Vale tudo para Dilma Rousseff permanecer no Poder

José Carlos Werneck

As recentes alianças que a presidente Dilma Rousseff vem firmando reviram o estômago de qualquer cidadão que tenha o mínimo senso de dignidade, alguma noção de moral e um pouco de coerência.

O que vem ocorrendo é de escandalizar até mesmo um gigolô de beira de cais. Como se pode fazer alianças com pessoas a quem, em passado não muito distante, a então candidata Dilma tinha total desprezo.

Creio que nem Carlos Lacerda e os ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, quando, esquecendo todo um passado de lutas, mas na ânsia desenfreada de chegarem ao poder, bolaram a “Frente Ampla”, sonharam com total insensatez.

Nessa lamentável aliança, Carlos Lacerda deu, em sua carreira política, o tiro que os capangas de Getúlio Vargas, não lhe acertaram, no atentado da Rua Tonelero, em 1954. Realmente, agora entendo que o major Vaz, amigo e fiel seguidor de Carlos Lacerda, morreu em vão, para virar nome de túnel no Rio de Janeiro.

LACERDA INCOERENTE

No desespero de chegar à presidência da República, pois dos três era o único que não se encontrava cassado, Lacerda esqueceu-se de tudo. Mandou, seu passado glorioso, sua vida de lutas e tudo o mais que caracterizava sua brilhante trajetória política às favas.

Creio mesmo que tenha olvidado sua inegável inteligência, em nome da ambição despudorada e desmedida. O único político coerente no episódIo foi Leonel Brizola,que convidado por amigos comuns para encontrar-se com Lacerda e participar do movimento foi direto em sua resposta:

“Não tenho assuntos a tratar com este senhor!”

Os lacerdistas deixaram de seguir seu lider e aqueles que sempre foram seus adversários continuaram inarredáveis em suas posições. A única exceção foi o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que manteve relações de amizade com Lacerda até o final de sua vida.

Ambos tinham negócios imobiliários na então promissora Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e faziam consultas mútuas sobre terrenos no bairro.

LUTA PELO PODER

Atualmente a luta pelo poder visa única e exclusivamente apoderar-se das gordas verbas públicas, dos impostos extorquidos da população, que nada recebe em troca.

Hoje assistimos perplexos a uma série de alianças espúrias,conchavos imorais, cumprimentos efusivos e jantares de confraternização unindo aqueles que há  pouco tempo atrás se digladiavam no cenário político brasileiro.Tudo isto feito para alcançar o poder e dispor do erário público da forma mais indigna e imoral que for possível. O que interessa é ter a chave do cofre, é usufruir das verbas públicas, em proveito pessoal e dos seus protegidos. Uma indignidade total Uma vergonha nacional!

NO LIXO DA HISTÓRIA

A hipocrisia tomou conta da política. A dignidade foi para a lata do lixo da História e a honra para o esgoto. O importante é se dar bem. Não se pensa no Brasil nem nos brasileiros. Essas tristes figuras, esses pobres diabos, agora ricos diabos, só pensam e querem tirar proveito de tudo. Dane-se o Brasil. Morram os pobres, os humildes, os que acordam cedo e trabalham honestamente. Está tudo dominado pela esperteza e pela corrupção. O importante é se dar bem! O povo que se vire. Eles exclamam: “nós somos superiores, os honestos que se danem!”

É neste caos que estamos vivendo,sem enxergar uma saída para toda essa podridão. Que Deus nos ajude e proteja o Brasil!

42 thoughts on “Vale tudo para Dilma Rousseff permanecer no Poder

  1. Refrescando a memória: depoimento do ex-deputado Maurílio Ferreira Lima sobre a criação da Frente Ampla e o papel de Juscelino, Jango e a grotesca oposição ao cunhado de Leonel Brizola.

    Vale salientar a generosidade de Juscelino (e também de Jango) ao receber Carlos Lacerda, que durante a presidência da República o atacou tal como fez com Getúlio Vargas, no seu jornal Tribuna da Imprensa, chamando a ambos de corruptos e vários outros insultos. As agressões de Lacerda a Getúlio eram tais que acabaram desembocando no atentado da Rua Toneleros, onde auxiliares de Getúlio, sem o conhecimento de Getúlio, atiraram e Carlos Lacerda, mas erraram o tiro e acertaram no Major Vaz. Carlos Lacerda e sua UDN passaram a culpar Getúlio e a preparar um golpe militar. A genialidade de Getúlio Vargas era tanto, que ele encetou uma solução política para afastar Lacerda, a UDN e os generais golpistas de cena: o suicídio! Com o suicídio de Getúlio, Lacerda e a parte mais golpista da UDN tiveram de esconder-se e fugir temporariamente da cena política. A revolta popular contra Lacerda foi enorme porque a população o ligava ao suicídio do “pai dos pobres” Getúlio Vargas. É bom lembrar que durante o governo Getúlio, Lacerda também atacou Jango, chamando-o de comunista, corrupto (e Jango não era comunista nem corrupto – assim como Juscelino). Então, Juscelino e Jango, se fossem cidadãos comuns, jamais perdoariam Lacerda e jamais receberiam seu grande detrator. Além disso Lacerda era golpista, Juscelino e Jango eram democratas.

    Quando Carlos Lacerda, através de seu candidato Udenista perdeu as eleições no Estado da Guanabara, e percebendo que a Ditadura Militar não iria entregar tão cedo o poder aos civis, matando o sonho de Lacerda de ser Presidente da República, este procura Juscelino em Portugal, que, generoso, o recebe de braços abertos e adere à proposta lacerdista de “Frente Ampla” cujo objetivo era combater a Ditadura e a volta da democracia no Brasil. Mais tarde, e com mais dificuldade, mas assim mesmo também generoso, o ex-presidente João Goulart, tão insultado por Lacerda, aceita pactuar com seu detrator: o objetivo era maior do que a mágoa – tratava-se da Pátria Amada e da amada democracia. De resto, sobre o que ocorreu com a Frente Ampla, nada melhor que o depoimento de quem a viveu de perto, o ex-deputado Maurílio Ferreira Lima, cassado pela Ditadura.

    A FRENTE AMPLA FOI VISTA PELOS MILITARES NO PODER COMO UMA AMEAÇA CONTRA O QUE ELES CHAMAVAM REVOLUÇÃO DE 1964.O PODEROSO GOVERNADOR DA GUANABARA , CARLOS LACERDA , DISPUTAVA COM O GOVERNADOR DE MINAS , MAGALHÃES PINTO , O PAPEL DE LÍDER CIVIL DO GOLPE MILITAR .AMBOS ESPERAVAM QUE O GOLPE TERIA SIDO DADO PARA AFASTAR JUSCELINO DA PRESIDÊNCIA , COM A CAMPANHA NAS RUAS , JK 65.

    AFASTADO JUSCELINO ,AMORDAÇADO O CONGRESSO , DIZIMADO O MDB E A SOMBRA DO PTB DE JANGO, LACERDA ACHAVA QUE OS MILITARES CONVOCARIAM ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS E O ÚNICO ADVERSÁRIO RESTANTE SERIA MAGALHÃES PINTO, QUE JULGAVA FÁCIL DE DERROTAR .

    COM O TEMPO PASSANDO , LACERDA PERCEBEU QUE OS MILITARES SE INSTALARAM NO PODER POR MUITO TEMPO ,FAZENDO A PRESIDÊNCIA SER UM RODÍZIO DE CHEFES MILITARES ,ELEITOS INDIRETAMENTE POR UM CONGRESSO SEM PODER , EM VOTO ABERTO, COM AMEAÇA DE PERDE O MANDATO QUEM VOTASSE CONTRA .

