Vale à pena analisar as dúvidas de Cesar Maia sobre a saída de Jobim.

Carlos Newton

Em seu blog, o ex-prefeito Cesar Maia analisa a saída de Nelson Jobim do Ministério da Defesa e faz as seguintes considerações, que são muito interessantes e vale à pena serem submetidas ao debate dos comentaristas aqui da Tribuna. Vamos a elas:

1. Preliminar. O método de criar constrangimentos sucessivos à autoridade superior, de forma a justificar sua saída ou exoneração, faz parte da rotina das organizações e em todos os níveis. Mas, certamente, não ficou bem para o advogado constitucionalista, ex-deputado federal, ex-ministro, ex-ministro da Corte Suprema, e ministro da Defesa, utilizar desse expediente para conseguir seu afastamento. Num homem público de sua estatura, isso deveria ter sido feito com lealdade e diretamente à presidente.

2. Mas, uma vez tomada essa decisão, caberia perguntar por que Nelson Jobim forçou sua própria saída. Afinal de contas, teria sido mais simples sair com o presidente Lula e deixar o cargo na transição de governo. Se não fez isso, é porque em janeiro queria permanecer e acreditava no novo governo.  Portanto, dali para cá sua opinião mudou sobre a Presidente e sua capacidade de governar e sobre o governo e as circunstâncias.

3. As razões podem ser esses quatro vetores, um ou mais. O primeiro é a decepção com a presidente, com sua capacidade de comando político, controle e de gestão. O segundo vetor seria a decepção com o próprio governo, com seus companheiros de ministério. Jobim teria achado o ministério de terceira linha e não quis permanecer entre seus pares. E que as limitações políticas impediriam a Presidente de melhorar a qualidade do ministério.

4. O terceiro vetor seriam as informações que detém através dos serviços militares de informação de sua pasta, que muito mais coisa vem por aí. E, finalmente, a projeção que os próximos anos vão ser muito difíceis para o governo federal pela crise que está aumentando a cada dia e, que com isso, o governo Dilma vai fracassar como fracassou o segundo governo FHC pela crise.

5. É possível que seja uma combinação de dois ou mais desses vetores. Mas, de qualquer maneira, um vetor estará presente em todas as hipóteses: a perda de confiança na capacidade da presidente para gerir, controlar, coordenar politicamente…

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Não é possível concordar com Cesar Maia em vários pontos da análise, como no elogio “à estatura” de “homem público” de Jobim, mas certamente o ex-prefeito referia-se apenas ao manequim tamanho GG dele.  

Mas os itens 3 e 4 da análise de Cesar Maia têm procedência. Parece óbvio que Jobim estava decepcionado com seus companheiros de ministério, realmente de terceira linha, e não quis permanecer entre eles, embora o próprio Jobim não seja nada de extraordinário, pelo contrário. Mas se acha…

Talvez estivesse também decepcionado com a presidente Dilma Rousseff, devido às limitações políticas que a impedem de melhorar a qualidade do ministério, por ser refém de Lula e da base aliada. E poderia estar decepcionado também pela consequente falta de capacidade de comando político, controle e de gestão da presidente.

O mais importante, porém, seriam as informações que Jobim detém através dos serviços militares de informação de sua pasta, de que muito mais coisa vem por aí. Será que foi nelas que ele se baseou para sair? Cesar Maia levantou uma bela lebre.

Mas ninguém pode esquecer que Jobim fez uma completa lambança, mas depois tentou voltar atrás das declarações à revista Piauí, comportando-se como um covarde e não como um ministro que comandava as Forças Armadas, vejam só que contradição à brasileira.

 

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