Valor da ordem e a falta de liderança no país

Luiz Tito

Na semana passada, assistimos mais manifestações em todo país que colocaram em evidência características de como o recente inconformismo da sociedade explode.

A agressão ao patrimônio público e privado, os saques no comércio, a depredação de ônibus e metrôs, atitudes tomadas para se marcar o protesto contra o desperdício, contra a roubalheira e contra a ilegitimidade das nossas representações políticas acentuaram o sentimento de que vivemos um déficit nacional de comando, de autoridade, que denuncia a absoluta falta de liderança política em todo país.

Os eventos, que começaram nacionalmente em junho, minimizaram-se em julho e ressurgem neste agosto, não produziram lideranças e nem sobrou, do entrechoque das ideias, do processamento das disputas partidárias, do rame-rame diário das casas legislativas um nome, uma voz, um projeto que pudesse dar um norte seguro a essas manifestações, criadas pelo poder de mobilização, simplificado no seu custo e ampliado na sua eficiência, pelos recursos das redes sociais.

Emprego, valor dos salários, custo de vida, saúde e educação são bandeiras fortes na medição dos valores que a sociedade sempre focou. A casa própria e a segurança social se incorporaram ao rol das suas aspirações genuínas e os governos se mostravam tranquilos, porque administravam homeopaticamente os recursos e ações prescritas para seu atendimento. Não bastou.

PADRÃO FIFA

O povo nas ruas fez as contas para denunciar que sobrou dinheiro para atender ao projeto faraônico e megalomaníaco da Copa do Mundo enquanto hospitais e postos de saúde carecem de médicos, de equipamentos e remédios. Que nas escolas públicas se oferece o pior ensino, que poderia ser muito mais grave se não fosse a dedicação e zelo de professores remunerados com salários miseráveis, sem recursos pedagógicos e valendo-se de instalações flagrantemente inadequadas. Que nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional grassam de forma imoral salários e aposentadorias conquistadas por manobras políticas ao descuido da lei.

O dia que o povo for para as ruas exigir a limitação do orçamento público com a remuneração de vereadores, de assessores e aposentadorias criminosas o país certamente terá recursos para suas prioridades. Há muito o que se corrigir e o que se reivindicar. Mais do que nunca, o Brasil precisa da mobilização das ruas, da manifestação do seu inconformismo, na busca de uma sociedade igualitária, do respeito ao dinheiro público com o combate sistemático da corrupção e dos desmandos. Essa vigilância tem que ser permanente, estar latente no sentimento popular.

O perigo está na utilização dessa vigilância para outros resultados. É notório que temos em processo a construção de uma sociedade mais atuante, mais transparente, focada nos seus direitos, que se desperta de uma crise de convicções que nos reduziu nas últimas décadas. Essa mudança só vai se atingir com unidade. Ela não pode ser sacrificada pelo banditismo, pela violência, nem ameaçado o repúdio dos que pensam e querem transformações, pelo vandalismo e pela ação delinquente de grupos minoritários. Nesse momento, mais do que nunca, a ordem tem valor. (transcrito de O Tempo)

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One thought on “Valor da ordem e a falta de liderança no país

  1. Desde o inicio do julgamento da Ação 470 (mensalão), observou-se de o Ministro Lewandowski o propósito de absolver os mensageiros. Pior, enfraquecer e desprestigiar o STF. Procurou, sempre desmerecer os pareceres do Ministro Joaquim Barbosa. Pena porque e mais um Poder enfraquece.

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