    EM NOVEMBRO DE 1966 ,LACERDA PROCUROU O DEPUTADO RENATO ARCHER , DO MDB E DOUTEL DE ANDRADE DO ANTIGO PTB ,PARA VIAGEM A LISBOA ,PARA CONVIDAR JUSCELINO ,EXILADO EM PORTUGAL A FAZER ALIANÇA COM LACERDA E JANGO EM MONTEVIDEO PARA ADERIR AO MOVIMENTO .

    AMBOS CONCORDARAM E EM NOVEMBRO DE 1966 LANÇARAM NO DIA 28 DE NOVEMBRO O MANIFESTO DA FRENTE AMPLA ,PRECONIZANDO ELEIÇÕES DIRETAS PARA PRESIDENTE ,POLÍTICA EXTERNA INDEPENDENTE E DESENVOLVIMENTO COM DISTRIBUIÇÃO DE RENDA .

    ESSE MANIFESTO IRRITOU PROFUNDAMENTE OS MILITARES QUE DECIDIRAM TOMAR REPRESÁLIAS DRÁSTICAS .DEPOIS QUE LACERDA JUNTO COM JUSCELINO , PUBLICARAM A DECLARAÇÃO SE LISBOA , FOI CONSIDERADO INIMIGO, IGUAL A JUSCELINO E JANGO .

    POR CONTA DA PARTICIPAÇÃO NA FRENTE AMPLA , NA PRIMEIRA LISTA DE CASSADOS PELO ATO INSTITUCIONAL 5 ,CONTENDO 13 NOMES , FORAM INCLUÍDOS RENATO ARCHER E O DEPUTADO DA UDN, CHAMADA BOSSA NOVA, JOSÉ CARLOS GUERRA , QUE SE INTITULAVA COORDENADOR DA FRENTE AMPLA , DENTRO DA UDN .EU FOI O QUINTO DESSA LISTA .

    EM 1967 , EU ESTAVA NO EXERCÍCIO DO MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL E OS AMIGOS DO PTB E O ADVOGADO MARCELO ALENCAR , ME ENCARREGARAM DE VIAJAR A MONTEVIDEO PARA FAZER UM RELATO DETALHADO A JANGO DO AVANÇO DA FRENTE AMPLA.

    MINHA CHEGADA AO URUGUAY

    A DITADURA MILITAR URUGUAIA ERA FEROZ NA REPRESSÃO E FEZ UMA ALIANÇA DOS SERVIÇOS POLICIAIS MILITARES COM AS DITADURAS BRASILEIRAS E ARGENTINA .

    QUANDO DESEMBARQUEI NO AEROPORTO DE MONTEVIDEO ,PORTANTO PASSAPORTE DIPLOMÁTICO DE PARLAMENTAR BRASILEIRO , ME DIRIGI A FILA DE ENTRADA MAS PERCEBI QUE UMA PESSOA MORENA ESCURA ME ACOMPANHAVA DE LADO .OLHANDO BEM SUAS FEIÇÕES ME APERCEBI QUE O CONHECIA DE ALGUM LUGAR .

    EM UM DADO MOMENTO, SE APROXIMOU DE MIM E PERGUNTOU AMAVELMENTE : MAURÍLIO , ESTÁ ME RECONHECENDO ?

    IMEDIATAMENTE , VOLTEI AO TEMPO EM QUE INGRESSEI NO 1 ANO DO CURSO DE DIREITO , DA FACULDADE DE DIREITO DO RECIFE , NO PARQUE TREZE DE MAIO .

    NESSA ÉPOCA , O GRANDE COMENTÁRIO NA FACULDADE ERA O FATO DE UM TERCEIRANISTA , DE SOBRENOME SOTERO , TINHA SIDO APROVADO EM 1 LUGAR , NO MAIS COBIÇADO CONCURSO DO BRASIL ,A SELEÇÃO PARA A FORMAÇÃO DE DIPLOMATAS DO ITAMARATY .

    SOTERO TINHA UM IRMÃO , ME PARECE GÊMEO, O PADRE SOTERO, QUE JUNTO COM O PADRE HENRIQUE , ASSASSINADO E PADRE ALMERY BEZERRA , EXILADO DEPOIS EM ROMA E ARGEL ERAM OS IMEDIATOS DO ARCEBISPO DE OLINDA E RECIFE , D.HELDER CÂMARA.

    SOTERO FALOU:SOU O CÔNSUL DO BRASIL EM MONTEVIDEO .OS MILITARES QUE GOVERNAM O BRASIL NÃO RESPEITAM OS FUNCIONÁRIOS QUE INGRESSARAM NO SERVIÇO PÚBLICO POR CONCURSO .SOU UM SERVIDOR DO ESTADO BRASILEIRO E NÃO UM MEGANHA DA POLÍCIA DA DITADURA .

    O ITAMARATY ,ENVIOU UMA ENORME FOTO SUA , CÓPIA DO SEU PASSAPORTE E MANDOU ORDENS PARA EU MONITORAR SUA CHEGADA. VOU SIMPLESMENTE RESPONDER; PASSAGEIRO DESEMBARCOU NO VOO N TAL , RETIROU BAGAGEM , PEGOU UM TAXI E SE FOI .SE QUISEREM BABER QUEM VOCÊ VAI ENCONTRAR QUE MANDE UM MEGANHA .

    FIQUE SABENDO QUE SUA PRESENÇA AQUI ESTÁ VIGIADA POR TODOS OS LADOS E FOI EMBORA .

    MARCO MACIEL ERA TERCEIRANISTA DE DIREITO E DEVE SE LEMBRAR DE SOTERO .

    FUI DIRETO PARA O APTO DE JANGO, QUE CERCADO DE AMIGOS OUVIU MEU RELATO ,AGRADECEU MAIS UMA VEZ MINHA VISITA A ELE E ME PEDIU .

    VOCÊ DEVE CONHECER O CUNHADO , BRIZOLA . VIROU MEU INIMIGO E FICA ADIVINHANDO O QUE VOU FAZER PARA ME ESCULHAMBAR .

    PROCURA ELE QUE SEU NOVO DIVERTIMENTO É TRABALHAR CONTRA FRENTE AMPLA .

    MANDOU ME LEVAR AO APTO DE BRIZOLA .

    QUANDO CHEGUEI BRIZOLA MANDOU ENTRAR E PERGUNTOU . O QUE TU ESTÁS FAZENDO EM MONTEVIDEO ?RELATEI A ELE MEU ENCONTRO COM JANGO , FIZ UM RELATO SOBRE A FRENTE AMPLA E FALEI DO PEDIDO DE JANGO PARA VISITA-LO .

    O BRIZOLA RETRUCOU COM CARA DE POUCOS AMIGOS . PENSEI QUE ESTAVA RECEBENDO UM ILUSTRE PARLAMENTAR DO MEU PAÍS MAS ESTOU PERDENDO MEU TEMPO DIANTE DE UM MOLEQUE DE RECADOS .TRANSMITA DE VOLTA AO MEU CUNHADO CORRUPTO E ENTREGUISTA QUE DEPOIS DE TE OUVIR, TENHO MAIS MOTIVOS PARA SER MAIS CONTRA ESSA FRENTE AMPLA .

