Vaccari era generoso com o dinheiro das propinas, diz lobista

Deu na Veja

O esquema de propinas desmontado pela Operação Lava Jato revelou um perfil generoso do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso desde o dia 15 de abril sob acusação formal de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o delator e lobista de empreiteira na Petrobras Milton Pascowitch, o ex-tesoureiro do partido do governo “pediu ajuda para uma senhora humilde ligada ao PT”.

Por sugestão de Vaccari, a mulher recebeu 120 mil, valor que foi descontado do total de uma propina reservada ao próprio petista na empresa Consist Software – sob investigação da Lava Jato, que descobriu uma trama com empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento.

CRIOU UMA EMPRESA

Pascowitch contou que a transferência exigiu alguns trâmites de ordem burocrática, como a criação de uma pessoa jurídica pela “mulher humilde”, o que possibilitou a emissão de nota fiscal da Jamp Engenheiros, de sua titularidade. O delator disse ainda que Vaccari chegou a sugerir o pagamento a “alguma central sindical ligada ao PT”.

Pascowitch contou que explicou ao ex-tesoureiro que não tinha como fazer essa operação com um sindicato porque tinha que emitir nota contra alguma empresa. Foi, então, que surgiu a “mulher ligada ao PT”.

“Ela foi ao meu escritório e conversou com meu irmão [José Adolfo]. Ela disse que iria constituir uma empresa e dois meses depois retornou ao escritório apresentando os dados da Gomes e Gomes Promoção de Eventos e Consultoria”.

QUATRO PAGAMENTOS

Foram realizados quatro pagamentos no valor de 30 mil reais cada.

“Não houve qualquer formalização de contrato, mas somente a emissão de nota fiscal contra a Jamp. Não houve qualquer prestação de serviços à Gomes e Gomes”.

Pascowitch disse que “não se recorda” do nome da mulher e que o valor de 120.000 reais “foi definido por João Vaccari”. Segundo ele, “o valor pago foi abatido do valor que estava à disposição de João Vaccari referente ao contrato da Consist”. (Com Estadão Conteúdo)

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