas. Dias depois de o PSD ganhar registro, Kassab já saía em campo, dando novo enfoque à sucessão da Prefeitura de São Paulo, o terceiro maior orçamento público do país.

Primeiro, ele ofereceu aliança ao PSDB nas eleições para prefeito de São Paulo, ano que vem, e para governador, em 2014. Kassab sonha alto e pretende que o candidato a prefeito seja do PSD, com o PSDB na vice, o que parece altamente improvável. Kassab aposta na candidatura do atual vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, mas os tucanos não admitem ficar em situação de inferioridade, indicando apenas o vice-prefeito.

Em meio a essa confusão, Henrique Meirelles se filia ao PSD e se oferece para ser candidato a prefeito, o que mudaria tudo. E o deputado Paulo Maluf, do PP, dá entrevista ao repórter Kennedy Alencar, na TV CBN, dizendo que poderá ser candidato a prefeito em 2012, o que mudaria novamente o quadro.
Mas acontece que Malu está blefando. Ele depende de um julgamento do Supremo, porque tem ficha suja. Se o STF confirmar que a Lei da Ficha Limpa vale em 2012, adeus candidatura.

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, é uma figura paradoxal. Nunca escondeu que sua meta é a presidência da República. O primeiro passo foi se eleger deputado federal pelo PSDB de Goiás, em 2002, com quase 183 mil votos, mas desistiu do mandato quando Lula o convidou para presidir o BC. Depois, sonhou ser candidato à sucessão de Lula em 2010 e até se filiou ao PMDB, mas o partido recusou-lhe a legenda. Tentou, então, ser vice de Dilma Rousseff. Também não deu certo. O PMDB já estava fechado com  Michel Temer. Agora, no desespero, Meirelles embarca no PSD, sonhando ser candidato a presidente em 2014. “Imodéstia e ambição para isso não faltam ao ex-presidente do Banco Central”, comenta Kennedy Alencar.

Meirelles tem se queixado do governo Dilma. A presidente não o quis no BC, apesar do conselho de Lula para mantê-lo no cargo. Nos projetos que envolvem a Copa e as Olimpíadas, ele tem sido pouco ouvido. Sente-se menosprezado por Dilma.

Ex-presidente mundial do BankBoston, dinheiro não é problema para Meirelles, que só visa o poder. Em 2002, como era preciso colocar alguém no Banco Central que defendesse os interesses do sistema financeiro, para “acalmar o mercado”, Meirelles foi indicado a Lula por Aloizio Mercadante, que tinha sido seu assessor econômico no BankBoston e acabara de se eleger senador pelo PT de São Paulo.

Bem, já que o esquema era para preservar os interesses do “mercado”, Meirelles aceitou o “sacrifício”, renunciou ao seu mandato de deputado federal (era obrigatório fazê-lo) e assumiu o Banco Central. Assim se passaram quase oito anos, até que em março de 2010 Meirelles ia sair, para se candidatar ao Senado ou ao governo de Goiás, pelo PMDB, e especulava-se que poderia ser até o vice na chapa de Dilma.

Mas o presidente Lula, da mesma forma como convencera Ciro Gomes a ficar na “regra 3”, com reserva de Dilma Roussef, também convenceu Meirelles a desistir da eleição e permanecer até o fim de 2010 no Banco Central. Isso aconteceu na chamada “undécima hora”. Meirelles foi o último ministro de Lula a se decidir sobre a desincompatibilização.

É redundantemente claro, lógico e evidente que Meirelles só aceitou porque achou que continuaria no cargo no governo Dilma ou poderia até ser promovido para o Ministério da Fazenda. Acontece que o “acordo” foi feito com Lula, mas quem empunhava a caneta para assinar a nomeação de ministros era Dilma Rousseff,

Meirelles ficou na mesma condição de Ciro Gomes. No relento. Mas agora já está com 65 anos e só haverá eleições gerais em 2014, quando estará muito próximo dos 70 anos, o que faz muita diferença em disputas majoritárias.

Agora, Meirelles quer abrir nova vereda, usando como trampolim a prefeitura de São Paulo. Já está com o talão de cheques em punho.

 

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