    ACHEI QUE ERA O MOMENTO DE EU ME RETIRAR .SÓ VOLTEI A ENCONTRAR BRIZOLA ANOS DEPOIS EM LISBOA ,AONDE CHEGARA DOS E.E.U.U PARA LANÇAR O PTB .NESTE LANÇAMENTO ESTAVAM , FRANCISCO JULIÃO, VINDO DO MÉXICO , O DEPUTADO OSVALDO LIMA FILHO ,MDB PE E O DEPUTADO PERNAMBUCANO ESTADUAL ,SÉRGIO MURILO .

  2. O quadro é exatamente este. Dilma foi colocada onde está para conduzir a derrocada do país. Para o Foro de São Paulo é preciso derrubar o poder, os institutos e as instituições e reformatar o país nos moldes da anarquia comunista.

    • Sr. Wagner Pires,

      Embora o governo Dilma precise ser derrubado, isto nada tem a ver com o Foro de São Paulo. Mas Carlos Lacerda, com sua eloquência verbal, usava todos os argumentos, verdadeiros ou falsos, para derrubar presidentes (Getúlio, Jango, Juscelino) e seu principal argumento era o combate ao Comunismo, que ele atribuiu a Jango. Vou trazer para cá um pouco da história de Getúlio Vargas, que fala dos ataques de Lacerda a Getúlio. Aprenda mais com Lacerda para você atacar governos com melhores argumentos. Se queremos culpabilizar Dilma (e queremos!) culpabilize o que ela fez de errado, e não o que ela não fez. Os erros de Dilma nada tem a ver com o Foro de São Paulo.

      Não restam dúvidas que de todos os adversários políticos do getulismo um nome se destacava ante a ferocidade de suas críticas: Carlos Lacerda. Sua escrita ferina e altamente inquietante tinha endereço certo: o inquilino mais ilustre do Palácio do Catete — Getúlio Vargas. Lacerda não perdoava o mínimo vacilo. “A bacanal de Coberville”, assim se referiu ele à nababesca festa que participaram, em Paris, a filha e a esposa de Getúlio. O alvo e a intensidade das críticas eram cada vez mais frequentes. Transcrevo algumas delas dos escritos de seu biógrafo. “Protetor de ladrões, “caudilho e golpista”, “desonrado e inepto”, “corruptor e abjeto”. A mente brilhante, diabólica e altamente comunicativa do ex-governador do antigo Estado da Guanabara criaria uma expressão que se imortalizou ao se referir à corrupção (segundo ele) incessante que desaguava no governo do líder da Revolução de 1930: “Mar de lama”.

      A metralhadora lacerdista não poupava nem mesmo o filho de Getúlio — Lutero — que o acusava de ser “o filho rico do ‘pai dos pobres’”. Lutero era o “degenerado”, “meliante” e “ladrão” (este adjetivo se referia ao fato do patrimônio de Lutero não ser condizente com sua profissão de médico).

      Samuel Wainer, assumido defensor do getulismo e dono do jornal “Última Hora”, tomava as dores do “pai dos pobres”. Não dava outra: o duelo público entre esses dois talentos da escrita registrou os momentos mais vibrantes (e tensos) de toda a história do jornalismo brasileiro.

      Um desses momentos da contenda entre os dois homens de imprensa se deu com a morte do repórter policial Nestor Moreira, espancado até a morte, nas dependências de uma delegacia de polícia. Lacerda, como de costume, ligou o episódio à imagem do governo. Samuel Wainer não perdoou. Lira Neto transcreve detalhadamente a irônica defesa de Wainer ao atacar Carlos Lacerda: “O Corvo fingiu misturar-se à massa popular que acompanhava o enterro. Cercou com tarjas negras o seu pasquim, açodou-se nos apelos às missas e funerais, soltou seus habituais gritos histéricos […] o Corvo, porém, podia enganar o povo, não os verdadeiros jornalistas que sempre estiveram ao lado de Moreira em vida e nos momentos de sua agonia. Estes sabiam muito bem quais eram os desígnios do Corvo, estes sabiam que ele sempre fora um inimigo da classe pela qual Moreira tombou”.

  3. Fizeram o filme: Lula o Filho do Brasil. Podiam aproveitar para fazer outro filme
    com o título: Assalto ao Patrimônio Público. Seria de dar inveja aos produtores
    americanos de filmes da máfia.

  4. Prezado amigo Carlos Newton,
    A caricaturista que fez o corvo,a pedido de Carlos Lacerda que, para irritar seus adversários, tirou proveito do apelido,chamava-se Hilde Weber,que trabalhava na Tribuna da Imprensa e era conhecida e assinava simplesmente Hilde.
    Abraço,
    Werneck

  5. Caro JOSÉ CARLOS WERNECK … Bom dia!

    O senhor é parente próximo do Carlos Frederico Werneck de Lacerda? Só curiosidade! Abraço!

    II Concílio do Vaticano … Data: de 11 de outubro de 1962 a 8 de dezembro de 1965 … em que a Igreja Católica procurou o “aggiornamento” – não houve condenação do comunismo.

    A Revolução do Rosário é em pleno Vaticano II em que a Igreja vai se afastando de posições à direita, certo?

    A Frente Ampla é após o CV II … refletindo uma guinada esclesiástica à esquerda … certamente influenciou na nova posição política de Lacerda!
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Frente_Ampla com: “A Frente Ampla foi um grupo político reunindo Carlos Lacerda e seus antigos adversários Juscelino Kubitschek e João Goulart contra o Regime Militar de 1964 criado a partir de 1966.[1]
    As conversas com Juscelino, exilado em Lisboa, foram mediadas por Renato Archer, deputado do MDB, antes do PSD, e as conversas com Goulart, por Doutel de Andrade, do MDB, antes do PTB.
    Os militares da linha dura e dos conservadores ameaçaram retirar o apoio a Lacerda, caso ele continuasse os entendimentos com os dois inimigos do golpe. Ainda assim, em 28 de outubro, a Frente Ampla foi lançada com um manifesto, assinado somente por Lacerda, publicado na Tribuna da Imprensa, seu ex-jornal.
    No dia 19 de novembro de 1966, Lacerda e Juscelino emitiram a Declaração de Lisboa, onde afirmavam a intenção de trabalhar juntos numa frente ampla de oposição. Comprometeram-se com a orientação política do manifesto de 28 de outubro e conclamaram o povo a participar da formação de um grande partido popular. Lacerda passou então a buscar entendimentos com Goulart, com os setores mais à esquerda do MDB, chamados “corrente ideológica” e com o PCB ilegal. O PCB se dividiu em grupo favorável ao acordo, e outro grupo que acreditava que Lacerda seria o único beneficiado, já que Juscelino e Goulart estavam exilados.
    Já em 1967, …
    Em 1 de setembro, se decidiu que a Frente Ampla seria dirigida somente por parlamentares e elementos ligados à Igreja e que seriam enviados emissários para mobilizar a opinião pública em torno dos ideais da frente ampla.
    No dia 24 de setembro Lacerda viajou para o Uruguai e no dia 25 se encontrou e divulgou nota conjunta com Goulart defendendo a Frente Ampla.
    Em 5 de abril de 1968, a Frente Ampla definitivamente proscrita através da Portaria nº177 do Ministério da Justiça. Posteriormente, depois da edição do Ato Institucional no. 5, Carlos Lacerda teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos, em 31 de dezembro de 1968.”

    Abraço!

  6. José Carlos Werneck sabes do respeito que te tenho,o que não me impede de divergir em alguns pontos sobre a comparação que fazes sobre os entendimentos de Dilma, com a “Frente Ampla” de 1966, que uniu Lacerda, Juscelino e Jango. São situações totalmente diferentes. Acho uma brutal injustiça quando dizes: “Juscelino, Lacerda e Jango quando esquecendo todo um passado de lutas, mas na ância desesperada de chegarem ao poder, bolaram a “frente Ampla, com total insensatêz”. Primeiro quem bolou a “Frente Ampla”foi o ex-deputado Artur Lima Cavalcanti junto a amigos de Lacerda, coordenada por Renato Archer. Segundo que “ânsia desesperada pelo poder só quem poderia ter era Carlos Lacerda o único que poderia concorrer a eleiçõe. Juscelino aceitou de pronto. Jango relutou muito encontrar-se com Lacerda. Houve empenho de Renato Archer, Brigadeiro Francisco Teixeira e do jornalista Edmundo Moniz. Mas quem conseguiu convencer Jango depois de muita conversa foi José Gomes Talarico. Isso está registrado na história.

  7. Wagner Pires, você conseguiu me tirar do sério com seus comentários absurdos, só perdoáveis se você for um analfabeto funcional. Diante do que eu escrevi acima, de onde você depreendeu (acho que depreendeu é uma palavra incompreensível para você), vá lá:Vale salientar a generosidade de Juscelino (e também de Jango) ao receber Carlos Lacerda, que durante a presidência da República o atacou tal como fez com Getúlio Vargas, no seu jornal Tribuna da Imprensa, chamando a ambos de corruptos e vários outros insultos. As agressões de Lacerda a Getúlio eram tais que acabaram desembocando no atentado da Rua Toneleros, onde auxiliares de Getúlio, sem o conhecimento de Getúlio, atiraram e Carlos Lacerda, mas erraram o tiro e acertaram no Major Vaz. Carlos Lacerda e sua UDN passaram a culpar Getúlio e a preparar um golpe militar. A genialidade de Getúlio Vargas era tanto, que ele encetou uma solução política para afastar Lacerda, a UDN e os generais golpistas de cena: o suicídio! O próprio texto que escrevi foi para mostrar que Carlos Lacerda foi um monstro, golpista, caluniador de presidentes e conspirou para derrubar Jango e, mais tarde conspirou a favor da Ditadura Militar.

    Está aqui a bobagem que você escreveu, mostrando que você não entendeu o texto: ” deixo isso para o sr. que se espelha em Carlos Lacerda”. Tomo isso como um insulto. Carlos Lacerda foi um dos piores brasileiros que nasceram. Em mal para o Brasil talvez ele possa ser comparado a Lula, embora em campos de ações diferentes. Olha aqui o que já estava escrito por mim quando você fez este comentário idiota : “Vale salientar a generosidade de Juscelino (e também de Jango) ao receber Carlos Lacerda, que durante a presidência da República o atacou tal como fez com Getúlio Vargas, no seu jornal Tribuna da Imprensa, chamando a ambos de corruptos e vários outros insultos. As agressões de Lacerda a Getúlio eram tais que acabaram desembocando no atentado da Rua Toneleros, onde auxiliares de Getúlio, sem o conhecimento de Getúlio, atiraram e Carlos Lacerda, mas erraram o tiro e acertaram no Major Vaz. Carlos Lacerda e sua UDN passaram a culpar Getúlio e a preparar um golpe militar. A genialidade de Getúlio Vargas era tanto, que ele encetou uma solução política para afastar Lacerda, a UDN e os generais golpistas de cena: o suicídio! ”

    Neste texto eu estou chamando Lacerda de golpista, agressor gratuito, que procurou derrubar Getúlio e depois Jango, e foi um governador que apoiou o golpe militar. Então de onde você tirou a afirmação de que “deixo isso para o sr. que se espelha em Carlos Lacerda” ? Você não sabe ler ? É analfabeto funcional ? Você também não tem razão ao me atribuir que quero entender só minhas idéias, quando diz: “O Sr. mostra uma forte tendência de entender aquilo que lhe convém, apenas. E eu não estou aqui para lhe agradar.” Não é verdade ! Não sou analfabeto funcional e entendo bem as idéias que aqui são lançadas, mesmo as que são contra as minhas convicções, e as respeito, não tendo você como afirmar a bizarrice de que eu mostro uma tendência a entender aquilo que me convém. Quanto a você me agradar, eu não lhe pedi isso e estou pouco me lixando se você for agradável ou desagradável a mim. Só repudio os seus comentários à minha postagens invertendo o sentido das mesmas e falando tanta besteira como você falou.

  8. É verdade, depreender é uma palavra muito difícil para se compreender.

    Mas, o sr. não tentou me impingir a figura de Carlos Lacerda? Querendo-me ter como diabólico, ferino e um exemplo a ser seguido?

    Eu só achei que a figura lhe saiu muito bem como num espelho.

    Isso que o senhor tenta fazer em relação à minha pessoa é próprio da razão leninista: “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é.”

  9. Wagner Pires,

    Mais uma vez você me obriga a voltar à Tribuna. Em nenhum momento (leia bem) eu tentei lhe impingir a figura de Carlos Lacerda. Eu só quis alertá-lo que você está vendo o Foro de São Paulo como motivo do péssimo governo Dilma, e passa a atribuir tudo isso a um complô comunista para ” conduzir a derrocada do país. Para o Foro de São Paulo é preciso derrubar o poder, os institutos e as instituições e reformatar o país nos moldes da anarquia comunista.” Isto não tem sentido. O Foro de São Paulo, que também condeno, nada tem a ver com a incompetência de Dilma que, por sua vez, nunca foi comunista.

    Carlos Lacerda era um anti-comunista profissional. Ganhou a vida taxando todos os adversários (inclusive João Goulart ) de comunistas. Mas não fazia isso de grassa. Granjeou apoio da CIA e os Estados Unidos injetaram muito dinheiro no Governo da Guanabara quando Carlos Lacerda era governador. O principal programa chamava-se “Aliança para o Progresso”, que entre outras coisas, permitiu que Lacerda construísse dois bairros operários (com a conveniência de mandar para longe os favelados dos morros perto do asfalto). Deu estrutura a estes dois bairros, nas proximidades de Bangu, a Vila Kennedy e a Vila Aliança. Rearranjou a orla de Copacabana e fez melhorias no Rio com o dinheiro dos americanos.

    Os norte-americanos só queriam em troca que ele combatesse os comunistas. Lacerda, que nunca foi bobo, saia denunciando comunismo em tudo o que via: em Jango, em Juscelino, em Dom Helder Câmara, em Miguel Arrais e em outros nomes menos importantes. Em troca disso, foi recebendo mais financiamento dos Estados Unidos, num tempo de Guera Fria. Por isso ele foi um ótimo governador do Estado da Guanabara. Não faltava dinheiro !

    O que eu estou alertando a você é para, como amador, não ficar enxergando comunismo em tudo, em Lula, em Dilma, no PT ou achando que a roubalheira que o PT produziu e o governo que Dilma afundou foram projetos do Foro de São Paulo, o que é ridículo. Carlos Lacerda fazia isso de sacanagem, para auferir vantagens (aliás, antes de virar Udenista, Lacerda foi membro do Partido Comunista Brasileiro ) que depois ele veio perseguir. Mas você não tem nada a ganhar com isso.

    • Quanta conversa fiada de um esquerdista que teima em deturpar os fatos.

      Quem esteve presente o tempo todo no país contaminando as decisões políticas e direcionando o país para isso que temos hoje – uma onda de pensamento deturpado esquerdista foi KGB.

      É só olhar a podridão dessa política e tentar enxergar algum partido de direita. São sessenta anos de domínio comunista no país pela prática de ocupação de espaços, a começar pelas faculdades públicas, numa clara aplicação da teoria de Antônio Gramsci.

      O sr. e os sectários esquerdistas continuarão emitindo seus mantras, tentando deturpar os fatos por mais evidentes que eles sejam, mas dos meios de comunicação já, amplamente dominados por esta peste esquerdista, exclui-se a internet por onde fluem as informações em tempo real e para todos os que buscam se instruir.

      Repita a mentira que quiser que é prática reiterada dessa gente, e portanto, bastante compreensível vindo de sua pessoa.

      A KGB no Brasil

      http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/15060-2014-03-24-18-58-37.html

  10. Caros … já houve comentários sobre Frente Ampla:

    1 – http://tribunadainternet.com.br/roberto-marinho-e-lincoln-gordon-esqueceram-costa-e-silva/ com: “Almério Nunes … maio 7, 2014 6:36 pm … Caríssimo Flávio !!!
    Novamente recorro ao HELIO FERNANDES, na sua Coluna na TRIBUNA DA IMPRENSA do mesmo dia …
    06 de dezembro de 2006.
    “Um dia fui chamado pelo coronel Olímpio Mourão Filho (ele mesmo, de 64), presidente da CTR (Comissão Técnica de Rádio). Simpático, foi logo me dizendo: ‘Helio, extraordinário teu programa, que clareza, que informação, mas você não vai falar mais’. E não falei mesmo”.
    Flávio, o que ocorria nos bastidores … ANTES de 64? Estavam armando tudo? “Estavam … quem?” Olha só a posição de Poder que tinha o Olímpio Mourão Filho. Simplesmente acabou com um programa de rádio!!! E o que dizia o Helio neste programa? Dizia que o Brasil estava sendo roubado escandalosamente, que os grupos internacionais nos exploravam, etc, e TUDO com nomes de empresas, pessoas e datas.
    É muito triste, a nossa trajetória. E … às vésperas do golpe de 64, Kennedy enviou para cá navios de guerra com aviões e munição pesada, além de soldados. No meio do caminho … veio a ordem para que retornassem à base. ELIO GASPARI conta isto com detalhes de arrepiar. Teríamos sido invadidos e bombardeados, caso necessário.”
    2 – Flávio José Bortolotto … maio 7, 2014 7:46 pm … Prezado Sr. ALMÉRIO NUNES, Saudações.
    O Gen. OLÍMPIO MOURÃO FILHO era conterrâneo do Presidente JUSCELINO KUBITSCHEK, de Diamantina-MG. Foi colocado a dedo pelo Presidente JK, na Comissão Técnica de Rádio, antigo DENTEL, para rigorosamente proibir a presença dos grandes Jornalistas Sr. HÉLIO FERNANDES e Sr. CARLOS LACERDA, no Rádio e na TV Brasileiros, e cumpriu a risca o Mandado. Mais um dos “truques do extraordinário e democrático Presidente JK”.
    O fato do Presidente LYNDON JONHSON dos EUA, de enviar para o litoral do Brasil, uma Força-Tarefa Aero-Naval, em 1964, é mais uma prova de que os EUA estavam completamente “por fora” de como funcionam as FFAA BRASILEIRAS, experientes de mais de 120 anos em operar na Política do Brasil, e até hoje. Absolutamente isso não influiu em nada.
    O que sim foi fatal, foi a total quebra da Disciplina e Hierarquia das FFAA Brasileiras, executadas pelo Presidente JOÃO GOULART. Um Presidente que tem todo o interesse em preservar a Lei & a Ordem, principalmente a Disciplina e Hierarquia Militar, quando faz o que o Presidente JOÃO GOULART faz com sua Política com os Sargentos, aí não tem mais volta. Abrs.”

    E confirmando em http://tribunahelio.blogspot.com.br/2006/03/nesta-quarta-feira-de-cinzas-obscura.html: “Quanto ao democrata JK, basta citar o seguinte: em 1956, primeiro ano do seu governo, proibiu de aparecerem na televisão Carlos Lacerda, Millor Fernandes e este repórter. Vou contar como se deu a minha proibição. Eu fazia comentários no mais famoso programa de televisão da época, “Noite de gala”. (As apresentadoras, belíssimas, Ilka Soares e Tonia Carrero. O diretor do programa, Geraldo Casé, altamente competente, está aí na TV Globo. Pode ser ouvido).
    A televisão estava começando, era subordinada à CTR (Comissão Técnica de Rádio). Um dia fui chamado pelo presidente dessa Comissão, não sabia seu nome, sabia que era um coronel. Simpaticíssimo, foi logo dizendo: “Sou o coronel Olimpio Mourão Filho, teu grande admirador, não perco um programa, mas você não vai falar mais”. O que fazer ou dizer? Impressionante, não falei mesmo.
    PS – Em 1966, 10 anos depois, em plena Frente Ampla que começou na minha casa, Juscelino pediu a Renato Archer que fizesse um almoço entre nós dois. Muitas desculpas, disse sem nenhum rancor: “Helio, você, o Millor e o Carlos Lacerda, juntos, falando quase que diariamente, não dava para suportar”.
    PS 2 – Respondi: “Presidente, já se passaram 10 anos, os fatos acontecem, estamos em outro momento, nem me lembro mais do que aconteceu, só quero saber o que vai acontecer”. JK se levantou, me abraçou, não tocamos mais no assunto. Não esquecer: em 1955, quando JK viajou como presidente eleito e ainda não empossado, numa “comitiva” de 6 pessoas, só um convidado: este repórter.”
    … … …
    Mourão Filho, já general, foi quem desceu as tropas mineiras, após conversar com o marechal Dennys, e Juiz de Fora, MG!!!

  11. Texto magistral do Prof. Dr. Luiz Alberto Moniz Bandeira, na Revista Espaço Acadêmico – Nº58 – Março de 2006 – Disponível na internet

    Recomendo que se leia o texto todo, uma aula de História do Brasil, fala sobre o comprometimento da CIA e da entrada de armas norte-americanas para o Golpe Militar de 1964, que já vinha sendo planejado pelo Pentágono desde 1962. Fala da participação ativa do colaborador da CIA Carlos Lacerda.

    Lincoln Gordon ainda reclamou o envio imediato de uma força naval para manobras no Atlântico Sul e estacionar em frente ao porto de Santos. E, em outro telegrama datado de 29 de março, insistiu junto ao Departamento de Estado e a outras autoridades, entre as quais John McCone, diretor da CIA, para que fosse enviada secretamente uma variedade de armas, de modo que elas estivessem “pre-positioned prior any outbreak of violence” e pudessem ser usadas “used by paramilitary units working with Democratic Military groups”. Também recomendou que Washington fizesse uma declaração pública para assegurar ao “large numbers of democrats in Brazil that we are not indifferent to the danger of a Communist revolution here” e sugeriu que, de modo a ocultar o papel dos Estados Unidos, as armas deviam ser despachadas via “unmarked submarine to be off-loaded at night in isolated shore spots in state of Sao Paulo south of Santos.” [15] Já então Goulart recebera a informação de que por volta da meia-noite do dia 16 de julho de 1963, um submarino norte-americano, com o prefixo WZY-0983 e sob o comando de um sobrinho do general Mac Clark, provavelmente chamado Roy, desembarcou, ao largo de Pernambuco, munições de guerra, entre as quais 750 bazucas, revólveres, espingardas e granadas, com o auxilio de alguns generais brasileiros reformados[16]. Estas armas se espalharam pela Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e outros estados, sendo muitas de origem tcheca, dentro de um plano de provocação, que visava a justificar, de acordo com o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), a intervenção dos EUA no Brasi1.[17] Vários depósitos com armamentos chegaram a ser descobertos pela Polícia do Exército, que em 10 de outubro vasculharam uma chácara em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), perto de uma propriedade de Goulart, o Sítio do Capim Melado, e encontraram 10 metralhadoras Thompson, calibre 45, 20 carregadores, 72 caixas de 50 cartuchos Remington Kleanbore 45, 10 granadas Federal Blast Dispersion Tear Gas (CN) e um rádio transmissor-receptor portátil Motorola, marcada com o símbolo do Ponto IV (mãos apertadas), da Embaixada dos EUA[18].

    O sítio pertencia a um amigo de Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara (então a cidade do Rio de Janeiro), e as armas eram tão modernas que os oficiais do Exército brasileiro estranharam, porquanto ainda não as conheciam. Segundo o ministro da Justiça, Abelardo Jurema, as metralhadoras Thompson entraram clandestinamente no Brasil. Não existia nenhuma daquele tipo nas organizações de polícia do país, nem sequer do Exército, e as investigações evidenciaram que se tramava o assassinato de Goulart e de seus filhos, bem como o de muitos políticos e generais favoráveis ao governo.[19] O Inquérito Policial-Militar comprovou a “intenção criminosa” de vários colaboradores do governador Carlos Lacerda Lacerda, que, sem dúvida alguma, não estava alheio à iniciativa, segundo o SFICI, que, em informe a Goulart, incriminou também os deputados estaduais da UDN Sandra Cavalcanti e Nina Ribeiro.[20]

    • A História proibida

      ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO | 24 MARÇO 2014
      ARTIGOS – CULTURA

      Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles?

      Carl Schmitt definia a política como aquele campo da atividade humana no qual, não sendo possível nenhuma arbitragem racional dos conflitos, só resta juntar os amigos e partir para o pau com os inimigos. Invertendo a célebre fórmula de Clausewitz, a política tornava-se assim uma continuação da guerra por outros meios. Nessa perspectiva, o que quer que se dissesse a respeito deveria ser julgado não por sua veracidade ou falsidade, mas pela dose de reforço que desse aos “amigos” e pelo mal que infligisse aos “inimigos”.

      A quase totalidade da bibliografia nacional sobre o golpe de Estado de 1964 segue rigorosamente essa receita. A hipótese de discutir racionalmente os argumentos dos golpistas é afastada in limine como “extremismo de direita” ou como adesão retroativa ao movimento que, com forte apoio popular, derrubou João Goulart e inaugurou a era dos presidentes militares. A única função que resta para o historiador é, portanto, reforçar o elemento macabro na lista dos crimes de um dos lados e enaltecer os do outro lado como boas ações incompreendidas.

      A universidade brasileira tem nisso uma das suas principais missões educacionais. Não espanta que para cumpri-la tenha tido de reduzir mais de cinqüenta por cento dos seus estudantes ao estado de analfabetismo funcional,[1] tornando-se assim uma organização criminosa empenhada na prática da fraude em grande escala.

      A ciência política começou quando Sócrates, Platão e Aristóteles inauguraram a distinção entre o discurso do agente político e o do observador científico. Essa distinção não poderia ser mais clara nem mais incontornável: o primeiro destina-se a fazer com que determinadas coisas aconteçam, o segundo a compreender o que acontece. O próprio agente político, quando fala entre amigos, tem de ser um pouco cientista para dar a eles uma visão realista do estado de coisas antes de lhes dizer o que devem fazer. Levada às suas últimas conseqüências, a regra schmittiana resulta em suprimir toda possibilidade de um conhecimento objetivo do estado de coisas e em meter os amigos numa enrascada dos diabos. Ninguém praticou isso com mais dedicação do que os comunistas, que por isso mesmo acabaram matando mais comunistas do que todas as ditaduras de direita reunidas e somadas. Até hoje ninguém contestou satisfatoriamente a minha assertiva de que nos anos 30-40 do século passado um marxista de estrita observância teria maior probabilidade estatística de sobreviver na Espanha de Franco ou no Portugal de Salazar do que em Moscou.

      Quase toda a bibliografia nacional sobre o golpe de 1964 e sobre o regime militar que se lhe sucedeu só tem, portanto, o valor de um documento bruto sobre a visão que uma das facções em luta tinha (e tem) dos acontecimentos. Como estudo científico-objetivo, não vale nada. Que alguns poucos livros se oponham a essa uniformidade consensual não melhora em nada a situação, pois expressam antes a reação enfática de uma minoria indignada do que um sério desejo de compreender o que se passou. E a desproporção entre ataque e defesa se torna ainda mais significativa porque – notem – os governos militares, com todos os recursos que tinham à mão, não espalharam um volume de propaganda anti-Goulart – ou anticomunista — que chegasse a um milésimo do que se escreveu e publicou contra eles depois que foram alijados do poder. Mesmo em plena ditadura, a produção de livros e jornais contrários ao regime, muitos abertamente pró-comunistas, já ultrapassava de longe o volume modesto da propaganda oficial, sem contar o fato de que esta se limitava a patriotadas genéricas e inócuas sem nenhum teor de ataque ou denúncia. O governo, enfim, cedeu à esquerda o monopólio do uso da linguagem, e o fez precisamente nos anos em que os setores mais hábeis do movimento comunista, em vez de se suicidar nas guerrilhas, liam Antonio Gramsci e se empenhavam em ocupar espaços na mídia e nas universidade para aí empreender a grande guerra cultural contra um adversário que a ignorava por completo.

      É inteiramente normal que no dia seguinte à queda de um regime ele seja demonizado, mas é ainda mais normal que a passagem do tempo favoreça abordagens mais realistas e equilibradas. Este ano o golpe de 1964 completa meio século de história, e não só a indústria da vituperação continua cada vez mais próspera, alimentada agora por uma cornucópia de verbas estatais, mas o simples impulso de sugerir alguma moderação ou de pedir equanimidade na averiguação dos delitos de parte a parte é recebido como virtualmente criminoso e digno de punição. Muitos acusam nele, abertamente, a preparação de um outro golpe, o anúncio de uma nova ditadura, e, com base nesse hiperbolismo forçado até o último grau, legitimam o uso de meios ditatoriais para evitá-la.

      Num país onde setenta mil cidadãos são assassinados por ano, a morte de quatrocentos terroristas meio século atrás é ainda alardeada como o mais terrível – e o mais recente – dos traumas históricos possíveis. Chega-se mesmo a exclamar que o Brasil só não encontrou o caminho da perfeita democracia porque os “crimes da ditadura” ainda não foram suficientemente investigados e denunciados.[2]

      Nessas condições, não é de estranhar que aspectos fundamentais da história daquele período fossem varridos para baixo do tapete, sufocados e proibidos, como se nunca tivessem existido e como se mencioná-los fosse o maior dos crimes. Eis alguns exemplos:

      1. Qual a dimensão real da ameaça comunista no Brasil dos anos 60? A norma geral é proclamar, a priori, que essa ameaça era inexistente ou irrisória. Mas as mesmas pessoas que assim dizem são as primeiras a apontar o grande número de oficiais comunistas e pró-comunistas que o novo regime expulsou das Forças Armadas. São também as primeiras a cantar as glórias do esquema guerrilheiro que Fidel Castro havia espalhado por todo o continente americano. Conta-se entre lágrimas a história da Operação Condor, mas evita-se cuidadosamente mencionar que ela foi apenas uma reação tardia à fundação da OLAS, a Operação Latino-Americana de Solidariedade, comando-geral das guerrilhas no continente, que já havia matado milhares de pessoas quando os governos da região decidiram juntar esforços para combatê-la.

      2. À profusão de investigações e denúncias sobre a ação da CIA no Brasil, entremeadas de mitos e lendas, corresponde, em simetria oposta, o total desinteresse ou a proibição tácita de averiguar a presença da KGB no país na mesma época. A abertura dos arquivos de Moscou, que tão profundamente modificou o panorama da sovietologia no mundo, foi recebida no Brasil como uma obscenidade da qual não se deveria falar.

      3. A balela de que as guerrilhas surgiram em reação à derrubada do presidente Goulart continua sendo repetida com a maior sem-cerimônia, mesmo sabendo-se que desde 1961 já havia no Brasil guerrilhas subsidiadas e orientadas pelo governo cubano. Nesse ponto, aliás, o simples fato de que o presidente Goulart, recebendo em mãos as provas do que se passava, escondesse tudo e remetesse em segredo a Fidel Castro em vez de mandar investigar essa ostensiva intervenção estrangeira armada, já bastava para tornar sua derrubada inevitável e até obrigatória.[3] No entanto, até hoje o golpe é carimbado como um ato de força “contra um presidente legalmente eleito”, como se Goulart tivesse sido derrubado por ter sido eleito e não por ter cometido um crime de alta traição.

      4. Qual foi exatamente a participação de exilados e de outros comunistas brasileiros na polícia política de Fidel Castro? Se o sr. José Dirceu foi oficial do serviço secreto militar cubano, é quase impossível que ele tenha sido uma exceção solitária. Quantos comunistas brasileiros foram co-responsáveis por matanças e torturas de cubanos?

      5. Passaram-se doze anos desde que divulguei neste país o livro, publicado uma década e meia antes disso, em que o chefe do escritório da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, confessava ter falsificado documentos para induzir a mídia local, com sucesso, a acreditar que o governo dos EUA havia planejado e orientado o golpe militar. Desde então nem um único jornalista ou historiador se interessou sequer em ler o livro, quanto mais em tentar uma entrevista com Bittman ou uma averiguação nos arquivos soviéticos. São, no total, vinte e sete anos de ocultação proposital.

      6. No mesmo livro, Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles? Encobertos sob o silêncio obsequioso de seus colegas e dos empresários de mídia, aqueles dentre eles que não morreram estão decerto em plena atividade, mentindo, ocultando e falsificando.

      Esses seis exemplos bastam para evidenciar que a história oficial do golpe de 1964 é criminosamente seletiva, recortada para servir de instrumento de propaganda e não para esclarecer alguma coisa. É a historiografia schmittiana em ação, ajudando os amigos e assassinando as reputações dos inimigos.

      Notas:
      [1] V. http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/.

      [2] V. , por exemplo, Leandro Dias, “Fascismo à brasileira”, em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/01/fascismo-brasileira.html.

      [3] V. http://www.olavodecarvalho.org/semana/semfim.htm.

      Publicado no Digesto Econômico.

      • A História proibida

        ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO | 24 MARÇO 2014
        ARTIGOS – CULTURA

        Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles?

        Carl Schmitt definia a política como aquele campo da atividade humana no qual, não sendo possível nenhuma arbitragem racional dos conflitos, só resta juntar os amigos e partir para o pau com os inimigos. Invertendo a célebre fórmula de Clausewitz, a política tornava-se assim uma continuação da guerra por outros meios. Nessa perspectiva, o que quer que se dissesse a respeito deveria ser julgado não por sua veracidade ou falsidade, mas pela dose de reforço que desse aos “amigos” e pelo mal que infligisse aos “inimigos”.

        A quase totalidade da bibliografia nacional sobre o golpe de Estado de 1964 segue rigorosamente essa receita. A hipótese de discutir racionalmente os argumentos dos golpistas é afastada in limine como “extremismo de direita” ou como adesão retroativa ao movimento que, com forte apoio popular, derrubou João Goulart e inaugurou a era dos presidentes militares. A única função que resta para o historiador é, portanto, reforçar o elemento macabro na lista dos crimes de um dos lados e enaltecer os do outro lado como boas ações incompreendidas.

        A universidade brasileira tem nisso uma das suas principais missões educacionais. Não espanta que para cumpri-la tenha tido de reduzir mais de cinqüenta por cento dos seus estudantes ao estado de analfabetismo funcional,[1] tornando-se assim uma organização criminosa empenhada na prática da fraude em grande escala.

        A ciência política começou quando Sócrates, Platão e Aristóteles inauguraram a distinção entre o discurso do agente político e o do observador científico. Essa distinção não poderia ser mais clara nem mais incontornável: o primeiro destina-se a fazer com que determinadas coisas aconteçam, o segundo a compreender o que acontece. O próprio agente político, quando fala entre amigos, tem de ser um pouco cientista para dar a eles uma visão realista do estado de coisas antes de lhes dizer o que devem fazer. Levada às suas últimas conseqüências, a regra schmittiana resulta em suprimir toda possibilidade de um conhecimento objetivo do estado de coisas e em meter os amigos numa enrascada dos diabos. Ninguém praticou isso com mais dedicação do que os comunistas, que por isso mesmo acabaram matando mais comunistas do que todas as ditaduras de direita reunidas e somadas. Até hoje ninguém contestou satisfatoriamente a minha assertiva de que nos anos 30-40 do século passado um marxista de estrita observância teria maior probabilidade estatística de sobreviver na Espanha de Franco ou no Portugal de Salazar do que em Moscou.

        Quase toda a bibliografia nacional sobre o golpe de 1964 e sobre o regime militar que se lhe sucedeu só tem, portanto, o valor de um documento bruto sobre a visão que uma das facções em luta tinha (e tem) dos acontecimentos. Como estudo científico-objetivo, não vale nada. Que alguns poucos livros se oponham a essa uniformidade consensual não melhora em nada a situação, pois expressam antes a reação enfática de uma minoria indignada do que um sério desejo de compreender o que se passou. E a desproporção entre ataque e defesa se torna ainda mais significativa porque – notem – os governos militares, com todos os recursos que tinham à mão, não espalharam um volume de propaganda anti-Goulart – ou anticomunista — que chegasse a um milésimo do que se escreveu e publicou contra eles depois que foram alijados do poder. Mesmo em plena ditadura, a produção de livros e jornais contrários ao regime, muitos abertamente pró-comunistas, já ultrapassava de longe o volume modesto da propaganda oficial, sem contar o fato de que esta se limitava a patriotadas genéricas e inócuas sem nenhum teor de ataque ou denúncia. O governo, enfim, cedeu à esquerda o monopólio do uso da linguagem, e o fez precisamente nos anos em que os setores mais hábeis do movimento comunista, em vez de se suicidar nas guerrilhas, liam Antonio Gramsci e se empenhavam em ocupar espaços na mídia e nas universidade para aí empreender a grande guerra cultural contra um adversário que a ignorava por completo.

        É inteiramente normal que no dia seguinte à queda de um regime ele seja demonizado, mas é ainda mais normal que a passagem do tempo favoreça abordagens mais realistas e equilibradas. Este ano o golpe de 1964 completa meio século de história, e não só a indústria da vituperação continua cada vez mais próspera, alimentada agora por uma cornucópia de verbas estatais, mas o simples impulso de sugerir alguma moderação ou de pedir equanimidade na averiguação dos delitos de parte a parte é recebido como virtualmente criminoso e digno de punição. Muitos acusam nele, abertamente, a preparação de um outro golpe, o anúncio de uma nova ditadura, e, com base nesse hiperbolismo forçado até o último grau, legitimam o uso de meios ditatoriais para evitá-la.

        Num país onde setenta mil cidadãos são assassinados por ano, a morte de quatrocentos terroristas meio século atrás é ainda alardeada como o mais terrível – e o mais recente – dos traumas históricos possíveis. Chega-se mesmo a exclamar que o Brasil só não encontrou o caminho da perfeita democracia porque os “crimes da ditadura” ainda não foram suficientemente investigados e denunciados.[2]

        Nessas condições, não é de estranhar que aspectos fundamentais da história daquele período fossem varridos para baixo do tapete, sufocados e proibidos, como se nunca tivessem existido e como se mencioná-los fosse o maior dos crimes. Eis alguns exemplos:

        1. Qual a dimensão real da ameaça comunista no Brasil dos anos 60? A norma geral é proclamar, a priori, que essa ameaça era inexistente ou irrisória. Mas as mesmas pessoas que assim dizem são as primeiras a apontar o grande número de oficiais comunistas e pró-comunistas que o novo regime expulsou das Forças Armadas. São também as primeiras a cantar as glórias do esquema guerrilheiro que Fidel Castro havia espalhado por todo o continente americano. Conta-se entre lágrimas a história da Operação Condor, mas evita-se cuidadosamente mencionar que ela foi apenas uma reação tardia à fundação da OLAS, a Operação Latino-Americana de Solidariedade, comando-geral das guerrilhas no continente, que já havia matado milhares de pessoas quando os governos da região decidiram juntar esforços para combatê-la.

        2. À profusão de investigações e denúncias sobre a ação da CIA no Brasil, entremeadas de mitos e lendas, corresponde, em simetria oposta, o total desinteresse ou a proibição tácita de averiguar a presença da KGB no país na mesma época. A abertura dos arquivos de Moscou, que tão profundamente modificou o panorama da sovietologia no mundo, foi recebida no Brasil como uma obscenidade da qual não se deveria falar.

        3. A balela de que as guerrilhas surgiram em reação à derrubada do presidente Goulart continua sendo repetida com a maior sem-cerimônia, mesmo sabendo-se que desde 1961 já havia no Brasil guerrilhas subsidiadas e orientadas pelo governo cubano. Nesse ponto, aliás, o simples fato de que o presidente Goulart, recebendo em mãos as provas do que se passava, escondesse tudo e remetesse em segredo a Fidel Castro em vez de mandar investigar essa ostensiva intervenção estrangeira armada, já bastava para tornar sua derrubada inevitável e até obrigatória.[3] No entanto, até hoje o golpe é carimbado como um ato de força “contra um presidente legalmente eleito”, como se Goulart tivesse sido derrubado por ter sido eleito e não por ter cometido um crime de alta traição.

        4. Qual foi exatamente a participação de exilados e de outros comunistas brasileiros na polícia política de Fidel Castro? Se o sr. José Dirceu foi oficial do serviço secreto militar cubano, é quase impossível que ele tenha sido uma exceção solitária. Quantos comunistas brasileiros foram co-responsáveis por matanças e torturas de cubanos?

        5. Passaram-se doze anos desde que divulguei neste país o livro, publicado uma década e meia antes disso, em que o chefe do escritório da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, confessava ter falsificado documentos para induzir a mídia local, com sucesso, a acreditar que o governo dos EUA havia planejado e orientado o golpe militar. Desde então nem um único jornalista ou historiador se interessou sequer em ler o livro, quanto mais em tentar uma entrevista com Bittman ou uma averiguação nos arquivos soviéticos. São, no total, vinte e sete anos de ocultação proposital.

        6. No mesmo livro, Bittman afirmou que a KGB tinha na sua folha de pagamentos, em 1964, quase uma centena de jornalistas brasileiros. Alguém se interessou em investigar quem eram eles? Encobertos sob o silêncio obsequioso de seus colegas e dos empresários de mídia, aqueles dentre eles que não morreram estão decerto em plena atividade, mentindo, ocultando e falsificando.

        Esses seis exemplos bastam para evidenciar que a história oficial do golpe de 1964 é criminosamente seletiva, recortada para servir de instrumento de propaganda e não para esclarecer alguma coisa. É a historiografia schmittiana em ação, ajudando os amigos e assassinando as reputações dos inimigos.

        Notas:
        [1] V. http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/.

        [2] V. , por exemplo, Leandro Dias, “Fascismo à brasileira”, em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/01/fascismo-brasileira.html.

        [3] V. http://www.olavodecarvalho.org/semana/semfim.htm.

        Publicado no Digesto Econômico.

  12. Caros senhores José Carlos Werneck, CN, Dr. Ednei Freitas e Wagner Pires … Bom dia!

    Não se compreende a Revolução Brasileira do Rosário de 1964 sem se saber da Crise Cubana de Mísseis de 1962 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_dos_m%C3%ADsseis_de_Cuba!!!

    Semelhanças de 1962 com 1964:
    1 – Dezoito meses antes, em 17 de abril de 1961, o governo Kennedy já havia empreendido a desastrada invasão da Baía dos Porcos, usando um grupo paramilitar constituído por exilados cubanos, apoiados pela CIA e pelas forças armadas dos Estados Unidos, na tentativa de derrubar o governo socialista de Fidel Castro). … … … comparar com o texto acima das 7:50 am.
    2 – Participação brasileira … Segundo documentos revelados pelo National Security Archive em 2012, o Brasil participou secretamente das negociações durante a crise, ajudando a conter “o momento mais perigoso da história da Humanidade”, chegando a enviar um representante à Havana em 19 de outubro de 1962. Antes, o Departamento Americano solicitou uma aproximação com Castro, mediante intercessão brasileira.[2] … … … em outubro de 1962 Jango era Presidente da República, Hermes Lima era Primeiro-Ministro e Ministro das Relações Exteriores – fica evidente que alguma coisa secreta foi resolvida e relação ao Brasil!!! !!! !!!
    3 – Evidência desta alguma coisa secreta – https://pt.wikipedia.org/wiki/Che_Guevara com: “Em 1964 Ernesto Che Guevara representou oficialmente Cuba nas Nações Unidas, tendo pronunciado um discurso em francês por ocasião da sua 19ª Assembleia Geral, em 11 de dezembro de 1964.[19] Participou do Seminário Econômico de Solidariedade Afro-asiática entre 22 e 27 de fevereiro de 1965 em Alger, quando criticou publicamente, pela primeira vez, a política externa da União Soviética. Nesse mesmo ano, Guevara, deixa Cuba para propagar os ideais da revolução cubana pelo mundo com ajuda de voluntários de vários países latino americanos, contra os conselhos dos soviéticos mas com o apoio de Fidel Castro. Em 4 de outubro de 1965 Fidel Castro anunciou que Ernesto Che Guevara deixara a ilha para lutar contra o denominado “imperialismo”.
    Retorno à guerrilha e morte
    Ele parte primeiramente para o Congo com um grupo de 100 cubanos “internacionalistas”, tendo chegado em abril de 1965.”

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